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POBRE JORGE

       Era uma festa simples, e já caminhava para o seu final. Jorge (Falsa Verdade), cujo apelido devia-se ao hábito contumaz da mentira, não havia sido convidado para a festa. Isso não o impediu de levantar lentamente do banco que ocupava, e sob o efeito de várias caipirinhas, cambalear em direção a Irene, e com a voz pastosa convida-la para dançar. Embora preferisse recusar, Irene não quis ser motivo de nenhuma desavença já que Jorge tinha fama de valente e inconsequente quando bebia. Aceitou mesmo a contragosto e dirigiram-se para o salão. A música estava mais para suave, mas Jorge estava animado, tinha uma queda antiga por Irene e começou a rodopiar muito rápido e fora do compasso. Em poucos minutos deu-se o inevitável. Jorge perdeu o controle e antes que se estatelasse no chão, agarrou fortemente a Irene, trazendo-a para si num arroxo que não fazia sentido. Irene gritou e tentou se desvencilhar mas Jorge a segurava cada vez mais forte, não com objetivos libidinosos, mas simplesmente para não cair. Quando enfim se soltou, Irene correu para a cozinha, de onde, ato contínuo surgiu Manassés seu irmão, que era bem maior que o franzino penetra. Vendo-se ameaçado Jorge tentou fugir mas seu estado não ajudava. Foi alcançado no quintal e sentiu o impacto. Foi um soco de mão fechada que o fez "catar cavaco" por uns dez metros, esborrachando-se no escuro debaixo de um poleiro de galinhas. Sentiu o cheiro forte de titica, mas não teve força para reagir. Manassés tentou coloca-lo de pé para bater mais. Mas vendo seu estado lastimável desistiu e o mandou embora com a recomendação de  não incomodar mais sua irmã. Ao sair com passos vacilantes Jorge sentiu falta da prótese dentária removível. Deve ter virado "ponte aérea" pensou.  Olhando para as pessoas que assistiam ao seu infortúnio conseguiu apenas falar com o ar assobiando pela falha dos dentes: "Futa que fariu, ferdi minha fonte. Me ajudem a frocurar for favor".  Então abaixou-se e começou a vasculhar o capim.
Ailton Vilela
Enviado por Ailton Vilela em 18/11/2017
Código do texto: T6175193
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Ailton Vilela
Goiânia - Goiás - Brasil, 66 anos
11 textos (142 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 16/12/17 21:21)