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AVENTURAS DE CRIANÇA - UMA VIAGEM INESQUECÍVEL !!!

Galera, o mês era dezembro de 1953. O nome do navio era Claude Bernard. Eu e minha mãe, pegamos o combóio, (trem), na cidade do Porto. Viajávamos rumo a Lisboa. Eu tinha 5 anos e 10 meses. Ela, uma bela jovem de 30 anos. O nosso destino era o Brasil. (Pra encontrarmo-nos com o meu pai, que já estava aqui desde 1952). Quando chegamos à Capital Portuguesa, o navio já estava atracado. Inerte, nos esperando ... Os passageiros iam entrando um a um. O porto estava lotado de gente. Os homens, de terno e chapéu. As mulheres, bem arrumadas, exibiam vestidos de luxo. Aguardavam a partida do barco. Nós subimos a rampa do navio. Minha mãe me segurava pela mão. Eu usava calça curta (com suspensórios), camisa branca e sapatos pretos. Minha mãe, usava vestido de seda, sapatos pretos e um lindo cordão de ouro. - Nos posicionamos no convés da embarcação, junto aos outros passageiros. - Em certo momento, o "vapor", comecou a apitar ... "fooommm !!! fooommm !!! fooommm !!!" - (Ainda hoje, ouço o som do apito daquele navio). - De repente, os amigos e parentes, que aguardavam no cais, pegam seus lencos brancos, e acenam em direção ao barco. Por seu turno, os passageiros, também acenam com seus lenços para as pessoas do cais. - A cena foi muito linda !!! ... Uns riam e outros choravam. Alguns gritavam o nome das pessoas queridas. Em seguida, o navio começou a se afastar do porto, apitando insistentemente ... "fooommm !!! fooommm !!! fooommm !!!" ... Depois dessa festa, nos alojamos na embarcação. - Compartilhamos a cabine, com uma senhora bem idosa. Ela dormia no beliche, abaixo de mim. Certo dia, quase matei a velha afogada. - É que acidentalmente, derramei uma grande caneca d'água, sobre a cara da anciã. Ela estava com a boca aberta. O líquido, entrou goela a dentro da pobre velhinha, que começou a tossir. E a cada tossida, ela expelia água como um velho chafariz. Foi um deus nos acuda !!! - A velha, se levantou com os olhos arregalados. Botou as mãos no pescoço, e com a voz rouca, falou pra mim ... Aí Jesus !!! Tu queres me matar ó menino !!! - Depois disso, parei de levar água pra cama. - Lembro-me que o navio era muito grande. - Tinha um belo restaurante; piscina; cinema; boate; cassino e área de jogos. - Nos primeiros 3 dias, eu e minha mãe, só botávamos pra fora. Vomitávamos muito. Nos dias seguintes, só botávamos pra dentro. Minha mãe trocava o nosso vinho por frutas. Foi uma beleza. A viagem durou 11 dias. Arrumei um amiguinho espanhol. Pablito. A mãe dele ficou amiga da minha mãe. Nos divertimos bastante. O primeiro filme da minha vida, assisti naquele navio. Foi Tarzan. Achava engraçado, ele com aquela tanguinha, dando aqueles gritinhos frenéticos, com a macaca Chita, pendurada no pescoço ... "Ooooooh ... Ooooooh ... Ooooooh ..." Parecia uma bichona !!! Kkk kkk - Certo dia, a minha mãe entrou em pânico. Eu havia sumido. Ela pensou que eu tinha caído no mar. Chorou muito !!! Foi um rebuliço danado. Todo mundo me procurando. Pablito e sua mãe, choravam inconsoláveis. Depois de muito tempo, foram me achar dormindo no cinema. O filme me deu sono. - De outra vez, joguei as peças de um jogo feito de madeira, no mar. Ninguém viu. Ainda bem !!! Pra completar a traquinagem, soltei a trava da âncora do navio. Foi uma correria geral. Os marinheiros correram pra resolver o problema. Levei uma bronca danada !!! - Lembro-me do Teatro de Fantoches. Os bonecos brigavam entre si. De repente, um matraquilho pegou uma vara e acertou a cabeça do outro. Eu e o Pablito riamos muito. Pra nós, tudo era novidade. - Certo dia, quando passávamos pela linha do Equador, levei um grande susto. Uma turma, se fantasiou de guerreiros Vikings. Usavam espadas e capacetes com chifres. Fizeram uma encenação, como se tomassem o navio. Me borrei de medo. Naquela época, eu ainda não era o Grd. Búfalo. - Quando chegamos ao Rio de Janeiro, levei um susto maior. - De repente, apareceram uns crioulos. Daqueles bem negros. Da cor de asfalto. Que só tinham de branco, os dentes, e o branco dos olhos. Eles carregavam sacos enormes na cabeça. - Aí perguntei pra minha mãe ... "Mãe o que é aquilo ???!!! - Ela disse ... "São os africanos !!!" E perguntei de novo ... "Isso é gente ???!!! - E ela falou ... "Sim é gente !!!" ... Eu fiquei muito desconfiado. Fui até um daqueles negões e passei o dedo no braço dele. Pra ver se aquilo era tinta. Vi que não era. - E foi assim, que conheci o primeiro negro da minha vida. Em nossa região em Portugal, não vivem negros. São mais em Lisboa. - Quando o navio atracou no cais, a cena dos lenços e do apito do navio se repetiu. E encontramos o meu pai, no meio daquela multidão. Ele nos abraçou e disse ... "Sejam bem-vindos ao Brasil !!!" E aqui estou até hoje. Casado com a Peq Notável. Graças a Deus !!!
CONTINUAÇÃO ...
Certo dia, a minha mãe entrou em pânico. Eu havia sumido. Ela pensou que eu tinha caído no mar. Chorou muito !!! Foi um rebuliço danado. Todo mundo me procurando. Pablito e sua mãe, choravam inconsoláveis. Depois de muito tempo, foram me achar dormindo no cinema. O filme me deu sono.
Lembro-me do Teatro de Fantoches. Os bonecos brigavam entre si. De repente, um matraquilho pegou uma vara e acertou a cabeça do outro. Eu e o Pablito riamos muito. Pra nós, tudo era novidade.
Obs: O Navio Claude Bernard, levou esse nome, em homenagem ao médico e fisiologista francês. Ele é considerado "um dos maiores homens de ciência de todos os tempos". É conhecido fundamentalmente pela criação da medicina experimental/baseada em evidências.
Aurélio Enes Patrão
Enviado por Aurélio Enes Patrão em 13/10/2017
Código do texto: T6141578
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Sobre o autor
Aurélio Enes Patrão
Brasília - Distrito Federal - Brasil
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(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 10/05/21 19:40)
Aurélio Enes Patrão