A CIDADE FANTASMA- fim

Três jovens amigos que dividiam o mesmo apartamento, costumavam fazer videos de lugares mal assombrados, bancando caçadores de fantasmas, tendo conquistado muitos seguidores na internet. Munidos de aparelhagem de radioestesia, detectores de ruídos e vozes de espíritos, foram atraídos pela vila misteriosa abandonada Triedorf.

Estacionaram o carro em frente uma das casas arruinadas, ligaram seus equipamentos, tentanto obter contacto com alguma alma errante. Na cozinha da casa, a luz vermelha do aparelho começou a reagir, registrando alta atividade paranormal no recinto. Bip ♪ Bip ♪ Bip ♪

Paul tentava se comunicar com o espectro, através do Spirit Box.

— Há alguém aqui ? Qual é o seu nome ?

O box metálico emitia uma voz sossobrada, rouca e com ruídos de zumbido de insetos. Brzz ♪ Brzz ♪ Brzz ♪

— Sim, estamos aqui, mas muitos já se foram. Meu nome é Deolinda.

— Como voces morreram, que aconteceu ?

— O sol escureceu e tudo ficou em trevas, nós ficamos assim, ainda estamos aqui, mas voces não podem nos ver.

— Voce está descrevendo que sofreram os efeitos de radiação Gama, ocasionados por um eclipse solar intenso, e todos se tornaram invisíveis, perderam a aparência física ?? Voces são todos os antigos moradores do vilarejo e nunca saíram daqui ?? Como voces se alimentam ??

— Sugando as energias vitais de plantas, verduras, frutas, árvores. Das aves não conseguimos, eles ficam longe demais.

Paul foi até a sala onde estavam seus colegas, Mike e Anton. Os dois estavam tombados no chão, pálidos, cadavéricos e já mortos, rodeados de moscas ressequidas.

— Voces se tornaram um bando de malditos invisíveis energias vampiros !!

Paul recolheu rápidamente seus aparelhos, correu para o carro e pisou no acelerador, deixando o lugarejo a toda velocidade, levantando uma cortina de poeira pela rua de terra socada.

Dois quilômetros depois ele avistou um grupo de pessoas, homens e mulheres farrapentos, caminhando na estrada, vindo em sua direção, sendo obrigado a pisar no freio e parar.

Uma mulher se aproximou dele sorrindo e disse:

— Eu sou Deolinda, agora voce pode nos ver, pois tornou-se um igual a nós. . .

Paul sentiu as últimas energias de seu corpo sendo sugadas, os fluídos vitais o abandonarem, dominado pela escuridão, morreu de fraqueza, com o glóbulo dos olhos vazados.

Como os jovens tinham apenas parentes distantes, as visitas eram raras, e estavam acostumados a ficarem tempo sem se comunicar, ninguém tomou conhecimento de que eles já haviam morrido.

O tempo passou, na estrada ficou um carro velho, enferrujado, abandonado, os bancos rasgados, ninhada de ratos.

Assim o misterioso desaparecimento dos moradores da vila Triedorf, continuou sendo uma incógnita inexplicável, que ainda ninguém conseguiu decifrar, nem esclarecer o motivo do abandono, da esquecida, silenciosa vila fantasma.

♥ FIM

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NACHTIGALL
Enviado por NACHTIGALL em 17/03/2022
Reeditado em 17/03/2022
Código do texto: T7474473
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