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Até a última estrela

Nunca ninguém descobriu quem eu sou de verdade. Nunca ninguém quis me desvendar, apenas me inventar.
Caminho através dessa existência apenas atuando, interpretando papéis na vida dos outros, que desesperadamente tentam me encaixar nas suas receitas prontas, nos seus moldes pré-determinados da pessoa perfeita. Nunca ninguém quis enxergar o que há além do meu rosto e do meu corpo. As pessoas me veem sem me enxergar, me escutam sem me ouvir e encostam no meu corpo sem me tocar. Me sinto irremediavelmente sozinha nesse mundo, mas nunca vazia. Estou cheia. Transbordando. Pedindo humildemente ao universo que alguém consiga ver além do meu sorriso.
E então, de repente, você aparece.
Você.
Me enxergou sem nunca ter me visto. Me tocou sem encostar as mãos em mim.
Você.
Chegou leve como uma brisa do amanhecer que traz consigo o conforto dos primeiros raios de sol, elegantemente sutil, quase imperceptível. Apesar da distância, consigo te sentir perto de mim, sinto sua leveza ao meu redor, pedindo passagem para minha vida de uma maneira gentil. Tão gentil que me emociona.
Desde que te conheci fui tomada por uma onda de esperança, a esperança de que um dia possa ser cuidada e verdadeiramente amada, pelo o que eu sou de verdade e não pelo que inventam. Você trouxe consigo a centelha de uma promessa há muito tempo esquecida, trouxe à tona meu mundo pré-adolescente, pintado de cor de rosa, olhou diretamente para a minha pureza, me viu nua de uma forma que ninguém jamais havia visto.
Já faz alguns dias que o fantasma da incerteza tem me assombrado. Morro de medo de um dia você acordar e perder o encanto, de não querer mais me ver, de tomar outro caminho e conhecer outra pessoa. Você é bom demais para ser verdade, ainda não consigo acreditar na sua existencia. É como se o amor que existesse apenas na minha imaginação tomasse forma e começasse a trocar mensagens comigo pela internet. Você é a personificação de tudo que eu sempre quis e tenho medo disso, medo de estar interpretando mal, ou medo de estar completamente certa e tudo terminar antes mesmo de começar. O que temos é raro, é como conseguir presenciar um fenômeno que só acontece uma vez na vida, é como assistir ao cometa Halley, que só passa pela Terra a cada 76 anos. É algo extremanete delicado, tanto que sinto vontade de guardar dentro de um potinho e esconder para sempre, é imaculado, não pode ser tocado.
O que sinto por ti nasceu antes dos cinco sentidos. Veio antes da visão, do tato, do olfato, é puro e não tem nome. Não é só paixão porque paixão é toque, é fogo que arde e queima, o meu sentimento vai além disso. É uma chama que aquece, uma fogueira que espanta o frio e deixa a gente com jeito de lar.
Cada célula do meu corpo anseia pelo dia que finalmente estarei em seus braços, mas saiba que se isso nunca acontecer, irei torcer para que existam outras vidas. Farei questao de voltar para a Terra e caminhar por mil vidas através da eternidade na esperança de um dia encontrar você, meu garoto feito de constelações.
Te seguirei até a última estrela.
Milena Costa
Enviado por Milena Costa em 05/04/2021
Código do texto: T7224686
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Milena Costa
Porto Seguro - Bahia - Brasil, 23 anos
2 textos (67 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 15/04/21 03:17)
Milena Costa