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Sono Repousante

Sexta-feira, esgotado de uma semana intensa de trabalho, fui direto para casa. Um bom banho e um lanche leve, cama !
Ainda muito calor, ligo o aparelho de ar condicionado no mínimo, então durmo.
Desperto ensopado, como se estivesse na sauna. Acabou a luz !
Outro banho, outro quarto, outra cama encostada à janela. Brisa do mar ... “apago”.
Sonhando com as garotas que encontraria pela manhã na praia, de súbito o quarto clareia com uma centelha de solda. Assustado e de pé, ouço o barulho ensurdecedor de um trovão. Chão e paredes tremem. Do susto ao medo, sem conseguir distinguir tempestade de terremoto ! De cuecas sujas, mais um banho ...
Retornando ao quarto, a cama toda molhada pela chuva, que chegava quase na porta. Janelas fechadas, um calor terrível, trovoadas seguidas, além do barulho do vento, e uma só vontade: a de dormir !
Então, a “grande idéia” surgiu ! Encher a banheira de hidromassagem, e dormir imerso. Que ótimo, volta e meia escorregava e acordava quase me afogando ...
Conseguindo manter a serenidade, já pelas duas horas da madrugada, o interfone toca sem parar. Um dos vigias do condomínio avisa que, a água da chuva está começando a entrar no subsolo, ou seja, na garagem ... Meu “Fuska” !!! Gritei desesperado !
Com o prédio quase que totalmente às escuras, somente com aquelas “lâmpadas de emergência”, saí tão rápido do meu apartamento, que derrubei a vizinha do “Ford Landau”. Pedi desculpas e pensei: “banheira não tem problema, mas o meu ‘Fuska’ tem !!!”. Herança de família, eu o segundo dono, completamente original, uma relíquia ! Tenho consciência de que a minha vida é mais importante, mas depois dela é o “Fusca” !!! Coloquei-o rápido na calçada, amarrado e acorrentado a um poste. Só então me dei conta que havia descido do décimo quinto andar, quase sem perceber.
Novamente em casa, quinze andares acima, outro banho, e sofá. Dormir ? Nada disso, foi um “desmaio” !
Sonhei estar nadando paralelo à praia, muito feliz, meu esporte preferido. Sempre atento ao trânsito de barcos, vi uma barbatana se aproximando. Era um tubarão ! Sem saber os motivos, tinha em mente o quanto custei para alcançar aquele lazer. Mergulhei, e o primeiro soco foi bem no “fuço” do inoportuno, seguido de uma joelhada na altura do estômago, me vi sobre o dorso daquele intruso, e, com um dedo de cada mão, perfurei seus olhos ... o “bicho” se afastou em ziguezague para o mar aberto.
Resolvi descansar na areia, e em direção à praia, passei por um belo veleiro de dois mastros, ancorado antes da arrebentação. O seu nome era “ZEUS”, tão imponente quanto os seus aproximados cinqüenta pés.
Avistei um grupo de pessoas, e ao me distanciar da água, tive a imensa satisfação em reconhecer dois grandes amigos, companheiros de “vela”, a quem tinha prestado serviços de rádio comunicação nos seus barcos, em diversas viagens. Pena que eles já haviam falecido.
Comentei sobre o “veleiro ZEUS”, e afirmaram ser deles, além de dizer que estavam à minha espera para fazer rádionavegação.
Meio confuso, disse: “mas vocês estão em outro plano, em outra dimensão, e sem dúvida farei parte da tripulação, mas somente quando eu chegar lá !

Os dois me abraçaram, um de cada lado, e sorrindo disseram: “você acabou de chegar !” ...



Por Alexandre Boechat.
Alexandre Boechat
Enviado por Alexandre Boechat em 14/03/2009
Reeditado em 18/03/2009
Código do texto: T1485902
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Alexandre Boechat
Petrópolis - Rio de Janeiro - Brasil, 61 anos
72 textos (5781 leituras)
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Alexandre Boechat