TANGO & DOR

 

As curvas generosas sob o vestido negro de seda, deixavam entrever as coxas firmes, através da fenda sinuosa,  ornada por uma liga vermelha drapeada. A boca carnuda, convidava ao beijo. Os olhos cor de mel esverdeados, eram delineados de negro e, mantinham-se baixos, permitindo que os cílios espessos, fizessem sombra sobre às maçãs do rosto. Ela não poderia ser considerada, uma linda mulher, mas, o conjunto completo era deslumbrante e instigava à libido dos homens. O salão de festas está repleto de gente, a orquestra descansa, enquanto o quarteto de bandoneon, violão e flauta começa a tocar um tango, daqueles profundos e com pausas marcantes.

 

A mulher de negro, aceita o convite d'um belo homem, para dançar. Posiciona entre os alvos dentes, a rosa vermelha que ele lhe oferta e, com olhares de combate, se exibem pelo largo salão. Os movimentos sensuais, cadenciados e envolventes, provocam olhares de cobiça e desejo.

 

O par, até parece que já havia dançado junto, por uma vida inteira, tal a harmonia contagiante que os seus corpos demonstravam.

 

Era tão lindo vê-los dançando, que ninguém mais se atreveu, a invadir a pista. O espaço e a magia dos acordes, era só deles, um espetáculo a parte.

 

A noite segue, com a orquestra animada, variando tangos, boleros e polcas e, se encerra com um mix de canções populares. 

 

O homem acompanha a mulher do vestido de fenda até o lado de fora, quando um carro se aproxima, a porta se abre e, um homem alto de terno cor de cobre, empunhando um revólver, atira duas vezes no peito da mulher e foge, causando muita confusão e desespero.

 

A rosa vermelha cai sobre a calçada, restando no belo homem, a saudade do calor daquele corpo, aninhado ao seu, durante a febre do tango.

 

 

 

 

 

Cristina Gaspar
Enviado por Cristina Gaspar em 02/09/2023
Código do texto: T7876571
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