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O ANIMADOR DE VELÓRIOS
 
          O dia muitas vezes cansativo mas produtivo devido aos serviços da lavoura. Quase sempre Jango chegava em casa e lá a mulher vinha com um recado. Era o que ele gostava de fazer, mas muitas vezes recusava porque tinha que pular cedo para mais um dia de labuta. Trabalhador honesto e muito conhecido na região. Sempre que tinha oportunidade gostava de pescar. Em cada pescaria era uma história diferente. Dizia que pescava até peixe do outro mundo.
             Quando morria alguém nas redondezas, sempre que possível o homem estava no velório. Chegava perto do caixão e se benzia.  Dava uma “rezadinha”, ficava um pouco por ali, depois saía. No Lado de fora meio perto da casa, em guardamentos no sítio é costume quase sempre fazer uma fogueira pra se esquentarem. Ali sai piadas, mentiras, causos de visagens, assombrações e outros. Em volta do fogo sempre tem uma ou várias rodas de chimarrão (Região Sul). E o Jangão sempre no meio com suas artes.
          Um daqueles velórios o povo foi despertado devido a uma história que o homem contou. No começo estava um pouco quieto, somente ouvindo. De repente alguém contou um causo engraçado. Antes de terminar olhou pra ver se não havia nenhuma senhora por perto. Era a história de um rapaz que foi na casa da namorada montado numa égua. Esse era muito tímido. Tão preocupado e nervoso, na hora de despedir da prenda. Foi chamar a guria pelo nome mas a chamou de égua. Esta deu-lhe um tapa na cara que ficou o sinal dos dedos. José contava esse, Jango ouvia e picava fumo para fazer  um palheiro. Quando o velho Zé terminou, o conhecido como animador de guardamentos ou velórios deu uma gargalhada tão alta, que todos os presentes deram risadas também.
             - E daí Jango, estamos esperando que o senhor nos conte alguma coisa também.
             - Não, hoje prefiro ouvir. – Respondeu.
 
            Depois de ouvir mais uns oito ou dez causos curtos, começou a se soltar. Contou um, dali a pouco outro e outro. O homem que jazia no caixão estava praticamente sozinho, porque as  pessoas queriam ouvir as histórias engraçadas, principalmente se fosse contada por Jango. E este começou a falar de um outro acontecimento, que segundo ele não era piada nem causo, mas verídico.
             - Lá pelas bandas do Rio Tigre......lá onde o vento encosta o cisco........

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(Continua)