SIMPLESMENTE NORMA

Inverno. Noite.21 horas.Sexta-Feira.Pedro sai bem agasalhado,gorro na cabeça e luva nas mãos.Anda vagarosamente pela rua fria e quase deserta. O termômetro marca dois graus. Um vento leve,mas gelado transita pela rua.Pedro entra em um café.Observa o movimento pela vidraça sentado em uma pequena, mas confortável poltrona.

No recinto o movimento intensifica-se. A temperatura cai.Todos procurando um bom café. Um chocolate quente.Tudo para aquecer o corpo na noite fria.

Pedro olha em seu relógio, passam das 21:30. Sente fome.Pede um pastel de carne e outro café.

Enquanto faz seu lanche,Pedro,novamente,observa os transeuntes ante a vidraça. Coça a testa e levanta.

Pedro cansado, agora dirige-se ao balcão. Paga a conta e sai pela rua caminhando solitário. Chegando em sua casa,Pedro apanha o jornal e lê algumas manchetes.Uma delas, chama sua atenção: Recital Poético, com Norma Peres, no clube central,amanhã as 20:00 horas. Pedro,amante da arte,entusiasma-se.

No outro dia, levanta-se cedo. Veste-se e vai sem demora ao clube,comprar seu ingresso. Guarda-o em sua carteira e vai até uma lanchonete tomar seu café da manhã.

Na mesa ao lado, um senhor olha para Pedro e pergunta se ele conhece Norma Peres.

Pedro diz que não e o tal senhor responde: é uma mulher de grande talento e beleza.

Já esteve aqui a uns dois anos atrás. Casa cheia.Um sucesso.Pedro diz ao senhor que

irá ao evento e o homem, retirando-se do local, afirma: você não vai se arrepender

meu filho. Até logo!

Pedro, após alguns minutos, também vai embora. Passa por uma banca de jornal e compra uma revista onde uma matéria de capa assinala a chegada na cidade do gran-

de evento. Senta ali mesmo e folheia a revista vagarosamente.Uma foto enorme de

Norma Peres enche seus olhos.

-Nossa, como ela é linda! –exclama Pedro.

Olhos verdes, pele alva,cabelos negros e um sorriso radiante.

Pedro levanta-se e vai para sua casa,aguardando o grande evento.Ansioso,mal consegue esperar.Arruma-se.Veste seu melhor traje e segue ansiosamente o trajeto

que o leva ao clube central.O mais famoso e badalado da cidade.

Chega ao local,após vinte minutos.Avista muitas luzes,cartazes,carros,transeuntes.

Todos eufóricos e entusiasmados. Pedro fica fascinado com tanta badalação. A fila é

enorme, mas Pedro tranquilamente segue com seu ingresso na mão.Já tem lugar ga-

rantido,bem próximo ao palco do grande evento.

A fila anda vagarosa. Pedro olha já um tanto aflito ao relógio. 19:00 min.Quando

consegue entrar no clube,faltam apenas cinco minutos para começar o recital.O clu-

be esta repleto.Pocos lugares ainda restam e o rapaz,dirige-se ao seu lugar na terceira fila.Bem central.Bem a frente do palco.Após um atraso de dez minutos,o tão esperado

momento .Norma Peres,com um longo vestido branco.Olhos brilhantes e um sorriso

inigualável, entra no enorme e triunfal palco do abarrotado clube central.Agradece a

presença de todos com uma voz tão meiga e suave que faz o coração de Pedro descom-

passar.Todos levantam e aplaudem aquela diva que mais parece um anjo de branco.

Norma,anuncia também,a presença de outros artistas na apresentação.Uma gama de

celebridades.Começa o espetáculo.Lindas melodias,prosa e poesia,que fazem todos sonhar,levitar e serem tomados por uma paz presencial.Norma mostra-se uma deusa no recital,no gesto,no sorriso.Lindas e suaves poesias,traduzidas do fundo da alma.

Mostrou sua voz, cantando suavemente um de seus poemas mais lindos. Um sucesso!

enfim, todas as estrelas no palco, finalizaram com alto estilo e sofisticação.

Alguns fãs conseguiram driblar a segurança e subir ao palco para pedir um autógrafo,

um abraço, ou uma simples palavra com Norma e os outros astros presentes. Norma

atendia todos com extrema simpatia e atenção. Mas não pode deixar de notar uma figura bem a sua frente,olhando-a,boquiaberto.Retribuiu o olhar e por alguns segundos obser-

vou atenta a fisionomia de Pedro, direcionando-lhe um singelo olhar e um sorriso iluminado. Ao qual Pedro retribuiu um tanto sem jeito.

Houve um vazio, um vão, um silêncio. Uma perplexidade insustentável.Depois o despertar.A verdade inacabada.O sonho.Novamente um largo e impreenchível vazio.A

lembrança. A sensação de sentir o seu beijo.Tocar o seu rosto.De senti-la em seus braços,agora plenamente vazios.

Castro Antares
Enviado por Castro Antares em 17/06/2012
Reeditado em 07/07/2015
Código do texto: T3729088
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