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Outra Vez - O final do conto (Parte 3)

Ana Maria conseguiu o telefone no bar que ele tocava. Fez duas tentativas mas caiu na caixa postal.
Ligar para devolver uma palheta? Ele devia ter tantas...
Deviam ter tantas moças na tentativa de lhe encontrar também... Ela viu o jeito cínico do rapaz do boteco, quando anotou o número do celular pra ela. Devia fazer isso todo dia.
Ficou envergonhada de ter buscado o contato dele. Voltou para o trabalho mas não conseguiu focar em nada. Precisava vê-lo novamente...
O papel amassado na carteira a chamava, deixou propositalmente na bolsa até tomar coragem. Ligou mais uma vez e aquela voz, meio sonolenta, disse alô. Ela suava nas mãos, o telefone quase deslizou, mas finalmente ela se identificou.
Juliano sorriu do outro lado.
- Dona Ana Maria, a moça que tomou umas biritas mas não esqueceu as letras das canções favoritas!
Ela não gostou do tom da brincadeira e disse que encontrou uma palheta. Deixaria no bar onde pegou o telefone, se ele não se importasse. Despediu dizendo que era só isso.
Mal encerrou a chamada ele retornou.
- Ana, você não esperou eu falar. Fiz uma brincadeira... Estive na porta da sua casa, sábado passado. Queria te chamar para ir ao bar, me acompanhar. Mas sua vizinha disse que você tinha ido para a casa da sua mãe...
Ela não acreditou. Que vizinha? Realmente ela tinha ido para Varginha, mas ninguém comentou nada.
- Que vizinha? Foi tudo o que saiu.
- Ah deixa pra lá. Hoje estarei sem "trampo". Que tal um sorvete? Passas ao rum... Acho que vai gostar?!
Ela pensou em brigar mas caiu na risada, meio nervosa, diga-se de passagem. Decidiu aceitar. O humor dele era incrível, e se ele esteve procurando por ela, porque não o conhecer melhor?
Passearam pela praça, tomaram sorvete de chocolate, sem rum e sem nada de álcool, afinal ela não bebia com frequência e ele parecia querer impressioná-la. Tomou só uma água mineral.
Ela ria das histórias que ele contava, tinha sempre uma boa piada... Assim nascia uma gostosa amizade.
Saíram mais vezes, quando tinha um convite de um bar para tocar, ela ia com ele. Começaram a namorar.
O rapaz dormia com frequência em seu apartamento, já tinha até deixado lá o chinelo e a escova de dentes.
Um dia no café, Ana Maria olhou pra ele, mas antes dela fazer o convite, ele disse:
- Eu podia me mudar para cá! O que acha?
Riram da situação. Ela queria muito aquilo e ele parecia advinhar.
Naquela semana ele trouxe o resto da bagagem: o violão, uma mochila com poucas roupas e sua caixa de CDs.
Dali pra frente, Ana Maria se sentia uma mulher casada e Juliano se tornou um rapaz mais caseiro. Não trabalhava todos os dias, mas tocava nos fins de semana num bar perto de casa. Todas as noites dedilhava seu violão para mostrá-la as canções que compunha, ela se enamorava cada vez mais e ele, no seu jeito tão particular, fazia de tudo para encantá-la. Viu em Ana Maria, uma doce companhia, uma pessoa amiga para quem dedicava suas músicas e toda a sua vida.

Essa história é um recorte da vida de um casal, como tantos outros que existem por aí. Mas até hoje as pessoas criticam o fato daquela mulher sair para o trabalho enquanto o seu companheiro cuida da casa e agora também, do pequeno Caio.


Cláudia Machado
17/6/18

Nota: conheça toda a história nos três contos e também na canção Outra Vez, parceria com Germano Ribeiro, que você encontra na minha página (áudio) e também na dele.

Trata-se de uma ficção. Qualquer semelhança é mera coincidência!.
Cláudia Machado
Enviado por Cláudia Machado em 17/06/2018
Reeditado em 13/02/2019
Código do texto: T6366455
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Cláudia Machado
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil
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Cláudia Machado