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QUE BELAS PERNAS!


QUE PERNAS!!!

Recordar é viver...

Eu tinha quinze anos quando esta história ocorreu. Estava no Largo Paissandu, em S. Paulo, isto no inicio da década de 50. Ia pegar o ônibus Circular Avenidas, que fazia seu ponto de embarque próximo ao Bar Ponto Chique, famoso por seus quitutes, foi lá que se deu o nascimento do Sanduíche Bauru – Bauru, era o apelido do cozinheiro, por sua origem da Cidade Paulista- Ele era criativo, foi um dos baluartes do sucesso do bar, freqüentado pela elite Paulistana.
Esse bar existe ate hoje no mesmo lugar.
O largo Paissandu era na ocasião o centro da chamada cinelândia.
A cinelandia compreendia o quadrilátero formado pelo Largo Paissandu, as Avenidas S. João e Ipiranga e as Rua Barão de Itapetininga e Conselheiro Crispiniano.
Ali se encontravam os mais belos e luxuosos cinemas da cidade de S.Paulo. – Cine Ipiranga – Marrocos – Paissandu – Olido – Art Palácio – Marabá – Metro, e outros de menor importância, mais também luxuosos.
Para se ter uma idéia do requinte, para assistirem as exibições, sempre noturnas, aos Domingos e Feriados tinham exibições, chamadas de Matines, os homens iam de terno e gravata e as mulheres aparatadas como em um desfile de modas.
Reportei-me a cinelandia para se ter noção da importância do bar Ponto Chique nessa época.
Como disse, estava no largo Paissandu, justamente no ponto de embarque do ônibus Circular Avenidas quando fui abordado pelo Dr. Genésio, que parecia estar afoito.
Dr. Genésio era cliente do escritório em que eu trabalhava como auxiliar do contador.
O escritório ficava na Rua Barão de Itapetininga, um andar acima da Confeitaria Vienense, a mais famosa e elegante de S. Paulo, freqüentada pelos Barões do Café, lá se lanchavam ao som de Violino. A Rua Barão de Itapetininga era tida como a mais nobre da Cidade.
S. Paulo na década de 50 era por demais romântico.
Menino que bom vê-lo aqui, falou-me Dr. Genésio.
Surpreendi-me, pois, conhecia-o bem mais nunca tive liberdade com ele. Mesmo com o Contador, meu chefe ele era por demais formal. Estou a seguir a garota que entrou na fila para pegar o ônibus, desde a Praça Ramos de Azevedo. ( a Praça Ramos de Azevedo, onde se localiza o Teatro Municipal, fica no fim do Viaduto do Chá e o inicio da Rua Barão de Itapetininga) – Perdoa-me por tirá-lo da fila, mais tinha que me deter.
Não consigo conter-me quando vejo uma mulher com pernas tão bonitas como as tem essa garota.
Não fosse por minha idade juro que me atreveria a tentar conquistá-la. Falando isso me pegou pelo braço e levou-me ao Ponto Chique. – Vamos, vamos tomar um refrigerante, preciso baixar minha adrenalina.
Esta historia é verdadeira, como também é verdadeiro o que vou lhes narrar. Não tem só pernas lindas a alterar-me a adrenalina, tem a exuberância de um corpo inteiro, carnudo, esbelto, uns lábios vermelhos em uma boca sedenta, seu olhar vivo e malicioso insinuando querer quando me vê, de voz de uma angelical sonoridade e gestos serelepe. Veja como fui irreverente quando abordado pelo Dr. Genésio, achei-o ridículo por ter decido do pedestal onde sempre o via.
Hoje não deixo por menos. Não tenho um menino no ponto do ônibus para cercear-me o impulso, mais tenho na lembrança a semelhança dos fatos. Não fosse por minha idade me atreveria tentar conquistá-la.


angelo martins
Enviado por angelo martins em 29/08/2007
Código do texto: T629058

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Sobre o autor
angelo martins
Ponta Grossa - Paraná - Brasil, 82 anos
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angelo martins