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Vestígios

   Eram vagas as lembranças daquele tempo. Lembrava do carinho da família, dos passeios no caminhão do tio, que a levava à esquina, na praça cheia de árvores, e de onde ela voltava caminhando com a avó. Lembrava, que por vezes fugia para comprar doces no armazém, que ficava ao lado da casa. Mas essas reminiscências às vezes pareciam estar tão longe, perdidas na memória, que ela se esforçava para buscá-las, no intuito de reconstruir todos os passos de sua infância. E foram muitos os passos...e bem trilhados.
   A casa estava sempre cheia - conversas, o vaivém apressado de quem lutava para manter a família, que era grande. Tios, avós, pais e ela. Gerações diferentes vivendo e convivendo em uma rotina atarefada.
   Eram outros tempos. Não havia tantos confortos, não havia TV em casa, nem brinquedos espalhados pelo chão. Não havia nem geladeira. Mas mesmo assim eram felizes. Era uma época em que coisas simples, brincadeiras com pedrinhas ou bonecas improvisadas, o contato com a família ou até o "perfume" das refeições feitas pela avó deixavam a vida especialmente prazerosa. Porém, como tudo na vida se transforma, assim como a história das pessoas, a rotina da família também mudou. Alguns foram trilhar seus próprios caminhos, longe dali; o casamento dos avós chegou ao fim, e a menina mudou-se com os pais, o tio e a avó(que seguiu morando com eles) para outra casa. Para ela tudo era uma grande brincadeira: casa nova, vizinhos novos e a chegada de um irmãozinho. Tudo fazia com que os dias fossem muito divertidos. As brincadeiras no quintal da casa, as aventuras até o último galho do pessegueiro, os "tesouros" guardados a sete chaves debaixo do colchão. A vida era encantadoramente mágica e feliz.
   Entretanto, o tempo passava sorrateiramente, e com ele a infância foi passando também. As brincadeiras foram ficando para trás, juntamente com a ilusão de que o mundo era perfeito e de que todos os males estariam muito além dos muros de proteção da família.Então ela foi percebendo,que por mais que seus pais fizessem, alguns obstáculos surgiriam, assim como algumas dores, alguns medos, algumas perdas. Perdas que deixavam os dias mais cinzas e vazios.
   Contudo, os sonhos insistiam em povoar seus pensamentos e se enredavam com as imagens dos dias onde toda a família se reunia, de onde ela poderia resgatar, lá do fundo da memória, as sensações de aconchego e amparo vividas em um tempo em que a vida era leve e feliz.
Rosiane Maria
Enviado por Rosiane Maria em 28/01/2018
Reeditado em 29/01/2018
Código do texto: T6238700
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Sobre a autora
Rosiane Maria
Santa Cruz do Sul - Rio Grande do Sul - Brasil
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Rosiane Maria