Ultimamente tenho sido inimiga das janelas. É tanto barulho e poeira que entram... que não mais abro janelas... Vivemos imerso no fosso feudal de nossas casas... Incapazes de interagir ou mesmo entender a fazurca que o vizinho produz. Por vezes, achava que pessoas que cometiam desatinos e matavam a sangue frio eram fascínoras... ou doentes mentais. Hoje, refletindo melhor, percebo que as decepções, as agressões e a violência banalizada e diária vai pouco a pouco sedimentando ódio e intolerância. E, antes que você pense que onde vivo respeita-se a lei de silêncio, esqueça! Pois, não há por aqui, polícia para coibir a perturbação dessa natureza, até por ser delito de menor potencialidade. A derradeira vez que liguei para Polícia, ouvi um sermão bem caprichado sobre a prioridade de atendimento em razão da gravidade dos crimes. E, me resignei... mas sinceramente, se estivesse nos EUA ia dar uns tiros nem que fossem para o alto para dispersar tamanha balbúrdia. Hoje entendo os que enlouquecem com mau comportamento de vizinhos.... No Texas, nos EUA, o vizinho deu um tiro na cabeça do outro, motivado pelas inúmeras vezes que derrubou sua caixa de correio e destruiu o seu jardim. O ódio era tanto que o sujeito literalmente babava. E, mal conseguia falar. O racional se esvaziou, e só restou mesmo, o nosso âmago animalesco que quando provocado pode provocar tragédias. Sem janelas, fechados para o mundo, vivemos em cubículos tentando sobreviver com alguma dignidade.
GiseleLeite
Enviado por GiseleLeite em 21/05/2019
Reeditado em 21/05/2019
Código do texto: T6652793
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