O bosque dos contrários
 
        No bosque dos contrários tudo era perfeito: luz do sol, oxigênio, chuva, vento, comida farta, noite, dia, água e animais de todos os tipos: pardais, bem-te-vis, papagaios, codornas, corujas, gaviões, tatus, ratos, pacas, preguiça, tamanduás, cutias, macacos, veados, lagartos, jabutis, cobras, sapos, rãs e outros bichos.
       Perto dali foram construídas algumas casas, um pequeno curral foi erguido e uma grande área foi marcada por uma cerca de arame. Ali, tudo era diferente do bosque, até os animais. Havia cachorros, cavalos, bois, jumentos, gatos, galinhas, perus e patos. Além desses animais, moravam algumas pessoas, umas diferentes das outras.
       Logo, logo, os passarinhos do bosque descobriram o "novo lugar" e espalhou a notícia no bosque, sobre os novos moradores e seus costumes.
No bosque, ninguém estava satisfeito com a sua vida. Passarinhos reclamavam de ter asas para voar porque se cansavam muito pelo esforço; urubus que desejavam se alimentar de carne fresca; jabutis que reclamavam do seu feio casco e de não poder voar; cobras que desejavam voar e não rastejar; preguiça que reclamava por ter que acordar cedo por causa do Sol; Tatu que reclamava por ter que viver em buracos. Lá, ninguém estava satisfeito com nada...
        Quando souberam, por um beija-flor, sobre o modo de viver dos novos habitantes, passaram a desejar a vida dos novos vizinhos. Era pássaro querendo ser galinha, tatu querendo ser pato, cutia desejando ser cavalo, rato querendo ser gato, macaco com vontade de ser peru. Mas, nenhum bicho desejava ser pessoas. Era o bosque dos contrários.
          Assim, os anos foram se passando, o desejo de ser o outro, sempre a aumentar. Alguns bichos mais atrevidos resolveram passar uma temporada no sonhado espaço do outro. Lá se foram: quem queria ser pato, quem queria ser gato, quem desejava ser peru, quem desejava ser galinha, quem desejava ser jumento. Até a cobra foi lá espiar. E por aí foi...
        No começo, ficaram à espreita. Depois, começaram a aparecer em público e foi a maior confusão! Começaram a ver o outro lado da história. Era final de ano, festa de Natal e de Ano Novo: perus e galinhas foram parar na guilhotina e depois, para a panela e para a mesa; os passarinhos que chegaram lá, foram capturados e confinados em pequenas gaiolas; as cobras, foram mortas a pauladas ou capturadas e enviadas para um laboratório; os jumentos, coitados, trabalhavam dia e noite, carregando pesados fardos; um ratinho se descuidou e foi pego por um gato faminto. Foi frustração geral.
        Então, os poucos bichos insatisfeitos que restaram naquele lugar, foram retornando, um a um, ao Bosque dos contrários, uns arrependidos por terem saído e outros, agradecidos por viverem em um bosque tão perfeito. Alguns animais voltaram machucados, por algum motivo e outros, nem voltaram. Foram experiências ruins, mas de aprendizado.
Quando retornaram ao bosque, fizeram uma grande reunião e espalharam a notícia de como era diferente a vida lá fora. Contaram que alguns deles não puderam retornar.
        E assim, todos os bichos fizeram um acordo: nunca mais desejar viver a vida do outro, combinaram de agradecer sempre pelo que lhes foram dados por Deus porque tudo que Ele faz é perfeito.
Joyce Lima
Enviado por Joyce Lima em 11/08/2018
Reeditado em 13/03/2020
Código do texto: T6415898
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