_ Pedrinho, vá para sua festa de rock, depois você vem. Começa cedo nossa confraternização anual, mas vai até o princípio da noite.
_ Já falei que não venho, mãe! Ano que vem tem outra reunião, a festa do rock só vai ser dessa vez.
_ Vou te esperar, Pedrinho! Não esqueça o nosso amuleto, querido!
_ Eu joguei fora o amuleto.
_ Você não precisava jogar fora, mas eu continuo te amando.
_ Por que a senhora sempre repete isso?
_ Porque nunca será demais dizer que te amo.

Pedro não ouviu o final da explicação. Ele também amava muito a mãe, porém considerava aquela reunião anual, que começava cerca de dez horas, avançando até a metade da noite, muito chata.
Era o momento de reunir a família inteira.
Tios, primos, um avô que restara, todos compareciam sem falta.
Dona Eliana mandou fabricar um chaveirinho em forma de borboleta. Ela dizia que era o amuleto da amizade, símbolo do encontro.

Pedrinho estava ansioso pelo encontro de rock, porque Amanda, sua grande paixão, estaria no evento.
Ele almejava conseguir revelar o sentimento guardado.
Esse ano as duas festas coincidiram, Pedrinho optou pela ocasião onde estaria sua futura noiva, conforme sonhava.

Ritinha, a irmã caçula de Padro, indagou:
_ Será que ele vem, mãe?
_ Espero que sim, querida!
_ Por que ele jogou fora o amuleto?
_ Com vinte anos a afobação é irmã da indelicadeza, mas Pedrinho é um ótimo menino. Desejo que ele realize uma excelente viagem e curta feliz a festa do rock. Ele merece.

* Durante a manhã, um telefonema alcançou a nobre Eliana como se fosse uma flecha levando todas as suas esperanças e alegrias.

Edgar, um policial, amigo de Eliana, informava que ocorreu um acidente trágico. Um dos veículos envolvidos levava Pedro até a badalada festa de rock.
Entre outros pensamentos, Eliana lastimou ter presenteado o filho com um carro no último aniversário.
Ela só fez isso, todavia, pois sabia o quanto o filho era prudente, jamais exagerava na velocidade, não bebia, nunca se interessou por drogas...
Como algo assim estaria ocorrendo?

* No velório, uma mocinha se aproximou de Eliana:
_ Dona Eliana, eu sou Amanda, amiga do seu filho.
Abraçando a educada moça, Eliana falou:
_ Olá, querida! Ele me falava muito sobre você. Cheguei a imaginar que talvez vocês fossem namorados. Os olhos dele sempre brilhavam citando você, minha flor.
_ Confesso que sempre esperei ele me fazer o pedido de namoro, mas parece que ele não tinha o mesmo interesse. É provável que seu filho gostasse de outra moça.
_ Nada disso, Amanda! Provavelmente a timidez atrapalhou.

Eliana, depois da jovem e difícil viuvez, apostou tudo na criação dos dois filhos, os tesouros do casamento.
Agora a partida tão precoce de Pedro significava um golpe insuperável.
Estreitando laços com a bela Amanda, ela conseguia sentir a aprovação do rebelde e adorável filho, seu eterno menino.
Ela parecia até perceber o sorriso meigo de Pedro.

A cerimônia fúnebre também contou com os amigos do rock, todos os familiares que visitaria Eliana, vários colegas da faculdade, vizinhos e pessoas que provaram a carismática companhia de Pedrinho.

* Uma semana depois, Dona Eliana contemplava o jardim de sua casa, tentando buscar, nas flores coloridas, energia para continuar a jornada.
De repente o amigo policial interrompeu suas idéias:
_Eliana, passei aqui rápido, pois tenho algo para te dar.
_ Oi, Edgar! O quê?
_ Estão nesse saquinho. Tem um documento do seu filho e um objeto pessoal que talvez você possa reconhecer. No dia do acidente apenas encontramos a habilitação na carteira do rapaz.
_ Obrigado, Edgar! Você tem sido um grande amigo.
_ É um prazer. Isso estava num posto que fica bem depois do local do acidente, indo para a cidade da festa. Podemos deduzir, então, que seu filho estava voltando para cá quando foi surpreendido pelo caminhão descontrolado. Ele vinha para sua festa anual, Eliana.
Edgar saiu e deixou Eliana, muito emocionada, segurando o saquinho. Saber que Pedrinho desistiu do rock, escolhendo estar na festa familiar, não apagava a tragédia, porém era um precioso alento.
Rápido a corajosa mãe tirou do saco o RG do rapaz. Na foto o mesmo olhar capaz de seduzi-la mil vezes.
Ah! Como ela o amava!

Puxando o objeto pessoal, Dona Eliana iniciou um choro comovente. As lágrimas ratificavam a certeza de que o amor recomendado por Jesus prevalece.
Não adianta tentar desfazer as canções do afeto profundo, elas sempre inundam o coração e teimam em vencer.

Ela beijou devagar o chaveirinho da borboleta que o filho não jogou fora e trazia para a festa durante a derradeira viagem.
O amuleto da amizade, renascendo nas suas mãos, carregava o recado do amor que não acaba, do amor que somente aproxima, do amor que tanto podemos e precisamos exercitar já.

Completando a cena mágica, uma borboleta surgiu na janela.
_Ah, Pedrinho, eu te amo demais! Eu preciso repetir essa frase até o fim dos tempos. Se um dia o mundo enlouquecido esquecer o que é amar, eu seguirei te amando, cada vez mais, meu doce menino! Eu te amo!

Impregnada pela fascinante mensagem, a borboleta voou alto.
Eliana sorriu.

Um abraço!
Ilmar
Enviado por Ilmar em 16/10/2014
Reeditado em 16/10/2014
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