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Um dia choveu amor

Um dia choveu amor e cada gota era um coração. Um coração vindo do céu, pronto para mudar outro coração. Elis aguardava a chuva, mas dessa vez ela não sabia que ao invés de água, cairia amor do céu. Quando ela pegou um pequeno coração que caiu bem a sua frente, levou ele para todos os lugares. Com seu espírito de aventureira, ela foi de porta em porta perguntando o que era aquela chuva.

Sabia ela que aquela chuva de amor era rara e aproveitar as gotas de amor mudaria o dia triste, o coração carrancudo e a dor da perda. Mal sabia ela que a chuva de amor aliviava o peso e transformava o choro em riso. Elis sabia o que era um coração, mas não o que ele poderia fazer, assim como nós nos sentimos sobre o amor: nós sabemos o que é, mas não o conhecemos até desejarmos isso.

Foi na padaria e lá resolveu perguntar para o senhor Manuel, que vende pão, se ele poderia ajudar. Seu olhar carrancudo deu medo e assustou Elis. Ele pegou o coração na mão, analisou pedaço por pedaço e sentiu que não saberia ajudar. Elis explicou que estava chovendo amor e senhor Manuel quis ver se era possível. Antes que percebesse seu coração e olhar carrancudo já estavam mais felizes e calmos. Elis seguiu o caminho e parou na casa de dona Joana, a costureira de seus vestidos.

 Dona Joana suspirava de tristeza enquanto bordava uma toalha. Elis mostrou o coração e Dona Joana não entendeu nada. Elis levou a costureira até a rua e quando corações atingiram sua cabeça, a dona Joana não sentiu nada além do que alegria. Voltou a bordar a toalha e finalmente sorria.

Seguindo o caminho, mas ainda sem explicação, Elis resolveu perguntar para o Antônio. Com um olhar distante, um pouco desanimado, ele não quis segurar o coração. Não quis ajudar Elis a descobrir e a menina resolveu então, por impulso, segurar na mão dele e abrir com calma a fria palma da mão de Antônio, que surpreso com o gesto, permitiu. Entregou nas mãos dele um pequeno coração, da chuva de amor, e tudo mudou em instantes. De olhar desanimado, Antônio tinha uma animação sem intervalo.

E de casa em casa, batendo de porta em porta, é que Elis estava seguindo o caminho. Chovia amor sem parar e as gotas vindas do céu mudavam os corações que já pertenciam a uma outra pessoa. Pessoas como Manuel, Antônio, Joana e Elis, que aos poucos queriam conhecer mais e entender mais sobre aquela chuva de amor. Nem só de água o homem viveria, mas também do amor que cabe em nós e do amor que podemos doar para outra pessoa.

Dificilmente é impossível não conhecer o amor, muito menos não saber sobre o poder que ele pode ter. Se aquela chuva de amor, rara, rápida e com gotas de amor veio para mudar um pouco os corações tristes, desanimados e carrancudos, imagina conhecer a fonte dessa chuva de amor?

Se antes o senhor Manuel era carrancudo e bravo, negando dar pão doce para todas as crianças que pediam gentilmente por um pouco, mesmo sem dinheiro, agora ele distribuía não só pão doce, mas doces palavras de amor. Se antes dona Joana só suspirava de tristeza e saudades de seus filhos, agora ela sorria e pensava que eles estavam em lugar melhor, crescendo e sonhando.

Se antes Antônio não se sentia motivado, agora ele tinha razão de sobra para fazer exercícios físicos e acreditar que ele era capaz de realizar muita coisa.

E era assim que a chuva de amor mudava os dias de quem se molhava daquela água. Não era água milagrosa, mas mudava o coração de quem se molhava com as gotas vindas do céu. E não demorou muito para todos perceberem que o dia em que choveu amor, Elis foi a primeira a saber que raro e importante era um evento como aquele e que sem explicação não poderia ficar, afinal, era tão aventureira e curiosa que queria sentir um pouco mais a emoção que desfrutou quando pegou com suas mãos delicadas e pequenas, mãos de crianças, o coração da chuva de amor. Pensou que precisaria da ajuda dos adultos, mas eles quem precisavam de Elis e da chuva de amor.
Palavras de Verona
Enviado por Palavras de Verona em 13/02/2019
Código do texto: T6573858
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Palavras de Verona
Holambra - São Paulo - Brasil
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