A LAGARTA

A LAGARTA

UM CONTO QUE EU CONTO

POR: ALÉSSYA

23/03/2015

Estava eu dando a minha tradicional faxina de segunda feira e, distraidamente limpara minha varanda da frente, eis que uma senhora de aproximadamente 45 anos me aborda do outro lado da grade dizendo:

_ tem uma lagarta enorme subindo os degraus de sua varanda, me dá um pau aí que vou esmagá-la...

Mais que depressa indaguei:

_ por quê?

Ela, com ar de indignação por minha ignorância, disse:

_ porque são perigosas, atacam a gente e queimam...

Continuei minha indagação:

_ Quantas já atacaram a senhora e queimaram?

Ela meio surpresa disse:

_ Nem uma.

Continuei:

_ Quantas você já esmagou?

Ela respondeu:

_ todas que encontrei, até perdi as contas...

Eu

_ Uhmm, pelo visto não gosta de borboletas nê, reparou que elas andam sumidas?

Ela, se mostrando desentendida...

_ Não... Não eu gosto de borboletas, sim elas acabaram...

Continuei...

_ É que as pessoas atacam e esmagam, ou queimam todas as lagartas que vêm, impossibilitando o milagre da metamorfose que sofrem para se transformarem em borboletas.

Ela

_ É que as lagartas são feias demais, dão medo na gente...

Eu

_ Já pensou, se pudéssemos esmagar, todas as pessoas feias e que dão medo na gente? Esse mundo seria outro bem diferente nê?

Ela mais que depressa...

_ Ah! Mas as pessoas são criaturas de Deus

Eu

_ As Lagartas também

Ela...

_ Lagarta não é coisa de Deus, nem cobra, nem aranha isso é obra do outro, do coisa ruim..

Eu...

_ Acho que algumas pessoas, dão muito crédito ao pobre do “tio Lú”, sinceramente não acredito que este, seja capaz de criar nada, no máximo uma cópia mal feita e deformada da criação divina.

Ela...

_ então pra que Deus Criou as lagartas?

Eu

_ Pelo mesmo motivo que criou os homens e as mulheres, tudo faz parte de sua grandiosa obra prima, cada coisa tem seu lugar e sua função, mesmo que, nossos limites, não nos permita saber o porquê, nem o pra quê, de tudo que ele fez, mas de uma coisa eu sei, se eu, que sou eu, não perderia meu precioso tempo, fazendo ou criando algo completamente inútil, e sei bem, mesmo em toda a minha pequinesa, que Deus também não.

A senhora? foi-se embora, nem sei se ela entendeu algo de tudo que lhe disse, quanto a lagarta? eu a peguei e a coloquei aos pés de uma das árvores aqui do meu quintal, sei bem que ela tem lá seus predadores naturais, mas que a vida siga seu curso sem tanta interferência humana.

Aléssya
Enviado por Aléssya em 23/03/2015
Reeditado em 23/03/2015
Código do texto: T5180147
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