DES-ATOR-MENTADO

Pela janela de um apartamento, livros eram atirados: Gacia Lorca, Peter Brook, Tennessee Williams, Bertolt Brecht, Stanislavski e William Shakespeare acidentavam-se no chão fazendo barulho. Coletaneas inteiras, fichários incompletos e livros de cabeceira, tais como o mais novo dicionário de antropologia teatral do Eugênio Barba, eram jogados ao longe. Ibsen caiu na varanda de baixo, Ionesco caiu de frente a lanchonete e o Máximo Górki, este teve sorte, parou num lugar cohecido: Num beco da rua onde dormia um bando de pobres. As pessoas se amontoavam pelas calçadas e olhavam assustadas para a janela de onde onde os grandes dramaturgos eram atirados. Às dezesseis e quarenta da tarde, num clima de quase chuva, os escritos pediam socorro fazendo no vento o barulho da páginas.

Não demorou muito para que os intelectuais e os artistas pobres formassem na rua uma comissão de resgate aos dramaturgos. E assim, à medida que caiam, os mesmos eram logo socorridos e levado sem debates. Estes dramaturgos conhecidos dificilmente ficariam sem estante. Máximo Górki insistia em ficar, na verdade queria ser lido pelos pobres, mas este, para sua infelicidade, hoje, não é o seu único lugar.

Outros livros de teorias praticavam vôo livre pela janela janela do apartamnto. Nietszche estava revoltadíssimo porque nem ele fora poupado. Começou a teorizar ali sobre um novo princípio: O da origem de uma nova tragédia que o mundo iria abalar. Gritava chamando Wagner, mas este estava de frente a um barzinho ouvindo música popular. Aos poucos mais e mais pessoas chegavam ao lugar e observavam a cena dolorosa que enfrentavam os gandes nomes do teatro, da filosofia, psicologia, drama, tragédia, comédia e outras tantas literaturas que ultrapassavam a janela do tal lugar. Shopenhauer caiu sobre restos fecais e de luto profundo e depressivo, reclamava num mau humor terrível dizendo que se até ele tinha sido atirado não era devido ao que Asmus denominava como metamorfose transcendental daquele indivíduo, que é bem diferente do tal aniquilamento da vontade que é o aniquilamento do seu fenômeno, o indivíduo, e que por isso, tudo o que ele mais queria naquele momento era o suicídio.

Nem todos os esritores tinham a mesma sorte... Os de teatro eram uns coitados. Vários insistiam em cair na sargeta. Havia uns poucos de literatura que eram bem espertos. Paulo Coelho, por exemplo já caiu direto na prateleira de exposição da livraria mais próxima. Jô Soares era muito extenso e como não estava em Backer Street, resolveu cair de frente a uma casa de guloseimas ao lado de uma loja de canecas e bem perto de uma casa de trompetes. Alguém gritou pedindo Chico Buarque, mas este tinha ido na levada do Brecht. Ao lado de quem pediu... Caiu um Caetano! Mas estava inglês e de Inglês niguém entendia nada.

E no meio da confusão desesperada dos livros e das pessoas que freneticamente recolhiam as obras sem parar, surge uma mulher que sai correndo de um prédio segurando um chapéu na cabeça pedindo para o tal indivíduo atirar o Jorge Amado, dizendo amar os livros dele e que seria ela própria a Dona Flor. Um outro maluco pedia para ele Jogar também o O’Neill que sabia que ele tinha o O’Neill e que podia atirar que estaria prontinho para recebê-lo em baixo. Tinha preparado até uma almofada vermelha cheia de louros para recebê-lo. A mesma que apaharia Hemingwai, o velho homem do mar.

Os livros não paravam... Era um atrás do outro... Às vezes coletâneas inteiras se espalhavam pelo ar... Alexandre Dumas Filho caiu de frete a um Bordel e logo em seguida começaram a vir os oustros clássicos... Nenhum deles foi polpado. Tolstoi , Cervantes, Bram Stoker, Dostoiévski em roupagem especial, Twain, Stendall, Chales Dickens, Dante, Flaubert na mais nova edição, Alan Poe e muitos outros foram jogados, mas merecidamente tomaram na rua um lugar especial. Quase que central, longe do esgoto, onde haviam sido jogados os dramaturgos contemporâneos. E na na levada dos clássicos, surge um homem que, olhando aquilo, grita pelo ator dizendo: - Ei, por que joga fora o conhecimento? E ele diz: - Por que quando falo alto sobre ele, poucos são os que querem escutar!

Oscar Calixto
Enviado por Oscar Calixto em 20/08/2007
Reeditado em 20/08/2007
Código do texto: T615039
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