O menino papangu

(Histórias para o carnaval)

Rosângela Trajano

 

Depois do café da manhã ouvindo o rádio com as marchinhas de carnaval, o menino pulou da cadeira e gritou:

- Mamãe, vamos pular o carnaval?!

- Sem fantasias, filho?

- A senhora faz uma de papel pra mim.

- Sim, papel tem muito nesta casa.

- Faça com cola de goma de mingau.

- Vamos pra cozinha me ajudar.

A mãe e o menino prepararam uma bela fantasia de papangu feita com papel para ele:

- Ficou linda, mamãe!

- Você será o papangu mais bonito deste carnaval, filho!

No domingo de carnaval, quando a bandinha com os foliões passava, na frente da casa do menino, ele e sua mamãe caíram na folia cantando e pulando alegremente:

- Ala ho, ô, ô, ô / Mas que calor / ô, ô, ô

Era uma festa só, pelas ruas da pequena cidade do menino que se fingia de ser um bravo papangu assustando as outras crianças.

De repente, começou uma chuva forte e a fantasia do menino se desmanchou por completo:

- Mamãe, o papangu está nu!!!

- Um papangu nu!!!

- Será que ele vai ficar mais bravo?

Cada criança que dissesse uma coisa, enquanto o menino nem ligava para a sua nudez e continuava brincando e pulando fazendo a criançada morrer de rir e até inventar uma marchinha de carnaval que era mais ou menos assim:

 

Ei, você aí, você já viu

O papangu de papel

Pois é, se acabou na chuva

Pisou no tacho de mel

Papangu pediu ao céu

São Pedro pare a chuva

Ele nem ouviu

Molhou meus pés e chapéu

O papangu ficou nu

E a gente sorriu

Refrão (3x)

Quem não morreu viu

Quem não morreu viu

O papangu de corpo nu

Que de chuva se vestiu

 

E a folia foi até o sol raiar com o menino muito feliz junto a sua mamãe sendo um verdadeiro papangu sem roupas, igualzinho como nasceu, no meio da rua e da lua que fingiam ter medo do menino-papangu que perdeu a fantasia na bonita chuva.

Afinal, fazia 10 anos que não chovia naquele lugar. Era dia de carnaval e alegria:

- Mamãe, ainda estou bonito?

- Está lindo, filho! Um verdadeiro papangu!

E lá se ia o menino assustar as criancinhas menorzinhas que corriam com medo do papangu com os cabelos escorregando pingos da chuva.

Rosângela Trajano
Enviado por Rosângela Trajano em 17/02/2023
Reeditado em 17/02/2023
Código do texto: T7721252
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