O mundo da minha janela ( ou Jamais Borboleta)

Já é tarde. Vejo a chuva lá fora e tenho vontade de sair. Quero tanto molhar o meu corpo com essa água vinda do céu. Creio que me sentiria mais próxima de Deus. Talvez Ele, quem sabe, possa me dar o colo de que tanto preciso. A sensação dos cabelos molhados me salvaria neste momento. Liberdade.

Meu coração palpita devagar hoje. Parece que há um punhal cravado em mim. O meu olhar perdeu o brilho. A minha voz calou-se subitamente e não consigo gritar. Como eu quero expulsar de mim sentimentos tão frustrantes que se alojaram no meu peito. O mundo perdeu a cor. O céu, da minha janela, está cinzento e pergunto-me onde está a vida.

A chuva tornou-se mais forte. A cada rajada d’água o meu coração se despedaça e temo que não consiga unir novamente cada pedaço para, enfim, senti-lo pleno. Pulsando. Pulsando. Pulsando. E se eu dormir? Será que, ao abrir os meus olhos, encontrei a luz de um Sol que me trará boas-novas?

O vento está forte. Traz um som que me liberta. Traz um silêncio que me aprisiona. Calo por temer que as minhas palavras se voltem contra mim. Calo por não saber a quem dizê-las. Calo por encontrar nisso uma forma de estar mais em mim do que em ti. Então, sedenta de mim, assisto a uma vida que não é a minha. Analiso o mundo ao meu redor e resigno-me em um casulo. Viro a lagarta que morrerá sem tornar-se uma borboleta.

A D
Enviado por A D em 23/06/2009
Reeditado em 27/06/2009
Código do texto: T1662523
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