O BÊBADO

O bêbado.

Ele dançou no forró até a madrugada. Quando tirou o carro da vaga para ir para casa, observou o ponteiro do marcador de combustível estava muito baixo. Não pensou duas vezes, voltou até o bar e comprou dez garrafas da melhor pinga que o homem tinha. Pediu ajuda para levar as garrafas para o carro. O dono do bar ficou surpreso, ao ver o destino dado às garrafas de pinga. Tentou alertar o dono do carro, argumentando: - Vai estragar o motor do carro! O bêbado respondeu-lhe esperto: - Estragar o motor do carro? Mas como você tem coragem de dizer isso na minha cara, depois de me vender esta porcaria de pinga dizendo que era a melhor que você tinha. E levantou a voz e começou a dizer: - Eu? Bêbado? Claro que não, gesticulava com uma das mãos, enquanto com a outra segurava a última garrafa de pinga que ainda tinha na mão. Nem chegou a perceber que o dono do bar já tinha ido embora.

Entrou no carro, fez a manobra, pegou a estrada e dirigiu vagarosamente para casa. Ia numa velocidade mínima, com o vidro aberto, braço esquerdo pendurado na janela, dirigindo só com uma mão. Estava curtido e curtindo a brisa da madrugada, enquanto o sol de inverno saía timidamente, espalhando seus raios. Acendeu um cigarro, e ligou o rádio, tocava uma velha canção sua antiga conhecida: “Eu não sou cachorro não”... Estava na metade do caminho, não precisava ter pressa, hoje era domingo, e agora não tinha mais “patroa”, ela fora embora, abandonando-o a sua própria sorte, digo, própria morte, pois o exame de sangue acusava as enzimas do fígado estavam todas alteradas, início de uma cirrose.

De repente, surge um cachorro a sua frente. Ele freou rapidamente, conseguindo desviar, e evitar a morte do pobrezinho. Assustou-se um pouco e prometeu para si mesmo: - Na próxima vou maneirar um pouco, quase matei o cachorro, ainda estou ouvindo os latidos do pobre em meus ouvidos. Preciso parar de dar pinga para este carro, vou acabar estragando o motor. Preciso mandar consertar o marcador de combustível, e continuou fazendo planos, enquanto continuava dirigindo.

Sentiu o sol batendo em seu braço. Abriu os olhos e descobriu que estivera cochilando. Estranhou o carro estava parado, abriu a porta, saiu e viu que a parte da frente do carro tinha penetrado no tronco largo de uma árvore. E lá estava presa. Como? Ele não sabia, era apenas um pobre bêbado que vacilara tanto durante a sua vida que acabou ficando no meio do caminho. Um novo amanhecer viera acordá-lo para uma nova realidade.

Aradia Rhianon
Enviado por Aradia Rhianon em 17/01/2012
Código do texto: T3446522
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