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O Diário Perdido do Capitão J. Cook

O desconhecido, para alguns, representa o medo; para outros, a fascinação de novas descobertas com suas maravilhas e quem se aventura a ir onde nenhum homem jamais esteve se torna um afortunado, não por ser o primeiro, mas por se destacar do resto da humanidade.

Diário de Bordo
08 de abril de 1772
Início da navegação

Estamos na Terra do fogo, na Baia profunda muito conhecida por Ushuaia e damos início aos preparativos para embarcar na nau de reconhecimento e pesquisa, o HMS Desbravador. Meu imediato me garantiu que os marujos são experientes e a nossa tripulação está com 118 marujos, 20 voluntários cientistas que navegam na primeira viagem e um astrônomo Williams Wales para fazer o mapeamento estrelar da rota do Círculo Polar Antártico, como também, explorar os mares em busca da terra desconhecida do Sul. Contudo, estamos levando provisões para dois anos.

- Capitão Cook, estamos prontos para zarpar. Afirmou meu imediato.

Icem as velas! Levantem âncoras! Ordenei expressando autoridade.

Nesse momento, olho o horizonte e contemplo o seu esplendor com o céu límpido e semiescuro que se estende até os limites do horizonte, se erguendo ao céu luzes  laranjadas que se espalham em um leque vivo de cor intensa que se desvanecem a medida que o sol começa a apontar na vasta imensidão do oceano.

De repente, sobem ao tombadilho, meu imediato e o senhor Wales:

- Capitão, tudo está em perfeita ordem. Velhas erguidas, a agulha aponta a direção certa e os cabos grossos, cabos finos, cabos fixos e cabos de laborar estão devidamente bem amarrados. Os marujos estão solicitando refeição. Comunicou o imediato.
 
- Certamente, ordene ao chefe de cozinha que apronte a refeição. Descerei imediatamente. Solicitei em tom calmo.

- Sim, senhor, Capitão. Exclamou o imediato, dispensando-se.

- Capitão, este é um belo dia para se velejar, mas estamos apenas no início, temos que ser cautelosos. Os mares do Sul são frios e traiçoeiros, muitos já se aventuraram e poucos voltaram. Não podemos contar apenas com a sorte, alguns marujos que, aqui estão, já estiveram lá, eles sabem a rota e vamos escutá-los. Falou o Sr. Wales com bastante convicção.

- Estou ciente disso, Sr. Wales. Logo após a refeição, vamos nos reunir com eles para tratamos dos detalhes marítimos da rota.  Afirmei, expressando concordância.


Diário de Bordo
01 de junho de 1772

 Estamos nos aproximando da latitude 63º e o mar ainda permanece calmo e, ao amanhecer, formos surpreendidos com um grande número de peixes voadores que seguiam uma correnteza para o leste, fiquei admirando, olhando da janela da cabine, pareciam peixes de prata polida e vimos também tubarões que possivelmente seguiam aqueles cardumes. Assim, se sucedeu até o entardecer,  e ao anoitecer, quando o astrônomo, Sr. Wales pôde catalogar a posição das estrelas polares antárticas e calculou que a Lua cheia no inverno polar permanece acima do horizonte mais da metade do tempo e alcança alturas maiores que em outras estações, como verificou também, que  durante períodos crepusculares a Lua algumas vezes está acima do horizonte e planetas brilhantes, notadamente Vênus e Júpiter, também podem estar visíveis e, dois dias após, fomos surpreendidos pelo o dia que não anoiteceu -  vimos o sol da meia noite:

Contemplamos o Sol que oscilava sobre a vastidão do oceano e os nossos olhos eram capazes de acompanha-lo lentamente, subindo e descendo majestoso, formando uma ponte d'ouro que cintilava pela água entre nós e ele, quando quase tocava a linha do horizonte.

Estamos eu e o Sr. Wales no tombadilho, discutindo a posição aparente do Sol nas regiões de latitudes altas:

- Sr. Wales, ao que me parece as diferenças da posição significativa do Sol apontadas para latitudes polares muito altas são diferentes para latitudes tropicais e intertropicais.  Afirmei quase expressando uma pergunta.

- Exatamente, Capitão Cook, para latitudes próximas no círculo polar, o Sol permanece acima do horizonte, sem se pôr, durante parte do verão. Mas isso, não é um fenômeno exclusivo do Sul, é visto ao Norte, próximo as regiões polares, e também, o mesmo ocorre em latitude a quarenta e uma milhas ao sul do círculo ártico. na mesma latitude que a parte mais setentrional da Islândia. Explicou Sr. Wales em tom eloquente.

- Diga-me, Sr. Wales, como é possível haver o fenômeno do sol da meia noite em região tão remotas dos polos? Perguntei, expressando dúvida.

- Não tenho respostas, Capitão Cook. Há muitas coisas que ainda não foram, de fato, compreendidas e outras são mal interpretadas e aceitas como verdadeiras. Expressou o Sr. Wales enaltecendo a voz.

- Então, Sr. Wales, o modelo de Copérnico, que sugere ser perfeito, tão utilizado pelo os cientistas e estudado pelo os matemáticos apresenta falhas? Perguntei expressando descontentamento.

 - O modelo copernicano apresenta falhas, porque prevê que o fenômeno do sol da meia noite só poderia ser observado nos únicos lugares possíveis nos polos a 89º de latitude e acima disso seria impedido pela a curvatura da terra. Afirmou o Sr. Wales.


- Certamente que sim, Sr.  Wales. Sendo um modelo fiel a realidade não deveria apresentar discrepância, não é mesmo? Complementei o Sr. Wales com uma pergunta.

 - É obvio que não, Capitão Cook.  Este modelo apresenta muitas discrepâncias, porém ele só é aceito ainda, não por ser bom, mas por falta de um legítimo.  Por isso, muitos que apontam as falhas são calados como o mestre Biot que certa vez afirmou que o diâmetro do sol excede o da Terra em 112 vezes e fazendo uma comparação em escala nessa proporção do sol e a lua a uma distância de  93 milhões de milhas, podemos concluir que o sol e a terra em relação a  extensão de luz é como se estivesse focalizando num ‘grão de areia’ giratório, portanto, Capitão Cook, nesse modelo, deveria estar ocorrendo a mesma estação por todo o globo. Assim, a inclinação da terra e as milhas que separam Londres da Cidade do Cabo deveriam ser insignificantes. Afirmou o Sr. Wales.

Diário de Bordo
01 de julho de 1772


Estamos na latitude 66º, Nesse ponto, não há rotas  comerciais e nehum majuro havia antes cruzado esta latitude. De  repente, um ciclone surge em nossa rota, tornando a travessia por demais complicada, atingimos de forma errada uma onda de 10 metros de altura com ventos 150 nós, fazendo o navio inclinar 30º graus para direita e 20º para esquerda, o balanço foi sentido pela tripulação, perdemos dois marujos, ficamos lutando com essas ondas terríveis até o entardecer e a noite completamente exaustos, os marujos se renderam ao cansaço.

Diário de Bordo
02 de julho de 1772

Ao amanhecer, nos deparamos com um intenso nevoeiro denso que quase nos fez desviar perigosamente da rota, mas ao cabo de duas horas, alcançamos a costa. Por fim, nos deparamos com o que de início, imaginávamos se tratar de um penhasco perpendicular que se estendia do nível do mar cerca de 200 pés de altura e perfeitamente plano no topo. Gradualmente, conforme o nevoeiro se dissipava, víamos se estender tanto para esquerda quanto para direita até a sua extensão se perder de vista de ambos os lados.

Convoquei uma reunião imediatamente para discutirmos a situação e o conselho aceitou a decisão dos cientistas e do astrônomo em continuar:

- Capitão Cook e demais membros presentes. É de extrema importância continuarmos com essa viagem, pois nos deparamos em um território inexplorados e desconhecido completamente pelo o resto da humanidade. Afirmou o Sr. Wales eloquentemente.

- Sem dúvida alguma, o Sr. Wales tem toda razão, imaginem as novas descobertas de riquezas que podemos encontrar no solo desse novo território, então prossigamos com a viagem em nome do resto da humanidade e do futuro. Afirmou um dos cientistas convicto.

Diário de Bordo
12 de dezembro de 1772

Desde o nosso primeiro encontro com essa enorme parede glacial, navegamos um total de 60.000 milhas ao longo da costa e jamais encontramos uma abertura ou quaisquer fissuras ou promontórios em sua face que nos permitisse adentrar.

- Sr. Wales, isso tudo é tão pertubador que está me fazendo sentir que estamos navegando em um círculo fechado que nos mantem apricionados, onde a única liberdade é a consciência. Exclamei analtecendo a voz.

- A minha opinião, Capitão Cook, é de que esse gelo se estenda muito mais além do alcance de nossas vistas, desde seu ponto extremo ocidental até o ponto do seu extremo oriental, circundando e mantendo juntas as terras continentais para as quais tenham sidos fixadas desde a criação. Afirmou o Sr. Wales fitando a muralha de gelo.



                                         Fim




Obs.:Trata-se de uma obra meramente ficcional baseada em pesquisas avulsas retirados da internet.
Carlos P Farias
Enviado por Carlos P Farias em 15/06/2018
Reeditado em 22/03/2021
Código do texto: T6365497
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Carlos P Farias
Sapé - Paraíba - Brasil, 34 anos
25 textos (4141 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 26/07/21 10:05)
Carlos P Farias