VIDA DE POETA



      Plantei sementes a contragosto, abri caminhos a ferro e faca, as palavras perderam-se na imensidão de frases pálidas que se formaram na minha boca..., E não foram poucas às vezes em que eu me vi entre o bem e o mal sem nada ter feito para melhorar o mundo...
    Andei por um caminho sem estradas, sem metáforas, e vi muita gente se dar mal em troco de nada..., comi desde cedo o sal da vida e inalei o sereno das madrugadas. Mas, nem por isso sou estranho na arte de sentir o mundo.
     Nunca fui de esperar gratidão, sempre vi o mundo com olhos poéticos. E se por acaso eu tenha tido alguma sorte na vida, pouca coisa mudou-me na alma...Mas, a minha casa de poeta sempre esteve aberta aos meus amigos e aos amigos dos meus amigos, sempre achei besteira querer evitar que as pessoas se odeiem ou que elas se amem, cada um sente pelo outro aquilo que melhor lhe convêm...
    
Eu sei, todos nós temos num canto escuro dentro da gente, uma velha lanterna e um sorriso... O problema é não saber o que fazer e nem o que dizer quando se ganha um amigo.Mas, tudo é uma questão de ponto de vista, e os meus nunca se deixam transparecer totalmente, quando ultrapasso os limites frágeis da emoção, soa um alarme dentro do meu peito e me atiro no rio feito um barco invisível e ali permaneço ate que todas as águas do mundo me esqueçam...
     No entanto, quase nunca me afasto desse lugar onde eu sou habitante de muitas coisas. E aquilo que me ocupa, se não me faz progredir, me torna mais maduro e intenso em meu prolongamento