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Amor

Sempre fui um homem vistoso.Não era bonito,mas tinha personalidade e caráter.Só que,depois de muito tempo, descobri que não já era mais o homem dela.
Tudo começou num dia de sol.Reunimos os amigos e familiares para um banho de mar.Voltamos atrás no tempo, em que vizinhos e parentes se davam bem, podiam curtir tudo sem restrinções ou entrigas.Entretanto,naquele dia ouvi algo que me fez desconcertar.
No início eramos amantes, depois nos tornamos marido e mulher,e, a partir deste dia, conhecidos.
Tinham, enfim, posto,em minha mente a sombra da dúvida, o pingo atrás da orelha.Tudo me inspirava conspiração, perguntas que me atormentavam, incertezas.Fazia qualquer coisa para ver,ter certeza do que todo homem, neste momento, quer.Porém, a única certeza do que eu tinha, era de a amava,e muito.Por isso os fantasmas me perseguiam.
Os dias, os anos foram passando e tudo havia mudado.Apesar de nutrir por ela amor, eu a esquecia.Estava mais só e sozinho.Ganhei um companheiro: o állcool.
Saí do trabalho ao meio dia em ponto, no mesmo horário de sempre, para almoçar.Almoçar em casa era mais traquilo e,agora,mecânico.
Abri a porta e senti o silêncio.Chamei-a, a resposta não veio.A sala , sempre bem organizada e bem arrumada, estava sem retratos;a passoa mais lentos fui à cozinha, estava vazia,ainda podia sentir o cheiro do almoço;dei meia volta e me dirigi para o quarto, apenas os móveis e o silêncio;no banheiro, pregado ao espelho havia uma carta.
Retirei com cuidado. Tremulo e inconsciente, me perguntava o porquê que ela havia ido embora.Tive receio em abrir, mas a vontade de saber foi mais forte.
As primeiras palavras foram de desculpas, perdão.Disse que não teria coragem de partir se eu estivesse por perto.Que precisava se encontar, estar consigo mesma.De que não havia ninguém, nenhum homem.Mas que em alguma parte de nossas vidas seguimos caminhos diferentes, deixamos de ser "nós" para sermos 'eu'.E, no ps, dizia que me amava,e, por me amar não queria que fosse atrás.
Minhas lágrimas caíram, uma a uma,mostrando o quanto,talvez, fui injusto.Se tivessemos dialogado, posto para fora nossas mágoas, quem sabe!AS pessoas mudam,as atitudes demonstram isso.Eu mudei, e mudei por causa de palavras vazias, dessas que o vento leva e não volta mais.
A primeira noite, literalmente, sozinho foi doloroso demais. A casa de quarto cômodos parecia uma mansão;a noite havia se tornado maior; a sensação da cama vaziaera como alucinação. No segundo dia a saudade e a dor me consumiam, bastava um olhar mais significativo para as lágrimas escorrerem. No terceiro, queria ir buscá-la, todavia suas palavras me amarravam.
E assim foi um dia pior que o outro,às vezes, melhor que o anterior, menos dolorido. Os dias e as noites foram se seguindo, já conseguia sorrir.A vida tinha voltado para mim, podia ver o brilho do sol, o romantismo.
Depois de alguns anos, podia ver as fotas que restaram sem chorar, ou que a saudade apertasse.
Recomecei quando percebi que nem ela nem eu havíamos morrido, apenas seguindo os nossos caminhos separadamente.
Agora, nos tornamos estranhos.
tany
Enviado por tany em 09/07/2007
Código do texto: T558362


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Sobre a autora
tany
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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tany