BOMBONS (85, 84, 83........) NA FILA DE ESPERA

O CASAL. Memória-relato do início dos anos 50. Gente do Rio. Moravam no mesmo bairro, Catumbi, perto do centro da cidade, mas se conheceram no local de trabalho, loja de departamentos, nove andares. A queria namorar B (cansado de ser solteiro...) e ELA não queria. Aí, ELE inventou uma tal "madrinha de namoro", alguém para convencer a moça a aceitá-lo. Presenteou a amiga C com uma grande caixa de bombons e esta colaborou. Bom, casar... até casaram, mas num tempo recorde ELA se apaixonou por um mascate estrangeiro que oferecia objetos exóticos de porta em porta e lendariamente fugiram para a Turquia nas asas de um Pavão Misterioso.

A CAIXA. Bombons arrumados em três camadas de trinta unidades, separadas por uma cartolina - como brinde, na parte inferior um quadro de parede. A fulana comeu um bombom, miseravelmente distribuiu quatro entre os familiares da casa e guardou a caixa no móvel da sala, todo de vidro. Caixa-tentação, inverno, papel-alumínio, não se derreteriam; de tempos em tempos, contava os 25 bombons da primeira camada... A garota da casa, moleca esperta, não poderia tirar bombons da parte de cima sem ser notada e convenceu a prima a tirar as separações de cartolina. Bombons agora todos misturados, acabou a tese segura de "85" iniciais.

NOTA DO AUTOR:

"O Romance do Pavão Misterioso" - texto clássico nordestino de literatura de cordel (folhetos sempre redivivos!), 141 estrofes, autor JOSÉ CAMELO DE MELO, 1923. Tema da telenovela "Saramandaia", 1976.

F I M

Rubemar Alves
Enviado por Rubemar Alves em 19/01/2019
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