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A COBRA QUE DORMIA EM PÉ (HIST. DO BIDÚ 3)

As energias dos Mestres Ascensionados oferecem sua sabedoria e nos guiam no plano da experiência.
Bidu era um cara porreta, fanfarrão, contador de histórias, espirituoso, um verdadeiro milongueiro, como dizia o senhor Capa Preta.
Com cinco minutos de conversa, ele dominava completamente a situação e trazia todos para si, prendendo suas atenções por tempos deliciosos.
Imaginem que certa vez o surpreendi contando uma incrível história de cobra.
Dizia:
“Quando morava na fazenda do meu pai em Riachão do Dantas, Sergipe, fui ter com a finada Dalva, mãe do Juarez, seu primeiro filho. No retorno para casa, atravessava um descampado, onde existia uma vaca muito brava que dava carreira  no povo. Vinha vindo, com cuidado redobrado, pois já era tarde da noite. Além dos perigos naturais, estava de olho na "Pintada". Não é que de repente, surge detrás de uma moita de mandacaru, aquele enorme bicho que após ciscar e assoprar, partiu em minha direção. Como não havia nada que pudesse fazer, corri, corri e corri bastante. Como o lugar era descampado e a vaca já estava quase me alcançando, avistei uma pequena árvore. Uma avorezinha comprida e fina, sem galhos, não pensei duas vezes e, vup... me gurupitei nela.  Surpreendentemente, no lugar dos galhos tinham dois olhos amarelo-esverdeados, que para mim piscaram. Eu também pisquei, aprumei as vistas e foi aí que percebi que se tratava de uma cobra pico de jaca, que dormia em pé e bem sossegada. Como tinha medo de cobra e também de vaca e, como já estava mesmo em cima da cobra e quase caindo em cima da vaca, resolvi ficar mais um pouquinho até a danada ir embora. Dito e feito, ela se foi. Então pulei da cobra e danei a correr novamente, agora era a cobra que corria atrás de mim”.
Coitado do Bidu. Como ele sofreu naquela noite. Além de correr da vaca e da cobra ainda levou uma “pisa” do meu avô por ter arrancado a porta da casa no peito.
Este fato causou-lhe um drama psicológico de tamanha magnitude que o coitado foi embora de casa e partiu para o mundo sem rumo nem prumo e, levado pela vida.
RAYSAN DE SOUZA
Enviado por RAYSAN DE SOUZA em 29/09/2008
Reeditado em 29/09/2008
Código do texto: T1202186
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
RAYSAN DE SOUZA
São Paulo - São Paulo - Brasil
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RAYSAN DE SOUZA