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O passeio

A cidade de Porto Alegre estava quente em setembro de 1980. O céu estava claro, os burburinhos das vozes combinavam com as pessoas caminhando e o grito da voz aguda dos ambulantes.   Dona Ester e sua filha Camélia resolveram passear no centro da cidade.  Enquanto seu Martim preferiu ficar em casa escutando o noticiário no seu radio de pilha
       Caminhar na Rua da Praia era um passatempo para mãe e filha. A família chegara a poucos meses de Santana do Livramento. Entraram em várias lojas, conversaram com as vendedoras, experimentaram  algumas roupas.  Nas ruas diferentes perfumes misturavam-se ao cheiro de incenso do Monge Hare krishna
  Tomaram um sorvete no Mercado Público e foram pedir proteção a Nossa Senhora dos Navegantes. Camélia, apesar de adolescente estava consciente dos perigos da cidade: sequestros e roubos.  Além disso, andava lendo diariamente os livros de Agatha Christie.
 Ao sair da igreja, dona Ester resolveu comprar um suco na Galeria Malcom. Camélia ficou na calçada esperando. Passaram-se dez, quinze... Vinte minutos e nada de dona Ester. Camélia sobe e desce as escadas rolantes da galeria e não encontra a mãe.
Eis que se abriu a gaveta de sua mente onde estavam guardados os perigos da capital e as histórias dos livros de Agatha Christie.  Mexeu na bolsa e procurou uma ficha telefônica. Correu para o “orelhão” (telefone público) ligou para seu pai; e gritou desesperada:
-Sequestraram a mãe na Galeria! O grito foi tão forte que assustou o pipoqueiro no outro lado da calçada.
   E mais do que depressa seu Martim saiu correndo. Não fechou as janelas e esqueceu o radio ligado. Chegou em 10 minutos, pois viviam próximo ao centro da cidade. Quando estava passando na Galeria, dona Ester sorri ao encontrar o marido. Sem entender o que estava acontecendo o homem assustado perguntou:
   -Então não foste raptada?
- Raptada? Perguntou perplexa a senhora.
  Conversando, os dois desceram a rua da igreja do Rosário. Lá encontraram Camélia já suando frio de nervosa. E fazendo promessa para Virgem Maria para que não fosse grave o sequestro.
  Eis que o alivio voltou e os três voltaram para casa. A partir de então Camélia aprendeu a aceitar o incontrolável. Continuou a ler, deixou de lado os romances policias e começou a ler Jorge Amado. E os três foram passear além do centro da cidade.
Iara Mendes
Enviado por Iara Mendes em 13/01/2018
Código do texto: T6225095
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre a autora
Iara Mendes
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil
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Iara Mendes