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Enigma (10.01.2017)

Realmente, fazia muito tempo que aquele cara estava me seguindo. Só que o mais estranho era que ele não tinha tentado me assaltar ou algo assim... Ficava só me seguindo para onde quer que eu fosse. Eu estava à procura de um emprego, por isso não parava muito em casa (mas, quando o fazia, era igualmente puxado).

Tinha minha avó para cuidar, minha mãe para ajudar nos afazeres de casa e ajudar com minha avó... E também tinha o Renan, meu irmãozinho caçula. Minha mãe dizia que ele era o único vestígio do homem que deveria, e com certeza não era e nem seria, nosso pai (e isso, para nós dois, era um lembrete para que não fôssemos iguais...).

A muito custo, conseguimos que os membros da família mais afortunados (e garanto que eram bem mais que nós) pagassem uma enfermeira especializada em cuidar de idosos para ajudar minha avó enquanto eu e mamãe podíamos nos ocupar com outras coisas (mas não que estas fossem mais importantes que a vó, isso nunca!).

Só que, ainda assim, minha avó, em algumas coisas, só confiava em mim, em mamãe ou no Renan para fazer, como: colocar linha na cabeça da agulha, procurar dinheiro na bolsa dela de guardar a grana, que só nós sabíamos onde estava... E era para continuar assim!

Durante todo esse tempo, desde que tive que começar a procurar emprego, percebi que as oportunidades aqui, além de serem poucas, não eram bem remuneradas quanto minha família estava precisando no momento.

Então estive pensando em ir para outro lugar e, mesmo longe, poder ajudar de uma maneira melhor do que posso fazer conseguindo um emprego aqui pela cidade; que é bem pacata e pequena, devo dizer.

Sem que minha mãe soubesse (pois, com o choro dela, eu sabia que seria desencorajada a fazer o que eu tinha que fazer - mesmo que essa não fosse a intenção dela), falei com alguns amigos meus, eles me conseguiram um carro e prometeram que me entregariam a chave dali a dois dias. Era minha chance de ajudar as pessoas que eu amava e que ainda amo com todas as minhas forças.

Arrumei minha mochila com as coisas de que eu mais precisaria na viagem e, dois dias depois, fui saindo de madrugada (depois de deixar um bilhete para mamãe) quando o Renan apareceu. Sua estatura pequena me assustou e sua cor morena e linda me impediu de vê-lo se aproximando.

- Pra onde você vai? - Perguntou ele, os olhos pesados de sono e uma alça do pijama caindo-lhe do ombro.

- Procurar emprego em um lugar com melhores condições, maninho. Por favor, não conte para a mamãe até ela perceber que sumi. Diga a ela que me dói fazer isso, mas é só assim que vou poder ajudar do jeito que todos aqui merecem! - Ele apenas me abraçou e me fez prometer que ligaria sempre que eu conseguisse.

A chave estava na caixa do correio, como o combinado. Andei apenas um quarteirão até encontrar o carro. Entrei e levei o maior susto da minha vida: o rapaz que estivera me seguindo estava sentado no banco do carona.

- Estou aqui pra ajudar. Apenas dê a partida - ele disse e assim eu fiz.


Paulia Barreto
Paulia Barreto
Enviado por Paulia Barreto em 28/06/2020
Reeditado em 11/07/2020
Código do texto: T6990263
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Sobre a autora
Paulia Barreto
Fortaleza - Ceará - Brasil, 21 anos
57 textos (414 leituras)
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Paulia Barreto