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Preciso de Você Para me Amar

“Em uma noite escura dois corações se uniam formando um só, uma aliança gravada ‘I Love You’, cobriu o coração que estava vivo batendo sobre brasas, mas um raio apareceu e sua luz cortante atropelou o coração que se dividiu em dois quebrando a aliança. Uma parte do coração chorava lágrimas de sangue ao ver o outro voando para longe”...
Daniela estava assustada de mais, quando percebeu que era um sonho, estava olhando para o espelho e não dormiu mais.

- Filha, o que aconteceu? Você parece tão abatida.
Daniela sem responder não parava de pensar.
- “O que foi aquele sonho? Eu não consigo entender”.
A mãe de Daniela grita.
- DANIELA!
Ela estremeceu e se deu conta da realidade, olhou em volta, estava sobre a mesa e sua mãe preparava o café.
- O que foi Daniela? Até parece que estava sonhando acordada.
- Me desculpe mãe, eu só tive uma noite difícil.
- Então tome seu café da manhã para conseguir sobreviver durante o dia, pois essa é a refeição mais importante do dia. Seu irmão já foi para a escola, é melhor você também se preparar para a vida.

Parecia estranho, Daniela queria esquecer do sonho, tomou o café da manhã e saiu de casa para mais um dia de vida. Cumprimentou o vizinho que era um velho muito conhecido na vila, ele sempre era visto cuidando de suas rosas sobre o jardim de sua casa. Ela sorriu, despediu-se e voltou ao seu caminho. Andando e olhando em volta, ficava feliz em saber que morava em um lugar tão lindo, colorido e cheio de vida, mas sua tristeza veio à tona quando lembrou que ainda há pessoas que moram nas ruas, lugares fétidos, poluídos e sem vida. Pegou o metrô e pensando na vida foi em rumo à faculdade.
Chegando lá, subiu as escadas até chegar no sexto andar, olhou para a porta do número 603 e entrou.
A aula já não lhe parecia muito interessante e deu graças a Deus quando bateu o horário de ir embora.
Saindo de lá com seus livros, andava em passos rápidos e não olhava para frente quando se esbarrou com outro aluno no corredor.
- Os livros caíram, deixa que eu pego para você.
- Me desculpa, eu não sei onde deixei a minha cabeça hoje.
- É... Estou vendo que você estava muito apressada para chegar em casa.
Os dois trocam olhares e parece que por um momento o mundo para, mas para quebrar o gelo, Gabriel se levanta e entrega os livros de Daniela.
- Então, o que você está cursando?
- Eu estudo administração, e você?
- Eu estudo engenharia, à propósito, o meu nome é Gabriel.
- Eu me chamo Daniela.
- Que nome lindo.
- Obrigada, o seu também é.
Os dois saem juntos e vão conversando até chegarem no banco da praça.
- Onde você mora?
- Eu moro na Vila do Paraíso.
- Ouvi falar que é um lugar que faz jus ao nome.
- E não mentiram, é verdade.
- Você saberia me dizer se estão alugando ou vendendo alguma casa por lá?
- Sim, estão sim, é perto da minha casa, por quê?
- Vou ser sincero, meus pais sempre quiseram morar nesse lugar.
- Vou te passar o endereço e o número para contato.

Não demora muito, mais ou menos um mês para que Gabriel e seus pais se mudassem para a Vila do Paraíso perto da casa de Daniela, desse modo, eles sempre iam e voltavam juntos da faculdade.

“Um dia tão lindo, um cupido flechou seu coração, mas a flechada do amor foi tão forte que despedaçou o seu coração e sem respirar Gabriel olhava em volta, as flores coloridas da vila ficaram negras e tudo estava sem vida. Gabriel caiu... Caiu... Caiu... Até cair em sua cama!”. Acordou!
- Ah! Era só um sonho, um pesadelo! – Suspirou aliviado.
Voltou a dormir, dessa vez não sonhou nada.

- É sábado, não acredito! – Falava com muita alegria.
Daniela pulava de alegria, pois nesse dia sua família irá conhecer o seu amigo Gabriel e ela irá conhecer a família dele.
Ela toma o café e sai às pressas, chega na casa de Gabriel e toca a campainha. Uma mulher atende.
- Quem é você, minha jovem?
- Eu sou Daniela, vizinha praticamente e amiga de Gabriel.
- Eu sou a mãe dele, Catarina, vamos entre, Gabriel está no quarto dele.
- Nossa! Esta casa está bem melhor do que a última vez que eu a vi.
Gabriel aparece e abraça Daniela.
- Que bom que você veio, vamos, vou te apresentar para o meu pai, já que minha mãe você já conheceu.
Eles vão até a cozinha onde o pai de Gabriel estava.
- Pai, quero que o senhor conheça minha amiga Daniela, Daniela esse é o meu pai João.
- Muito prazer, finalmente ele trouxe alguém para nós conhecermos sabe, é que ele é muito sozinho.
Daniela balançou a cabeça, mas não entendeu.
- O que meu pai quis dizer, é que eu não tenho irmãos e eles trabalham muito, desse modo eles me deixam sozinho.
- Entendi – Ela sorri.
- Vamos até o meu quarto.
Eles vão e João pensa.
- “Ah... Eu lembro da primeira vez que levei a mãe dele para conhecer o meu quarto, hum... Foi uma loucura”.

- Gostei do seu quarto, bem arrumado. O que é isso?
- É um presente de uma prima distante, na verdade ela pensou que eu era uma menina e quando me conheceu, ela viu que eu era menino, mas eu aceitei o presente sem reclamar, pois, a intenção era boa. Veja como ela gira e quando a música para, ela para também.
Gabriel explicava sobre uma bailarina que dançava sobre uma caixinha de música.
- É a única coisa que eu tenho dela, hoje eu nem sei mais onde ela está.
- Nossa! É lindo. Vamos conhecer a minha família agora; o que foi?
Daniela flagrou uma lágrima caindo no rosto de Gabriel e delicadamente, suavemente, enxugou aquela lágrima com seus dedos.
- Não chore, ela vai aparecer.
Gabriel começa a se desmanchar em lágrimas.
- Eu nunca tive nenhuma amiga, ela era a única, ela teve que ir embora e eu nem sei onde ela foi.
 - Mas seus pais não sabem onde ela está?
Ele olhava para Daniela, os dois se sentam sobre a cama.
- Ela já era independente e nos visitou só para me conhecer, brincamos por muitos dias e depois ela teve que ir embora, mas não disse para onde ia e quando ia voltar. Eu era só um menino...
Daniela abraça Gabriel.
- Calma, eu estou e sempre vou estar ao seu lado, sempre...
Os dois deitam na cama e olham um para o outro, ficam um bom tempo assim até Gabriel decidir que iria para a casa de Daniela para conhecer a família dela.

Ao chegar, a família de Daniela já esperava por eles, pois, Daniela havia avisado que levaria um amigo quando voltasse.
- Boa tarde família, esse moço bonito aqui é o Gabriel, ele é meu amigo. Gabriel, esse aqui é o meu pai, Cássio – Gabriel aperta a mão de Cássio.
- Essa é minha mãe, Maria, também conhecida como dona Mara, a confeiteira, ela tem uma padaria só dela – Gabriel abraça dona Mara.
- E esse pequeno aqui é meu irmão caçula de 16 anos, conhecido como o pequeno poeta.
- E José é o meu nome. E só para constar eu faço músicas, poesias, histórias... Só não sou conhecido.
- Blá-blá-blá... É a mesma coisa de sempre, você acha mesmo que isso vai te dar algum futuro? Você não passa de um sonhador.
- Pense como quiser, mas um dia você vai ver uma história minha fazer sucesso e se tornar um filme e quando esse dia chegar você vai chorar e me pedir perdão!
- Mas nem em sonho! Gabriel, vamos lá pra cima, o meu quarto é tão legal quanto o seu.
Daniela e Gabriel saem e seus pais falam:
- Lembra daquela vez, no quarto...
- Lembro sim, você implorava para eu fazer jogo limpo.
- Credo! Que nojo! – José põe a mão na boca.

No quarto de Daniela...
- O seu quarto é tão limpo quanto o meu.
- Eu tento deixar o meu quarto o mais limpo possível, não quero que ninguém pense que sou preguiçosa.
Os dois se olham, um penetra no olhar do outro e sem querer os dois se aproximam feito imãs, não deu para explicar o que foi aquilo, mas sem a intenção os dois se tocam, Gabriel pega na mão de Daniela e a outra mão vai até a cintura dela, eles dançam uma música lenta. Dançavam... Dançavam... Dançavam mais um pouco. A música para e não pensaram duas vezes, nada poderia estragar aquele momento e juntos fizeram a doce canção ganhar vida em seus lábios. Cantaram umas 3 vezes, até que um dos dois erra a letra e dão risada da situação.

No dia seguinte – Domingo, Daniela e Gabriel vão à praia e navegam de barco sobre as águas calmas desse lindo dia. Gabriel abre um pequeno baú que estava levando e pega uma rosa com carinho e coloca delicadamente nas mãos de Daniela. Ela pegou a rosa e com cuidado desata o nó que prendia uma folha cuja frase escrita era...

Da amizade nasce um amor
Do amor nasce um bebê
O bebê fortalece a família
Não posso viver se não for com você

Casa comigo?

O coração de Daniela batia mais forte.
- Meu Deus! Eu... Não sei nem o que dizer.
- Só diga que sim.
Gabriel olhava para Daniela e ela correspondia olhando-o de volta e por entre olhares correspondidos, um beijo sem intensão os dois eram atraídos fortemente. Os pássaros e gaivotas que cantavam cessaram, de repente o mundo parou só para eles dois e o silêncio restou para que os dois ouvissem as batidas de seus corações. Os lábios se tocam e o sangue queima em suas veias, uma energia os domina, o coração fica cego, surdo e mudo, só faz tum tum em alta velocidade e é inevitável querer fugir do poder da paixão, eles se entregam sobre a ilusão de um beijo ardente e doce como um favo de mel. Era tudo tão lindo, tudo tão mágico, foi tão triste quando acabou.
- Não acredito, você é o meu primeiro e quero que seja o último.
- Você também é a minha primeira.
- Você nunca ficou com outra garota?
- Não! As outras me achavam estranho, não gostavam do meu jeito e quando te conheci, percebi que era a pessoa certa.
- É incrível, também me apaixonei por você desde quando te conheci. E aceito ser sua mulher para o resto da vida.
 - Quando você disse que seu irmão era poeta, pensei em fazer uma declaração de amor com uma rosa e uma poesia, seu vizinho me deu a rosa e cortou os espinhos e a poesia, bom, fiz o melhor que pude.
- Eu amei.
Os dois ficam abraçados naquele barco até o fim da tarde de domingo. Não demorou muito para que as duas famílias soubessem dessa maravilhosa novidade, ambos receberam a bênção de seus pais e todos ficaram felizes agora que Daniela e Gabriel eram noivos.

O dia do casamento estava marcado para 29 de janeiro, era no dia do aniversário de Daniela. Esse dia foi escolhido porque eles estarão de férias e comemorarão em dobro. Depois da surpresa a rotina deles era ir à faculdade como normalmente faziam e quando voltavam iam cada um em sua casa para tomar banho e se encontravam às escondidas em um beco da vila. Os beijos escondidos alimentavam aquele amor ardente, jovem e cheio de vida. Numa noite depois da faculdade, os dois pombinhos ficaram sentados num banco ao lado de um lago, contemplando as estrelas e ouvindo o coaxar dos sapos na ilustre presença dos vagalumes que iluminavam a noite do casal.

- Daniela, eu quero que seus olhos sejam meu espelho.
- Não entendi.
- Seus olhos... Quando eu olhar em teus olhos quero me ver dentro deles como se estivesse me olhando em um espelho.
- Você está ficando bom nisso, está aprendendo com meu irmão né?
- Uma coisa incrível em seu irmão é que ele faz as pessoas em sua volta ficarem mais poéticas e isso é bom, mas tudo que eu digo para você é sincero e vem do coração, e meu coração não pode ficar sem o seu.
Daniela não conseguia responder à altura, então ela beija Gabriel com todo seu amor. Ambos sabiam que um beijo podia dizer mais do que palavras. Nessa mesma noite, Daniela foi dormir na casa de Gabriel e no quarto dele o clima esquentava, não paravam de se beijar e ambos quase perdiam o controle.
- Espera! Para, eu não posso continuar, não vou conseguir resistir, Gabriel.
- Calma! Eu tenho o controle da situação, ou quase... Não vai passar desse ponto, eu só quero ver você ficando arrepiada.
- Já fiquei, mais um pouco e pegava fogo.
- As férias estão chegando, o casamento também, nós podemos esperar mais um pouco.
- Estou ansiosa para o casamento, a lua de mel, a noite de núpcias, hum... – Ela mordia o lábio inferior, só para ver Gabriel maluquinho.
- Vai ser tudo perfeito.
Os dois se beijavam...

Era loucura saber que tinham um ao outro e não poderiam passar dos limites, tinham a fazenda, mas não podiam pular a cerca, mas eles queriam ir além, queriam se entregar, decidiram esperar o momento perfeito do casamento para se entregarem sobre a lua de mel. Eles pensaram em viajar à Paris só para curtirem a lua de mel com uma bela vista para a Torre Eiffel num estilo bem românico.

- Eu sou de peixes
  Você é de aquário
  Seu corpo é um santuário
  Quero navegar em ti

- Só depois do casamento.
Os dois sorriam um para o outro, mas a frase que Gabriel disse, refletia no que os dois queriam. Daniela e Gabriel dormem em quartos separados como sinal de respeito mútuo. Eles só dormirão juntos quando estiverem casados.

No dia seguinte, Daniela foi para casa dela se arrumar, pois nesse dia irá ter um evento na faculdade, mas infelizmente Gabriel não iria.
- Cheguei, mãe posso te pedir uma coisa?
- O que você quiser, minha filha.
- As férias estão para chegar e o dia do meu casamento está chegando. Eu pensei que, como a senhora é a confeiteira da Vila Paraíso...
- Ah não, você não...
- Sim, queria que a senhora fizesse o bolo do meu casamento, o que acha?
Dona Mara começa a chorar de felicidade.
- Você não sabe o quanto isso significa para mim – Ela abraça a filha - Minha menina cresceu e vai se casar.
Daniela enxuga as lágrimas da mãe.
- Guarde suas lágrimas para o dia do casamento, pois nesse dia a emoção será mais forte. A senhora ficará ocupada preparando o bolo, então não chore agora, vou me arrumar e ir para à faculdade.
Dona Mara abraça sua filha e vai para cozinha fazer suas anotações, ela sai dizendo: - Minha filha vai casar.

Daniela se arruma e sai com Gabriel para à faculdade e ao chegarem o ônibus já esperava os alunos e ela se despede. Gabriel beija Daniela pegando em sua mão, eles se olham e vão se afastando aos poucos até os dedos entrelaçados se soltarem lentamente, o coração aperta o peito e ela derrama lágrimas, ele também sente que vai chorar e se afasta, ela entra dento do ônibus e fica olhando Gabriel pela janela, ele acena para ela e o ônibus segue seu rumo, ela olha-o até perde-lo de vista. O ônibus os levaria para um teatro e Daniela estava ansiosa para assistir à peça. A peça cujo nome é esquecido contava a história de dois jovens que lutam contra a morte para serem felizes juntos, mas a morte leva o amado e a amada fica chorando esperando a morte buscá-la para ela reencontrar seu amado. Ao acabar a peça, Daniela emocionada não parava de chorar e sentia uma forte vontade em estar do lado de Gabriel e abraça-lo, beijá-lo. Gabriel sentia o mesmo. Era impossível um existir sem o outro e nada podia superar a felicidade de estarem juntos.

Na escola, José fazia uma declaração de amor para uma garota por quem era apaixonado. Finalmente ele tomou coragem para revelar seus sentimentos por ela. Ela estava sozinha, ele foi até ela com uma carta e uma rosa e entregou a carta que dizia assim:

O amor é a corrente que te prende para viver, ele te prende por segurança para que o ódio não habite no coração. O amor se prende em você para que sinta o doce sabor de seu aroma. O amor se prende em você para que nunca conheças o amargo sabor do ódio e acabe por ferir quem se ama com palavras amargas, mas infelizmente, muitas vezes, isso pode acontecer se o amor ficar oculto. Mas com a compreensão e o perdão, percebemos que o amor volta para colar o laço que o ódio tentou quebrar.

Eu não sou tão bom em prosa
Como sou em poesia
Mas te dou essa rosa
Como prova do meu amor
                 
José entrega a rosa para Raiane, ela gostou da declaração, mas devolveu a carta e a rosa.
- Eu gostei de sua declaração, mas infelizmente, eu não gosto de você, me desculpa.
Raiane vai embora e deixa José perdido em pensamentos.
- “Por que?! Eu demorei tanto tempo para me declarar e quando me declaro, sou rejeitado! Como eu posso viver sabendo que a deusa das minhas inspirações não me quer”?

Quando Daniela chegou em casa, ela subiu as escadas e entrou no quarto de José, ele estava chorando. Daniela olhou para a mesinha e viu uma carta e uma rosa, pegou a carta e leu, entendeu o porquê da rosa e deduziu que a declaração não deu certo. Ela abraça o irmão para consolá-lo. José chorava muito e dizia:
- O que eu faço? Eu a amo tanto e não posso ter o amor dela.
- O amor é algo complicado, é coisa da vida, às vezes acontece de você se apaixonar por uma pessoa que não sente o mesmo por você, mas às vezes acontece o oposto e você se pergunta o porquê daquela pessoa gostar tanto de você, se não sente o mesmo por ela. Porém, um dia, não se sabe como e nem por que, as duas almas se encontram e o cupido mira nos corações de duas pessoas e nesse momento, ambos se apaixonam um pelo outro e decidem que juntos serão um só.
De repente, um silêncio... E Daniela volta a falar...
- Não se preocupe, se não for para ser com ela, vai ser com outra, deve ser o destino eu acho.
- Mas eu não consigo deixar de amar a Raiane, esse amor é muito forte.
- Mas o amor é assim mesmo, eu sei que você nunca vai deixar de amá-la, pois o amor é eterno, mas um dia vai aparecer uma grande mulher em sua vida que vai te amar e te fazer muito feliz. Pena que a Raiane não pode fazer isso por você, ela é uma ótima garota, mas nós temos que aprender a respeitar o sentimento alheio.
- Obrigado pelo conselho, irmã, você é muito legal comigo.
- É por isso que sou sua irmã. Olha pra mim, eu já rejeitei muitos garotos e muitos garotos já me rejeitaram, até que eu conheci o Gabriel, meu primeiro namorado, meu primeiro beijo, meu grande amor. Um dia sua hora chega, você vai ver.
Depois da longa conversa com seu irmão, Daniela foi dormir.

Os dias passam e as férias chegam, Daniela e Gabriel contavam os dias para o casamento e o momento da lua de mel quando se tornarão eternos apaixonados.
- Imagina só, quando estivermos em nossa casa, as crianças correndo pela sala, é um sonho.
- Um sonho que vai se realizar, quantos filhos você quer ter?
- Três
- Ah, mas eu quero ter quatro filhos, dois meninos e duas meninas, então como vamos resolver isso?
- Com você eu posso ter cinco, seis... Quantos você quiser.
- Nós vamos ser muito felizes, Daniela, eu vou fazer de você a mulher mais feliz de todas.
- Ao seu lado eu já sou feliz.
Os dois se beijam.
- Temos que voltar, já está escurecendo, amanhã é o grande dia, então precisamos descansar bastante.
- Bons sonhos, meu amor.
- Durma com os anjos, minha vida.
Eles voltam cada um para sua casa e vão dormir.

“Quatro ovelhas estão na fazenda, as quatro são tosquiadas”.
“O sol ilumina a terra, mas o vulto da lua escurece tudo”.

Quando acordaram, não acreditavam que tinha chegado o grande dia, os preparativos, tudo pronto e perfeito como tinha de ser.
Daniela estava comemorando o aniversário de número 21, Gabriel tinha 22, caminhando para 23 anos. Eles tinham muito tempo para viverem juntos. Daniela estava deslumbrante em seu maravilhoso vestido de noiva e Gabriel era um tremendo galã naquele smoking.
O sítio da vila os aguardava para esse lindo momento, eles queriam se casar ao ar livre, sobre o cantar dos pássaros e brisas suaves.
- Mãe, pai, vão na frente que eu já vou logo, tudo bem?
- Tudo bem, meu filho, mas não demore, pois, quem se atrasa é a mulher – João disse brincando, dando um tapinha no ombro do filho.
- Onde ele está? – Daniela estava ansiosa.
- Ele já vem, não se preocupe – Avisa Catarina.
O padre com a Bíblia na mão, não via a hora de começar a celebração matrimonial.
- Que lindo bolo, quem fez? – Pergunta Catarina.
- Foi minha mãe, ela é confeiteira.
- Mas é bom saber. – Ambas dão risada.
- Olá, quem é você?
- Meu nome é Sara, sou a prima de Gabriel. – As duas se abraçam.
- Parabéns, você é uma mulher de sorte.
- Obrigada, mas Gabriel não sabe que você está aqui, sabe?
- Não, é uma surpresa. – Diz Catarina.
- Ele vai ficar tão feliz – Daniela suspira.
As crianças brincavam e pensavam na hora de comer o bolo.

Gabriel se preparou para sair, abriu a porta, voltou, pegou um papel que estava na mesa, colocou no bolso e saiu.
José que já estava no sítio, tocava piano, uma melodia muito triste, ele só sabia aquela melodia.
Gabriel andava sorridente, feliz da vida até que olhou para o lado e... Caiu... Todos olhavam em volta, o chão coberto de sangue, ninguém viu a placa do carro, todos só olhavam para o sangue. Aquelas pessoas que olhavam estavam indo ao casamento e quando reconheceram Gabriel, chamaram urgentemente uma ambulância.

Daniela não aguentava mais esperar.
- O que aconteceu? Será que ele desistiu? – Daniela estava aflita.
Uma garota vai falar com Daniela e de repente José para de tocar o piano e um silêncio total reinou para se ouvir apenas Daniela se derramando em lágrimas. As crianças que sorriam, agora faziam cara de tristeza, o bolo já não parecia mais apetitoso.
Um extremo calafrio se apoderou do corpo de Daniela, ela corre para casa e rasga o lindo vestido de noiva que já não parecia tão lindo assim.
As pessoas da vila seguiam o padre até a igreja e juntos em coros e em choros se puseram a rezar.
Os pais e a prima de Gabriel já estavam no hospital, mas o médico disse que era tarde demais, ele perdeu muito sangue, não dava para fazer mais nada a não ser orar pela alma de Gabriel.
O mundo já parecia triste pela perda de Gabriel, pois choveu o resto da tarde. Ninguém acreditava! Ninguém acreditava que no dia do casamento ele morreria, o que era para ser o dia mais feliz foi o dia mais triste. E como esquecer! Como esquecer se era no dia do próprio aniversário dela, como um presente o casamento, ela só não imaginava que a morte o levaria. O bolo? Não se sabe o que aconteceu, se alguém comeu ou jogou fora, simplesmente desapareceu.

Dias depois o corpo de Gabriel foi liberado para o enterro. Não se pode nem imaginar como todos choravam, principalmente os pais, a prima e Daniela. O caixão estava aberto, Gabriel parecia estar em paz, todos se despediram, Daniela foi a última, ela pegou da mão dele a aliança quebrada que estava gravada “I Love You”, e em seu dedo colocou a aliança que ela estava usando e chorando muito ela disse:
- Esta aliança como prova do meu amor é meu coração que coloco em tuas mãos.
Dando o último beijo em seus lábios ela diz adeus, o que lhe cortara o coração que já chorava lágrimas de sangue por não ter mais o seu amado. Se ouve um assovio. As pessoas estremecem.
- É você?
- Não!
- Quem foi?
- Não é possível!
- Será que ele...

Daniela se abaixa e pega um filhote de pássaro que estava no gramado e coloca-o em seu ninho. Amargurados, tinham esperança de que ele acordasse, mas era um assovio de um filhote de passarinho. O velho que cultivava rosas, colocou uma rosa sem espinhos na mão de Gabriel. Fecharam o caixão e o padre continuou com a cerimônia fúnebre, abre a Bíblia e lê os Salmos 23 e 90 – “O Senhor é meu pastor, nada me faltará, em verdes prados me faz repousar...” – Gabriel era mais do que um ser humano, mais do que um homem, agora mais do que nunca ele é filho de Deus e está ao lado do Senhor sobre as asas dos anjos que o protegem. Orando por nós e desejando a paz, a felicidade e o amor para todos nós.
Quando o padre terminou de falar, Daniela pegou uma folha, nessa folha estava escrito os seus votos de casamento. Mesmo chorando, sem titubear, ela começou a falar:
- Esses são meus votos: Mais do que votos é o que eu sinto por você, e nesse sentimento estão minhas promessas. Eu prometo de coração ser fiel e amá-lo com respeito, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza até que a morte nos separe...
Nessa hora, ela não aguentava de tanto chorar e sentou-se, mas continuou a falar.
- Quando olhei em teus olhos pela primeira vez, eu tive a sensação de o mundo ter parado e naquele momento só existia nós dois, eu estava apaixonada, mas não falei nada, pois pensei que você só queria amizade. Quando você se declarou pra mim, meu coração bateu mais forte e naquele momento eu era a pessoa mais feliz do mundo. Eu bato no peito e digo: Preciso de você para me amar, não quero outra pessoa, preciso do seu amor, preciso do seu olhar. Todos se emocionavam, mas agora José que estava com os votos de Gabriel, cujo papel foi encontrado no bolso dele, iria lê-lo em seu lugar.
- Esses são meus votos: Quando te conheci, você foi uma pessoa amiga, acolhedora e não me achava estranho. Você olhava pra mim com aquele lindo sorriso e eu me apaixonava. Foi tudo tão rápido, nosso namoro, nosso noivado... – José não conseguia segurar as lágrimas. – Os olhares correspondidos desde o primeiro olhar, os beijos escondidos desde o primeiro beijo, era como um sentimento louco que crescia em noites noturnas, mas finalmente o tempo marcado que é o nosso casamento, a lua de mel em Paris, é um sonho que conto os dias para se realizar. Quando eu te conheci, eu sabia que você seria a mãe dos meus filhos, a mulher da minha vida e que juntos constituiríamos uma linda família. É por isso que prometo... Prometo te amar, cuidar e respeitar sendo fiel e sempre ao seu lado estar na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza até que a morte nos separe. E mesmo depois da morte ainda continuarei a te amar.
Quando José para de falar, não só ele, mas todos choravam e Daniela derramava tempestades de lágrimas ao ouvir a última frase. Foi um enterro difícil, quem diria que uma pessoa tão querida na vila iria partir dessa forma, tão jovem e logo no dia do próprio casamento!
José entregou o papel dos votos de Gabriel para Daniela e disse: - Nunca mais eu quero me apaixonar.
Enterraram Gabriel e o padre fez a oração final.

Daniela ia mandar flores amiúde sobre a lápide de Gabriel e ao chorar fazia suas orações pela alma dele. Ela sempre sonhava com Gabriel, mas em outras noites ela tinha pesadelos, ela não conseguiu viver com outro, pois era impossível para ela se não fosse com Gabriel.
Um dia Daniela chorou e pediu perdão ao seu irmão por ter caçoado dele sobre ele ser “o pequeno poeta”, pois ele irá fazer parte da construção de um filme. José disse a ela que sonhou com esse momento e tentava consolar a irmã.

Esta história está prestes a se tornar um filme, pois um amor como esse, deve ser lembrado. Chamaram o pequeno poeta, José, para ser o roteirista porque ele sabia da vida de Daniela e Gabriel mais detalhadamente, pois sua irmã contava tudo a ele. As pessoas da Vila Paraíso só falavam naqueles dois jovens apaixonados e o mundo inteiro quis saber dessa linda e triste história de amor...
Lucas José
Enviado por Lucas José em 16/07/2019
Código do texto: T6697410
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Sobre o autor
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Lucas José