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ELE ERA UM DEUS

Conseguia fazer tudo o que as maiores imaginações poderiam imaginar.
Conseguia ir a locais e a sítios que nunca foram concebidos.
Conseguia ir ao fundo dos tempos, reavivá-los, recriá-los e de certa forma voltar a dar-lhes vida pela sua capacidade impar em reacender o que há muito fora extinto, em insuflar vida perdida em memórias, de tal ordem que estas passavam a serem suspiros do futuro e não apenas meras recordações.
Conseguia dar animo aos desalentados, conseguia resgatar a alegria num rosto, para ele era fácil que um rosto vincado por rugas de desilusão e transformado num rosto marcado pelo tempo e pela dor voltasse a ter a jovialidade duma criança que pouco ou nada viu ao ponto de se transformar num velho. Com o tempo isso aconteceria, e talvez com o tempo Ele voltasse para mostrar que os sonhos morrem, mas que a esperança só fecha os olhos quando o coração de quem a tem deixar de bater para sempre…para sempre…para sempre…
E Ele lá estava desde sempre
Pelos outros e pelas outras conseguia fazer aquilo a que chamavam de milagres, mas para Ele era apenas fruto de um dom nato, que como a sua intemporalidade não tinha tempo nem distancia, tinha apenas a dimensão dos sentimentos que o moviam e que eram tão vastos como as suas infinitas capacidades…
No entanto, e apesar de Tudo, ele conseguia fazer tudo, menos gerar amor de outrem para si, sendo por isso o mais solitário dos seres reais ou míticos, verosímeis ou inverosímeis, habitante de sonhos ou da mais dura e crua realidade
Ele era um Deus
Miguel Patrício Gomes
Enviado por Miguel Patrício Gomes em 24/07/2006
Código do texto: T200901
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Miguel Patrício Gomes
Portugal
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Miguel Patrício Gomes