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FINADOS


   FINADOS
            Era dia de finados por volta das doze e trinta, o sol quase a pino. Um calor  abrasador castigava os visitantes e vendedores ambulantes na porta do cemitério Parque. Joaquim, um português como tantos outros, suarento e faminto reclamava com sua mulher o fraco movimento. “Eh pá! também com um calor deste poucos hão de vir visitar defuntos”. Mal disse isso e uma senhora toda de preto, inclusive um chapéu,            aproximou-se da pequena banca e começou a examinar as coroas de flores. Tinham de vários tamanhos e composições e a senhora parecia indecisa. Joaquim com uma fome de retirante, foi comer um pastel numa banca próxima. Ao voltar após uns quinze minutos, viu sua mulher recebendo da freguesa que se afastou para fazer sua homenagem. Joaquim apressou o passo pois Maria não sabia direito os preços das coroas. Constatou na chegada que sua mulher havia cobrado um preço menor pela coroa que a mulher levara. Pensou rapidamente em como remediar aquele prejuízo.  Então disse a Maria  “tome conta da conta da banca e atenção para os preços mulher”.  Pegou uma coroa menor e saiu atrás da senhora de preto. Não teve dificuldades para encontrar pois aquela figura negra se destacava na multidão. A mulher parecia ter vindo ao cemitério para passear. Parou em três túmulos e em cada um fez uma oração e meditou por longos minutos, e nada de deixar a coroa. Joaquim pacientemente seguindo a uma distancia segura, suando em bicas. com a coroa mais barata na mão. Finalmente o quarto túmulo pareceu o definitivo. A senhora começou a limpar a lápide, arrancar capins e ervas daninhas. Fez suas orações, meditou algum tempo, finalmente colocou a coroa envolvendo a cruz, e afastou-se lentamente em direção ao portão. Joaquim então se sentindo seguro pois dificilmente a senhora voltaria, aproximou-se do túmulo de dirigiu-se respeitosamente ao morto:
“Ora pois! senhor José Francisco. Prazer em conhece-lo já que nunca nos encontramos antes. Estou aqui a contragosto mas em missão que considero justa e de direito. Aquela senhora de preto, que acredito ser tua esposa. Também se não for não tem problema pois não quero me meter na vida alheia. Ela esteve na minha banca e comprou uma coroa para homenagea-lo, o que acho justo pois o senhor está morto e sendo hoje dia de finados… Mas enganou-se ao fazer o pagamento, pagou a menor e trouxe a maior. Logo, portanto a tua por direito é esta que tenho nas mãos. Mil desculpas pelo mal entendido”.
                     Inclinou-se trocou as coroas e voltou finalmente para junto de Maria para enfrentar o resto  do dia.



   
Ailton Vilela
Enviado por Ailton Vilela em 16/11/2017
Código do texto: T6173697
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Sobre o autor
Ailton Vilela
Goiânia - Goiás - Brasil, 66 anos
11 textos (145 leituras)
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