INTÉRPRETES OU "HERDEIROS" DO EXISTENCIALISMO



O existencialismo não é uma filosofia fácil de ser entendida. (O certo seria "estudar" melhormente Hegel, Kant, Sartre... talvez Camus.)

Nosso amálgama de raças e cores, "Brasil coloridinho", no conceito de minha AMIGA carioca Geminiana, funciona, tudo junto e misturado, e gente radical acaba se perdendo, aderindo ao conjunto, queira ou não, mesmo sem apoiar-concordar, porque as ruas e as pessoas são livres e não há lei preconceituosa que nos impeça de utilizar 'caldeirões' miscelânicos. Ah, o carnaval e as praias ditas democráticas! E os trens, ônibus e barcas? As filas /mil tagarelices e risadas sadias.../ e o comércio em geral.

Em 1922, houve a Semana de Arte Moderna, reunindo em São Paulo artistas num sentido geral - os que escreviam, os que pintavam... O partipante HEITOR (o VILLA dos chorinhos), jovem e talentoso, estava com um pé inchado, talvez engessado - consta que ácido urico - viajou do Rio para lá, e, de casaca preta formal e um chinelo, compareceu ao evento, apoiado num guarda-chuva fechado à guisa de 'bengala' e tocou piano assim mesmo /comum durante longo tempo, com respeito, um pé em cada tipo de calçado, um deles acidentado... as pessoas não eram ridicularizadas porque talvez o outro já tivesse feito antes - hoje é chinelo de borracha/... O super musicista não estaria "lançando moda" nem desafiou o status quo; assim, ficou no ar o suspense deste significado: "Ah, modernista é isso?!..." Ainda sem Facebook, a pergunta ficou sem resposta......... E cada vez mais Heitor brilhante nacionalista!

Aí, guerra na Europa, ainda não tempo de redes sociais, jornais eram escassos. Não tempo de discutir verdade X fake new. No Brasil, o programa "Repórter Esso" da Rádio Nacional do Rio de Janeiro estava mais interessado nas notíciais reais "aliados versus nazis" que em iscutível filoofia. Paris invadida, de 1940 a 1944, e o combinado foi "fazer-de-conta-que-não-estava-acontecendo-nada-diferente" - forma de irritar inimigo é a indiferença, vulgarmente diz-se 'não-fede-nem-cheira', antigo provérbio lusitano... ou seja, negar-lhe a existência: intelectuais reunidos, teatros e cafés abertos (ainda não tempo de telenovelas, hoje todo mundo dentro de casa), comportamento 'quase' normal. Existencialismo fluindo e reunindo. Encantadoras Gréco, Piaf... Há dois tipos de cantoras em trajes negros - fadistas portuguesas, o chorar sobre o amor desiludido, e as francesas nem sempre nostálgicas. Sim, a imagem existia - ou excesso de tinta para restaurar um traje mais usado (ousado é "outra coisa") ou charme... mas era assim artisticamente na França do foie gras e do champanhe fácil. Ainda sem tevê ao vivo para imitação imediata pelas mulheres... longe do arco-íris, feminismo versátil.

Fim da guerra, acesso maior a notícias internacionais, idem divulgação maior do... existencialismo. Livros, os famosos romances de SARTRE, os olhos azul-gelo e o charmoso turbante de SIMONE /ela gostava, e daí?/... porém a nível de alegre população (feliz eternidade!) não houve total ou mini clareza sobre o tema, independente do tamanho da cultura das pessoas. (Mal davam conta de saber a honestidade e a intenção do antigo Cabral - redescobrir o Brasil cujo solo já abrigara *habitantes europeus... antes de 1500.)

Carnaval livre e popular. A partir de 1945, começou a surgir a fantasia de... e-xis-ten-ci-a-lis-ta - fosse lá o que fosse, clubes tocavam as músicas carnavalescas, cheios os salões dos clubes... todo mundo 'pulando' ao som de pequena ou grande orquestra ao vivo. Bailes infantis e noturnos para adultos.

Assim, apesar das décadas, reunindo a antiga imagem do maestro à imagem que 'se fazia' do existencialista, o traje momesco era inteiriço, de cetim preto, casaca elegante, calça comprida comum a todos - para homens, ponto de interrogação pintado na testa e mulheres com as costas nuas, o mesmo ponto de interrogação. Todo mundo em traje negro! Nem o ponto de interrogação era de outra cor. Ah, e contrastante chinelo /sem a menor conotação política, à esquerda ou à direita?/ de um lado só......... Há de existirem fotos.

Alguns anos e em outras fantasias retornou o nosso amado multicolorido tropicalista.

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EU, narrador, nasci décadas depois, tempo dos hippies, era bebezinho, não me vesti como tal, tendo que crescer e pesquisar também sobre predecessores beatniks...

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NOTA DO AUTOR:

*Relativo segredo governamental sobre frota portuguesa de 8 navios que aqui chegou em 1498, às escondidas dos espanhóis (inesquecível e na ideia de fazê-lo 'confundível' Tratado de Tordesilhas), vaga exploração no Pará e no Maranhão, ainda sem "cartão de ponto" - depois, Cabral - 33 anos de idade - tomou posse do título de Descobridor.

F I M
Rubemar Alves
Enviado por Rubemar Alves em 14/10/2018
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