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A fuga de um cachorro chamado Spaike

Dez horas da noite, e por uma hora alguém chama aos berros:
- Spike! Spiiike! Spaaaaike!

O cachorro que leva esse nome saiu logo pela manhã, após uma velhinha que é espírita o deixar para dar suas cagadinhas e mijadinhas matinais.

Pelo dia, ouvi a velhinha quase sem voz chamá-lo como de costume. Ocorre que entre uma cheirada e uma mijada o dog se afastou, e por um tempo sumiu no horizonte.

Mesmo com a voz cansada, a velhinha chamava-o incansavelmente. Daqui de onde habito, pude ouvir o tom do chamado que ia recrudescendo aos poucos.

Após umas meia hora de grito ao cachorro, agora a noite, ouvi uma moça que o procurava, era a filha da velhinha designada na missão de busca após labuta de um dia inteiro trabalho. Em alguns momentos, quando ela gritava o seu nome, ouvi cachorros respondendo.

Por outro lado, honestamente eu não sabia se o tal do Spaike estava preso em alguma casa, ou se os cachorros estavam se solidarizando com a moça a ponto de fingir identidade falsa pela voz de clamor. E como as coisas eram incertas, resolvi apostar que ela invadiria alguma casa só para saber se o animalzinho habitava naquelas residências.

Na caçada ao cachorro, junto com a moça gritava um homem que ajudava a fazer o refrão pela volta do cachorro. Fiquei intrigado em saber se ele estava triste ou alegre pela fuga do cachorro, porém, o tal cidadão cumpria seu papel de solidário as onze horas da noite entoando uma voz grave que se misturava ao agudo transformando a pacata noite num coral de desespero. Há essa altura eu só pensava se o cachorro estava feliz com a liberdade.

Quem ouvia o chamado da moça numa frequência de um grito a cada três minutos não imaginava o tanto de furor que se desenvolvia naquela falta. Durante um tempo se podia ouvir o grito da moça se afastando até onde os ouvidos não alcançavam. Passou-se algum tempo e o suspense continuava, e durante muito tempo, nem a moça nem o cachorro retornaram para casa, o que despertou minha curiosidade.

Apesar de não saber se a moça voltaria com o cachorro, como de costume, minha mente começava a calcular. Pensei, agora vou poder afinar meu violão sem latidos. E por outro lado, lembrei de um cachorro meu que fugiu. Tranquei ele por um tempo, mas, não deu certo. Ou ele queria a liberdade, ou não me aguentava, estava no cio, ou nenhuma das alternativas.

No caso da moça, não sabia o que o cachorro queria, e no meu caso, teimo em dizer que era a liberdade, que por conta dele, acho que não durou muito, pois, pela beleza do seu pêlo, muitos queriam tê-lo na estante ou no sofá. Por isso mesmo, desconfio que os cachorros gostam da mesma liberdade dos humanos, de sair, dar uma voltinha, quem sabe dar uma trepadinha, falar com outros cachorros, sei lá, coisa de cachorro que não é muito diferente dos racionais.

De qualquer modo, faz mais de uma hora que a moça saiu para caçar o cachorro. Há essa altura, não sei se o cachorro não aguentava mais a prisão ou foi vítima da rua. Caso o cachorro tenha ganhado a liberdade, podemos provar pelos primeiros passos depois da cagada. É certo que Spaike queria dar uma volta, só não sei até onde ou quando. E por outro lado, parece que ele sempre sonhou com essas voltas, pois, sempre que ele saia, a moça chamava-o ininterruptamente até ele retornar.

De modo que para ele (spaike) era sempre uma mijadinha rápida até onde os olhos ou o tempo pudesse cercar a longitude para alcançá-lo. Porém nessa manhã, a velhinha não tinha pernas nem voz para caçá-lo, então, faz doze horas que o tal do cachorrinho está sumido.

Outra coisa me vem a cabeça, lembro que a moça comentava que o dogão era raça pura, não lembro de que, mas, pura. Coisa de adorador que acredito. Todavia, não sei se ela procurava o preço, o amor ou ambos.

continua depois....
Homeritzei
Enviado por Homeritzei em 13/03/2018
Reeditado em 13/03/2018
Código do texto: T6279128
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Homeritzei
Salvador - Bahia - Brasil
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