As surpresas do amor (gay)

Será o destino responsável pelo livro da vida, ou a vida não passa de um roteiro mau-escrito e mau-interpretado por nós mesmos ou até, quem sabe, por uma autoridade maior?

Bom. Vamos do começo. Esta curta história começa numa empresa onde Rogério trabalhava há 3 anos como técnico em informática. Fossem quais fossem os problemas, Rogério resolvia. Tinham até medo de seu nome, os problemas.

Em um determinado dia, um novo tecnico é contratado e Rogério ficaria encarregado de passar tudo o que sabia para Lucas. Não se importou com isso. Seria bom passar seus conhecimentos a outro e poder dividir as tarefas.

O tempo passou e entre eles surgiu uma grande amizade. Lucas era casado há 2 anos. Tinha 23 anos e amava sua esposa. Queriam ter um filho, dois até, mas não conseguiam. O emprego apareceu num ótimo momento, pois acabara de se mudar à cidade.

Um anos sob supervisão de Rogerio foi suficiente para ele pegar os macetes do trabalho, e mais que isso, conseguiram um ótimo amigo.

Com os dois na área, os problemas pensavam duas vezes antes de aparecerem, deixando os dois com horários vagos quase direto para jogar conversa fora e tomar alguma cerveja.

Em uma dessas conversas, Rogério se abriu e disse que era gay pela primeira vez a alguém. Lucas não se espantou, nem o renegou. O mais importante para ele era uma amizade sincera e profissional. Lucas não era do tipo que condenava antes de conhecer, e de certa forma, achou até interessante a ideia do seu amigo ser gay.

Mas Rogério estava apaixonado por Lucas, e viu neste sentimento um grande risco à amizade.

Nesse meio tempo, Lucas recebe seu maior presente: suma mulher estava grávida e ganharia em 5 meses. Rogério agora via-se num beco sem saída, encurralado, não podendo ignorá-lo logo naquele momento importante.

Faltando pouco mais de 1 mes para o nascimento, e Lucas percebendo que Rogério estava estranho - quieto, meio apático -, por várias vezes tentou conversar mas Rogerio se negava a falar. Chamou-o, então para ser padrinho da criança.

A empresa possuia uma filial na cidade vizinha, e encontrava-se com alguns problemas técnicos. Rogério e Lucas foram encarregados de resolve-los. Mesmo não querendo deixar sua mulher sozinha por uma semana, Lucas aceitou ir. Mesmo sabendo que os dois ficariam uma semana sozinhos num quarto de hotel, Rogério também.

O problema não era tão sério sendo resolvidos antes do previsto. Mas, as noites quentes de verao pedia bebidas bem geladas. Foi onde certa noite passaram da conta e voltaram de taxi para o hotel, entrando no quarto com dificuldade e abraçados um ao outro.

Mesmo pensando sob efeito alcoólico, Rogério gostou da sensação de proteção encontrada nos braços de Lucas e aquilo mexeu ainda mais com seus sentimentos e abriu-se com Lucas, contando tudo que sentia.

Lucas nada disse. Ouviu e se calou. Começou a andar pelo quarto e se sentou ao lado de Rogério. Era visivel a batalha interna em seu olhar.

Ignorando tudo, Lucas olhou fundo nos olhos de Rogério e o beijou. E foi a primeira vez que tanto Rogério quanto Lucas tiveram uma relação sexual cheia de amor e repleta de sentimentos, desejo, carinho e ternura.

A volta pra casa foi silenciosa. ninguém falava dentro do carro. Rogério percebera que Lucas não estava em condições de dirigir, não havia sequer fechado os olhos noite anterior. Dirigia a mais de 130 km/h. Rogério insistia em pegar o volante, mas Lucas negava.

A viagem curta, tornou-se longa e fatal. Numa curva acentuada, Lucas fecha os olhos por instantes suficientes para perder o controle do carro, entrar na contra-mão, desviar do outros que vinham contra, voltar à sua pista, sair pelo acostamento e capotar diversas vezes.

O sinto de segurança impediu que fossem arremessados pra fora do carro. Mas ainda assim, sangravam muito e Rogério não se mexia. Lucas, preocupado, tentou fazer com que Rogério acordasse. Aos poucos, foi abrindo os olhos e dizendo com dificuldade que não sentia nada. Braços, pernas, sequer dor. Seus olhos tornaram a se fechar e reabriram com os berros desesperados de Lucas, que implorava para não abandoná-lo naquele momento. Dizia sentir muito e que não era para deixá-lo sozinho pois era muito importante pra sua vida e que queria sempre ficar perto, e que sabia o que sentia quanto a isso.

Lucas beijou os lábio úmidos de sangue de Rogério e pronunciou 3 palavras que nunca havia dito com tanta sinceridade e honestidade: EU TE AMO. Tornou a beijar os lábios vermelhos de Rogério já sem nenhuma resposta.

Os olhos de Rogério se fecharam sem vida. Lucas berrava, chamava seu nome, batia no peito de Rogério, tudo sem resultado. Rogério já não pertencia a este mundo.

Lucas sobreviveu para ver o nascimento de seu filho, se segundo maior presente. Algum tempo depois, contou a verdade a sua mulher, que compreendeu, e se separaram.

A culpa pela morte de Rogério o fazia chorar todas as noites. Até que a empresa contrata um ajudante que, agora, caberia a Lucas passar seus conhecimentos.

Ao ver o rapaz, segurou sua emoção e a vontade de chorar. Tiago não tinha as feições de Rogério, mas era como se tivesse sua alma. De certa forma, Lucas via Rogério ali, e Rogério poderia vê-lo novamente. Lucas caminhou até Tiago e o abraçou com os olhos cheios de lágrima. Tiago pareceu não entender o que se passava. Mas, ergueu os braços e retribuiu ao abraço do mesmo modo que Rogério fazia.

Ali, um romance estava recomeçando.

Afonso Herrera
Enviado por Afonso Herrera em 14/04/2013
Código do texto: T4240639
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