UM HOSPITAL MUITO LOUCO - (Cobra solta no hospital)

Era pra ser apenas mais uma segunda-feira de trabalho naquele pequeno hospital de cidade de interior, uma hipertensão aqui, uma febre ali, e muitos fuxicos em todos os lugares, todos os profissionais de saúde desde os médicos aos técnicos de enfermagem sabiam da vida de todo mundo até os mínimos detalhes. Precisava ver quando Fabinho enfiou no seu reto uma garrafa de vidro de refrigerante, não só a equipe de saúde ficou sabendo, mas a cidade inteira. Existe o código de ética de saúde que aborda sobre não espalhar fatos sigilos sobre pacientes, mas quem naquele hospital ia resistir um bafão daqueles, fofoca mais quente do ano, foi fração de segundos e todos comentavam na recepção do hospital nas dependências da sala de radiografia, e logo estavam falando do caso na padaria do seu Haroldo, no restaurante da Baiana e até mesmo na igreja do padre Osmar.

Mas voltando para nossa segunda-feira parada e sem graça um fato que chamou a atenção: seu Firmino entrou mancando, com o pé esquerdo inchado e levando consigo uma caixa de papelão debaixo do braço: - me ajude, por favor, uma cascavel me picou- já foi falando o velho Firmino na recepção: - ave Maria, pois entre logo senhor, depressa! – desesperou-se a recepcionista.

Quando entrou o paciente de picada ofídica, logo foi atendido conforme protocolos de mistério da saúde, sua caixa ficou a lado de seu leito e depois de um período uma enfermeira perguntou: - seu Firmino o que tem nessa caixa?- o velho com uma voz fraca respondeu: - é uma cobra minha senhora- então a enfermeira abaixou-se e abrindo a tampa e falou: - você trouxe a cobra morta? - mas quando Firmino ia falar que a cobra não estava morta a moça deu o maior grito que aquela cidadezinha já escutara, tanto que seu Agenor um senhor cheio de superstições que morava em frente o hospital falou pra sua esposa: - está vendo já mataram outro lá dentro, e você ainda querendo que eu tomasse aquela vacina da gripe pra morrer logo - mas o problema maior veio depois, pois quando a enfermeira assustou-se deixou a caixa virar e a cobra fugiu e sumiu dentro do hospital, coitada da enfermeira Marisa ficou tão desesperada ao correr pelos corredores do hospital que ao encontrar sua colega já não tinha muito fôlego para falar do problema que causou: - amiga tem uma cascavel solta no hospital- retrucou a técnica de enfermagem Joana: - uma cascavel? Várias né amiga, na verdade aqui tem até naja de tanto veneno que solta, olha só mesmo a Charlote que falsidade né? - - Não amiga estou falando no sentido literal, eu soltei sem querer uma cobra no hospital – retrucou Marisa que ao terminar de falar escutou um grito vindo da sala de medicamentos no final do corredor, e logo constatou várias pessoas correndo na direção oposta da sala de medicamentos, uma cena marcante pra Marisa foi ver seu Joaquim que tem uma perna amputada correndo de muletas mais rápido que todos os outros e gritando: - UI UI! UMA COBRA -, no entanto a técnica Joana teve uma ideia: - Amiga sua louca já sei chama a polícia, eles resolvem isso – Marisa atendeu a ideia de Joana e ligou para a polícia que por pequenez da cidade ficava na esquina do hospital nada demorou pra que o cabo Lima chegasse ao estabelecimento: - onde está essa cobra que vou dar um jeito nela agora – bradou a cabo valente: - certa vez estava descendo um rio a nado e uma cobra surucucu veio na minha direção pra me comer, mas logo eu a encarei com minha cara bem furiosa e ele fugiu só de medo de mim, nem precisei matar ela – mas enquanto oficial contava sua história a criatura ofídica de uns 50 centímetros descia o corredor já chegando perto do cabo, que ao ver a cobra saiu correndo para cima de uma cadeira gritando desesperado de medo: Tira! Tira esse mostro de perto de mim, Ai meu Deus cadê minha mãe? -, Marisa ficou horrorizada com a postura do militar, mas de fininho seu Firmino levantou-se do seu leito e recolheu a cobra de novo na caixa, e fechou a tampa bem fechadinha de novo e depois de uns quinze minutos tudo estava normal de novo, e o plantão seguiu regulamente, naquela pacata cidade do interior.