AMOR DE CARNAVAL

Da janela de seu quarto, ela observa o movimento da rua.

Pessoas fantasiadas, outras não, mas todas com a mesma alegria e entusiasmo que, se dirigem ao Bloco do Beijo para, entre as ruas da cidade, dançar e extravasar, em uma noite calorosa de carnaval.

Ela, no auge de sua idade, da carreira de sucesso conquistada, se depara com uma dura e fria realidade...

Nunca se permitiu viver um grande amor, uma paixão sequer!

A vida sempre foi estudo, trabalho, conquista.

Conquista essas que, mesmo o maior de todos os reconhecimentos, não lhe satisfizeram a alma.

A estante triunfante de prêmios e homenagem, exibem sobre a luz do luar a dura e fria realidade...Ela nunca foi capaz de amar...

Esse pensamento estremece seu corpo...Seria ela uma pessoa sem vontade amar?

Certamente que não!

Afinal, ao menos aquela noite, ela desejava ser amada, nem que fosse por um desconhecido.Alguém que lhe fizesse mostrar que a vida tem mais a dar do que receber.

Com esse pensamento, ela sai e invade a rua a espera da passagem do Bloco.

Ri com os bêbados que cantam na calçada.Outrora isso lhe incomodaria mas, não hoje, hoje é carnaval, as pessoas precisam se entregar a alegria,embora essa, seja passageira.

Passos indecisos caminha, enquanto pessoas eufóricas ao seu lado transitam.

Ao longe observa um banco, onde um homem sentado, também parece observar o movimento.

Aproxima...Senta...O som alto anuncia a chegada do Bloco.E mais pessoas aparecem, como do nada, e lotam a avenida.

_Parece que não sou o único a observar? (diz o homem ao seu lado).

Ela porém, não o conhecendo, finge não ouvir, devido ao barulho.

Ele se aproxima mais e novamente tenta se fazer ouvir.

_Admiro essas pessoas.Correm, dançam, é muita disposição.Eu prefiro só olhar e, olha que ja me canso!

_Eu nunca se querer observei, mas estou achando bastante alegre, divertido.Eles estão certos! (responde ela finalmente).

Tantas outras perguntas e respostas são ouvidas e dirigidas.

Enquanto o Bloco passa, a conversa rola solta, como se fossem velhos conhecidos.

De repente, o que ambos procuravam esta ali.Naquele banco, naquela praça, naquela noite.

Sem muito ter o que pensar, ela o conduz para seu apartamento.

Do quarto ainda é possível ouvir o som do Bloco e das pessoas a cantar pela rua.

Porém o som que envolve aquele quarto é outro.São corações batendo no mesmo compasso, no mesmo desejo.

As mãos nunca antes vistas, parecem sempre serem tocadas.

Os corpos antes desconhecidos, parecem agora intimos, tomados pelo desejo, e pelo beijo que calam e silenciam, dois apaixonados por aquele instante.

A entrega é unica, absoluta e perfeita.E pra quem só sabia o prazer do sucesso, descobre que a vida tem muito mais a oferecer.E nesse pensamento ela se entrega a aquele homem que, nunca viu, não sabe de onde vem, mas sabe que como ela, naquela noite carnavalesca, esperava muito mais que som e cantar.

O cansaço toma conta desses apaixonados, embalando-os em um sono mágico...

O sol invade aquele quarto...E a brisa suave da manhã desperta aquela mulher centrada e ao mesmo tempo tão sonhadora.

Ao seu lado, um travesseiro...

No seu corpo a sensação de que, aquele carnaval, passou em sua vida como o Bloco que assistiu.Festivo, intenso, prazeroso, mas passou...

Viviane Alves
Enviado por Viviane Alves em 04/03/2011
Código do texto: T2828737