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Herdeiro (Parte 2)

Elenco:
Daniel Camargo (Drummond) / Regina Peres
Zélia Drummond / Caleb Rodrigues
Leonardo Drummond / Cecília Pacheco
Marcos Pontes / Pedro Spratte

[Havia sangue por todo o cômodo e tudo estava quebrado. Daniel estava caído ao chão sem forças alguma para se levantar, estava ferido no ombro esquerdo e na bacia direita. Estava acabado, destruído e tudo mais que pudesse lembrar. Em meio as chamas que tá se alastravam por toda parte, ele viu Caleb se levantar e aproximar. O homem estava completamente destroçado e parecia só estar de pé justo a magia das trevas.]

     Mas leia antes o que aconteceu para chegarem até essa cena:

     Depois da conversa reveladora que teve com sua mãe, Daniel mais do que nunca pensava em tirar eles dois daquele inferno chique. Só que não conseguia pensar num plano até que lembrou de um nome:

Daniel: Yolanda! - disse repentinamente.
Regina: O que? - exclamou do outro cômodo.
Daniel: Yolanda não é a filha da Zélia? - disse se levantando e indo ao encontro da mãe.
Regina: É mas...o que tem, filho?
Daniel: Ela vem raramente e nós nunca podemos sair, parece que não desconfia do que a velha faz.
Regina: Ela só pensa que a mãe é uma velhota rica e que somos jardineiros. O que espera disso?
Daniel: E se eu encontrá-la na internet? E se eu conseguir fazer contato com ela?
Regina: Seria muito perigoso! Ela iria contar para todos e Caleb ia nos fuzilar contra a parede.
Daniel: Não contar pela internet, trazê-la até aqui. Ameaçamos de contar a velha de contar tudo e irmos embora junto com a Yolanda.
Regina: Não parece um bom plano, filho... - seu rosto se esvaziou de expressão.
Daniel: E não temos nenhum outro...não podemos nem contar com o meu pai - disse repousando suas mãos nas mãos de sua mãe.

     Ali viu uma lágrima escorrer pelo rosto da mulher.

Regina: Desculpa se eu deixei ele por os dedos em você, meu bem. - disse com todo arrependimento do mundo.
Daniel: Nem tenho o que ser perdoada, mãe. Não foi culpa sua. - disse com tom suave.
Regina: Eu sei mas é que...eu deveria tentar impedir, ser mais forte e-
Daniel: Ser violentada por todos eles como o Caleb jurou? Ainda assim prefiro apanhar.

     Pela segunda vez se abraçaram e pela primeira vez parecia nascer um fio de esperança de uma mudança positiva na vida dos dois.

Daniel: Vamos sair aqui, mãe! - exclamou esperançoso.
Regina: Vamos sim!

//

     No dia seguinte, Daniel estava no colégio, como sempre se sentava, a frente de Marcos, atrás de Pedro e Cecília ao seu lado direito. Depois que o professor explicou a matéria e passou exercícios, ele poderia tirar duvida com seus leais amigos:

Daniel: Algum de vocês sabem como chegar até alguém na net?
Pedro: Funciona bem simples, liga o pc primeiro.
Daniel: Não assim, preciso de uma ferramenta específica.
Cecília: Mais específica que o facebook? - e riu para os garotos.
Marcos: Ele não deve conhecer tinder pelo visto. - e eles riram.
Daniel: Parem, preciso encontrar uma pessoa específica mesmo mas acho que vai ser complicado.
Cecília: Alguém? Por que? - num tom de ciúmes.
Daniel: Não posso contar e vocês vão precisar confiar em mim.
Marcos: E quando não confiamos? - todos acenaram com ele.
Pedro: É algo relacionado a marca vermelha no seu antebraço? Que eu saiba não existe boca praquele tamanho de chupão. - o garoto pela primeira vez foi fundo ao mistério de Daniel.
Daniel: Tem sim e preciso muito que me ajudem.
Cecília: Quais as características da pessoa? É o seu pai?
Daniel: Não, por que o meu pai?
Marcos: Achamos que - ele interrompe um clima que se cria - você tem um padrasto que bebe e bate em você e na sua mãe.
Daniel: O que? - todos estão tenso e já falando baixo - Não, não é isso - a expressão de todos melhora um pouco. - Preciso que procurem Y-o-l-a-n-d-a D-r-u-m-m-o-n-d.
Cecília: A desinger de jóias? Filha daquele pintor Marcus Paulinske?
Pedro: Qual a graça de desenhar bijuteria quando um quadro do seu pai rende uns 56 milhões como fala na tv? 
Marcos: Você precisa começar a desenhar o ouro puro e os diamantes que começa a acumular em casa. - todos riram
Daniel: Acho que é ela mesma, filha daquela velha...eeer, Zélia Drummond não?
Cecília: Acredito que sim, ela tem um casarão há alguns blocos daqui, não faz nada da vida a não ser chorar pelo filho sequestrado. - aquilo foi como uma facada no peito de Daniel que sabia a verdade.
Pedro: Sequestrado? Tipo, aqueles sequestros por regaste?
Cecília: Sim, bem...tudo diz que sim. Dizem que ele começou a namorar uma garota e que ela era uma espiã que descobriu onde ficava boa parte do dinheiro da família e ai sequestraram ele e sabe-se deus o que aconteceu depois.
Daniel: Isso é mentira! - exclamou chamando atenção da turma - desculpe, mas eu li em algum lugar que a namorada não era espiã, uma outra pessoa perseguiu eles e levou o Leonardo.
Marcos: Seja como for. - disse cortando o assunto e voltando pra aula - Como vamos entrar em contato com ela?
Cecília: Ora, mandamos um e-mail falso pra ela como se fosse alguém querendo contratá-la.
Pedro: Em quantos minutos ela descobriria? - disse num tom de sarcasmo.
Cecília: Meu pai é dono de lan house não é? E quem dava uma surra em vocês três quando estávamos na sala de CS? Ah sim, eu!
Daniel: E quando podemos fazer isso? - o professor já estava mirando o grupo.
Cecília: Vocês podem ir lá em casa hoje.

     Aquilo encheu o peito de Daniel de esperança, estava cada vez mais fácil de chegar perto de fugir com sua mãe. Sem dizer que poderia ir à casa de sua amada Cecília. Apesar de sempre ter tido um clima entre eles, nunca fora algo escrachado. Após a aula, o garotos combinaram a hora de ir para casa de Cecília.

/

     Daniel tinha passado em casa ou melhor dizendo, na sua futura ex casa. Estava na porta da casa de Cecília mas seus amigos ainda não tinha chegado. Passa alguns minutos e ele bate a porta, Cecília atende e o sol batia em seu rosto fazendo parecer como uma aparição santa...lindamente sensual...mas angelical.

Cecília: Os meninos me mandaram mensagens, vão ficar sem vir.
Daniel: Não recebi - droga! Ficaria sozinho com a garota que amava - e agora?
Cecília: Entra, tem só o Pedro aqui. - e eles entraram casa a dentro.

     Pedro era o garoto que estava correndo atrás de Cecília, ele a visitava bastante, mais para ficar jogando com o irmão dela porém ainda sim por ela. Daniel o viu pela porta aberta do quarto que imaginou ser o quarto do irmão de Cecília. Eles foram até o quarto da mesma e sentaram-se, Cecília a mesa do computador e ele sobre a cama dela.

Cecília: Bem, depois do colégio eu procurei saber se a tal Yolanda tinha email pessoal que deixava em alguma descrição de site ou email de contato com a equipe dela.
Daniel: E ai, tivemos sorte? - disse esquentando as mãos.
Cecília: Na verdade não. - e notou o garoto desanimar - porém...pesquisando no youtube, acabei assistindo um vídeo de 2:11 de um comercial lindo de anel que tinha um formato estranho...
Daniel: Anel pode ter outros formatos? - ele sabia que era uma pergunta sem uma boa resposta.
Cecília: Então, era o comercial de uma loja de departamento inglesa e tinha o email do SAC deles, no mesmo segundo lembrei daquela cena do filme Calígula. - os dois fizeram uma careta.
Daniel: Não me diga...aquela cena do casamento...foi horrível assistir no cursinho.
Cecília: Essa mesma. - eles ainda estavam com certa afeição de rejeição - Ai eu mandei um email pro SAC e surpreendente me responderam e conseguimos o email da equipe dela.
Daniel: UAU! Mas...o que você escreveu no email pra loja?
Cecília: Disse que era uma mulher de 45 anos da área nobre de Londres e que meu marido tinha sentado no anel de formato estranho...- Daniel ficou pasmo - sentado sem roupa...ai você entendeu. Disse que precisava do jeito mais fácil de retirar sem danificar o meu marido e o anél de 15 mil libras mas não poderia chamar os bombeiros para socorrer um banqueiro.
Daniel: GENIAL! Você foi incrível! - e riu todo apaixonado.
Cecília: Obrigada, agora precisamos saber o que escrever no email pra Yolanda.

     Houve um silêncio e uma intensa troca de olhares entre eles até surgir alguma ideia.

Daniel: Podemos dizer no email que somos de uma das empresas que fornece matéria bruta e assim conseguir o email pessoal dela...dizendo que houve um problema milionário e que só vamos responder a ela.
Cecília: Nossa, ótimo, Dan! Vou tentar.

     Passou cerca de 40 minutos, Pedro já havia entrado no quarto de Cecília e aumentado a antipatia que Daniel tinha por ele, claro provocado pelo ciúmes. Eles andaram pelo quarto até que receberam o endereço de email da própria Yolanda.

Cecília: E agora? O que fazemos?

     Daniel tinha toda a verdade consigo e contar seria perigoso demais além de ter dito a sua mãe que não revelaria pela internet. Ele precisava de uma boa desculpa para trazer Yolanda ao Brasil sem causar comoção no casarão da velha Zélia...qual seria a saída dele?

Daniel: Pode digitar pra mim? Eu sei o que dizer:

    Cecília que estava olhando para trás e encarando Daniel, virou-se ao monitor e seu teclado, então abriu a caixa de email e já com os dedos pousando por cima do teclado:

''Yolanda, sei que tivemos desavenças mas esse momento é extremamente delicado. Não posso escrever uma mensagem longa e por isso não posso explicar-te muitas coisas. Indo direto ao ponto: Estou presa no Brasil. - Cecília vira e o encara novamente com dúvida - Contratei alguém que começou a fazer perguntar demais e então me prendeu em minha própria casa. Tive sorte de encontrar uma das filhas da faxineira e pedir para ela te mandar essa mensagem. Por favor, venha para casa com seus seguranças e não chame atenção, nem revele que está vindo. Venha e me leve com você.

De sua querida mãe, Zélia Drummond''

Cecília: Cara, do que você tá falando? Você quer trazê-la pra cá por que? Tá maluco?
Daniel: Não posso contar ainda mas preciso que envie isso já. - olhou no relógio e estava quase na hora que Caleb disse que o deixaria para fora do casarão.
Cecília: Não vamos fazer mal a ninguém né?
Daniel: Somente aos que merecem e vamos salvar pessoas também.
Cecília: Dan. - disse com um aperto no coração - Ela não vai vir...não vai acreditar.
Daniel: Coloque no final do email então:

     Cecília voltou a encarar o monitor e a digitar:

''P.S.: Caso você não acredite, aqui tenho duas coisas que você e eu sabemos, mais ninguém: 1: no cômodo abaixo do casarão onde fica a piscina, tem uma tela ainda a ser pintada e 2: Regina, a jardineira mora conosco pois era a namorada de seu irmão, você a conhece mas não deve ter descoberto isso ainda''

     Cecília ao terminar de escrever vira-se rapidamente e seu rosto mostra-se totalmente assustada.

Cecília: Regina não é o nome da sua mãe?

(Continua)


TEXTO E REVISÃO: Raphael Maitam

Seja bem-vindo para ler esse conto e mais outros no meu livro disponível no wattpad: https://www.wattpad.com/story/118616926-versos-por-aí-segundo-volume
Raphael Maitam
Enviado por Raphael Maitam em 28/12/2017
Reeditado em 03/01/2018
Código do texto: T6210332
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Raphael Maitam
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 23 anos
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Raphael Maitam