Fanfic - She-Ra e As Princesas do Poder - Lágrimas Sobre Etéria - Capítulo 1

Um pouco sobre a Fanfic:

Como boa parte dos escritores amadores, gosto muito de escrever fanfics, por isso, acabei escrevendo uma fanfic da nova animação da She-Ra, que eu tinha publicado no WattPad e no meu blog, mas como desejo alcançar um número maior de leitores para saber suas opiniões, ou apenas conseguir entreter os fãs da nova animação da She-Ra, tomei coragem de publicar aqui.

Algo que sempre tenho que avisar ao lidar com fanfics é que: Eu não tenho os direitos autorais de She-Ra e faço isso de fã para fã.

A sinopse: Depois do ocorrido na primeira temporada de She-Ra e As Princesas do Poder, Adora e Felina acabam por terem sonhos parecidos, que as levam a um lugar em que elas podem se reencontrarem, mas não como inimigas. Será que os sentimentos de uma pela outra finalmente vão florescer?

Como se pode notar pela sinopse, se trada de uma fanfic Felinadora (ou Catradora, no original em inglês). Eu escrevi essa fanfic no começo do ano passado e quis manter ao máximo o ritmo da série animada. Os ocorridos nas temporadas seguintes devem serem ignorados.

Por se tratar de uma fanfic Felinadora, peço desculpas caso tenho colocado algo errado ou homofóbico sem querer, pois, eu sendo um homem hétero que tenta ao máximo não ser preconceituoso, ainda assim posso deixar algum erro do tipo passar.

Espero que goste.

Lágrimas Sobre Etéria

Por Paulo Martins

Capítulo 1

Sonhos

Os gritos de vitória ainda ecoavam por toda Lua Clara, enquanto as tropas da Horda fugiam com a maior derrota que eles já sofrerão, mas alguém em Lua Clara não estava comemorando, era Adora, que apenas observava sua melhor amiga, Felina, saindo em retirada ao lado de Scorpia. Mesmo depois de tudo, Adora continuava a ver Felina como sua melhor amiga. Mesmo depois das várias tentativas de assassinatos por parte da Felina. Mesmo depois da Felina de feito os amigos da Adora de refém, o que levou à morte de Entrapta. Adora não conseguia perder a esperança de trazer Felina para o seu lado e esse pensamento fez ela levar uma mão sobre o coração, como se tentasse diminuir alguma dor que sentia.

— Está tudo bem? — perguntou a Cintilante, enquanto Adora voltava a sua forma normal, já que a She-Ra não era mais necessária.

— Sim... Vamos ajudar os feridos.

As princesas ajudaram um pouco a reparar os estragos causados pela Horda, mas logo cada uma foi seguindo para seu reino, pois elas temiam alguma forma de retaliação da Horda, mesmo elas possuindo uma poderosa aliada e a Cintilante insistindo para elas ficarem para a festa de comemoração, que deixou o Arqueiro empolgado, fazendo-o criar planos sobre a festa. Ângela não gostou muito da ideia de fazer uma festa tão cedo por causa dos feridos, mas logo acabou por ceder devido a insistência da filha e por muitos em Lua Clara gostarem da ideia.

— Você vai gostar da festa — disse a Cintilante para Adora, que ainda parecia distante em seus pensamentos. — Vou pedir para prepararem comidas que você não experimentou ainda. Vai ter música e...

— Acho que a Adora está cansada — comentou o Arqueiro, ao notar que a amiga não parecia prestar atenção no que a Cintilante falava.

— Não estou — discordou a loira, tentando mostrar que estava tudo bem. — Só estou um pouco distraída...

— Com o quê? — questionou a Cintilante.

— Sabe que pode contar qualquer coisa para gente — avisou o Arqueiro, sem esconder sua empolgação. — Somos os Melhores Amigos Para Sempre.

— Não se preocupem comigo. — Adora forçou um sorriso. — Vamos comemorar. Tenho certeza que a Horda vai demorar para reagrupar e atacar.

— Poderíamos ter feito alguns prisioneiros — disse a Cintilante, socando a própria mão. — Tenho certeza que a Horda não saberia o que fazer sem um ou dois capitães...

— Capturar a Felina? — A voz da Adora saiu quase como um sussurro.

— Isso mesmo. Ela seria perfeita como prisioneira, principalmente por vocês já terem sido amigas.

— Será que com tempo ela se uniria aos Melhores Amigos Para Sempre? — perguntou o Arqueiro, criando um turbilhão de pensamentos conflitantes na cabeça da Adora, que novamente voltou a aparentar está distraída. — Não gostou da ideia? É que eu pensei; já que vocês cresceram juntas e já foram tão próximas... não deveriam jogar tudo isso fora. Eu não desistiria dela...

— Mesmo depois de tudo o que ela fez?! — exaltou-se a Cintilante, enquanto algumas pessoas agradeciam a Adora pela vitória. — Ela nunca vai se unir a nós. Felina é ruim, assim como a Horda. Depois de hoje isso não vai mudar.

— Você tem razão, a Felina é da Horda... — disse a Adora, indo entrar no palácio, pois a noite já estava chegando. — Ela sempre foi e sempre será.

Adora não concordava com isso, mas era difícil não pensar assim, depois de tudo o que aconteceu. Felina tentou me matar e ela acabou causando a morte da Entrapta, pensou ela, ficando frustrada.

— Você concorda com fazer prisioneiros? — perguntou o Arqueiro, demonstrando um pouco de espanto. — Ou pior?

— Estamos em guerra com a Horda — respondeu a Adora, enquanto eles caminhavam pelos corredores do palácio. — Depois de hoje não sei se seria possível trazer a Felina para nosso lado. Deveríamos tê-la feita prisioneira.

— Uau! Adora! Não esperava que você concordasse com isso — disse a Cintilante, achando estranho jeito da amiga de pensar. — O que aconteceu com vocês nas ruinas dos Primeiros?

— Muita coisa.

A festa foi perfeita, mesmo para algo feito às pressas depois de uma terrível batalha, mas Adora não conseguiu aproveitar muito, o que começou a irritar a Cintilante, principalmente na hora do banquete na sala de jantar do palácio, em que também estavam presentes Ângela e Arqueiro. Todos estavam sentados à mesa. Adora parecia não prestar atenção no que a Cintilante falava, apenas ficava brincando com a comida.

— Está tudo bem? — perguntou a Ângela, ao notar que algo estava errado.

— Sim — respondeu Adora, bebendo um pouco de suco em seguida.

— Não está não — discordou a amiga dela. — Nem escutou meu plano de atacar a Horda, já que eles estão fracos devido a derrota.

— Cintilante! A Rebelião também está fraca e cansada — lembrou a Ângela, voltando sua atenção para a Adora em seguida. — E a gente só ataca se for necessário.

— Tudo bem, mas ainda acho a melhor estratégia. Podemos pegar eles desprevenidos.

— Adora, pode contar para mim o que a preocupa. — Ângela sorriu. — Não sou sua mãe, mas posso te ajudar com coisas do tipo.

— Apenas quero descansar. — Adora se espreguiçou, fingindo está muito cansada.

Ela se retirou até seu quarto e deitou de qualquer forma em sua cama. Antes de dormir, ela olhou para os sacos de dormir de seus amigos. Adora ficou de costas para pode olhar o teto. Ganhamos a batalha, mas acho que a perdi para sempre, pensou ela, enquanto levava uma mão sobre o peito do lado do coração. Logo Adora adormeceu.

A luz forte do sol fez a Adora acordar e tentar proteger seus olhos com uma mão. Ela olhou em volta e se viu em uma clareira, que formava um círculo e era rodeada pelo que parecia ser a Floresta do Sussurro, o que a fez se levantar assustada e procurar sua espada, mas não encontrou. Ela notou que estava no centro da clareira e que ela era toda coberta por uma grama verde com várias flores coloridas, sendo elas todas de vegetação rasteira. O céu do lugar estava bem azul e o sol, mesmo parecendo forte, não estava muito quente. O lugar era muito agradável.

— Que tipo de magia é esta? — perguntou-se Adora, passando o pé na grama como se tentasse ver se era real.

No horizonte norte ela viu uma figura feminina se aproximando, o que a fez correr até a figura.

— Adora — cumprimentou a Felina, mas de uma forma que fazia tempo que a Adora não ouvia, pois não havia deboche na voz da ex-amiga. — Que lugar é este?

— Felina! O que você fez?! — Adora não conseguiu esconder o espanto de ver sua ex-amiga naquele lugar.

— Eu que pergunto, já que você que tem toda essa magia estranha...

— É algum plano da Sombria?!

— Claro que não. — Felina reparou bem na Adora e notou que ela estava sem a espada. — Vejo que você está indefesa.

— Quer tentar a sorte?! — Adora já estava em posição de luta.

Felina começou a gargalhar, o que contagiou a Adora. As duas caíram sentadas na grama florida. Uma sensação de nostalgia parecia dominar aquele lugar.

— Acho que estou sonhando — reparou a Adora.

— Eu também.

— Aqui não precisamos lutar.

— E o que vamos fazer se não for lutar?

— Não sei... Conversar?

— Conversar? — Felina pulou ficando em pé. — Vamos correr. Olha este lugar.

Sendo puxada pela mão, Adora se levantou e correu atrás da Felina, que parecia não escutar as reclamações da loira.

— Vamos ver quem é a mais rápida? — sugeriu a Felina, já saindo na frente.

— Claro que sou eu! — Adora se esforçou para correr mais rápido.

As duas ficaram correndo e rindo, até a Felina tentar trapacear no momento que elas estavam voltando para o centro da clareira. Felina tentou empurrar Adora, mas quem caiu foram as duas. Elas não se machucaram, deixando claro isso por suas risadas. Elas ficaram deitadas de costas uma do lado da outra e começaram a observar o céu com algumas nuvens passando.

— Por que você não se rendeu e se entregou? — perguntou a Adora, de uma forma bem séria.

— Ainda precisando de respostas? — Felina ficou de lado para poder fitar a Adora. — Não acha que depois que eu tentei te matar, te ferir e até causei a morte da Entrapta a resposta ficou clara?

— Não consigo acreditar que você se tornou isso. — Adora balançou a cabeça em negação. — Você não é isso. O que você se tornou foi culpa da Sombria... Eu sei que ainda posso fazê-la entender...

— Para eu me unir a sua Rebelião? — Felina começou a ficar irritada. — A velhota não é responsável pelo que eu me tornei...

— Então quem foi?

— Você ainda pergunta.

Adora se sentiu culpada pela Felina. Se eu estivesse ficado... Não! Se eu tivesse ficado as atrocidades da Horda continuariam, pensou ela, sacudindo a cabeça em seguida.

— Felina, você ainda pode mudar... Eu sei que pode ao meu lado.

A ex-amiga se sentou e abraçou as pernas, deixando os joelhos próximos ao rosto, deixando claro que ela estava pensando sobre o assunto.

— Você gostou de crescer na Zona do Medo?

Sem saber o que responder, Adora parecia pensar em algo. Ela se lembrou que todos os bons momentos que passou naquele lugar tão nocivo foram os com a Felina.

— Não precisa responder — disse a Felina, demonstrando muita tristeza pelo seu tom de voz.

— Sim! — Parecia que Adora tinha colocado para fora algo que a sufocava. — Mas só por você está ao meu lado! Eu... sinto a sua falta.

— Também sinto a sua falta, mas não podemos ser como erámos. Não depois do que eu fiz. Não depois de você me abandonar...

Adora se sentou e passou um braço por trás da ex-amiga.

— Ainda podemos. Se entregue para Rebelião. Ângela vai ser misericordiosa...

— Os seus ferimentos já curaram? — perguntou a Felina, tirando o braço da Adora de suas costas. — Boa parte deles vão ficar cicatrizes e boa parte deles foram eu quem fiz...

— Não vão ficar. Ainda sinto que posso trazê-la de volta para mim...

A risada de deboche da Felina deixou a Adora confusa.

— Trazê-la de volta para você? Então não me quer na Rebelião? Apenas me quer ao seu lado?

— Sim! — Adora foi dominada por uma sensação que fez até algumas lágrimas se formarem em seus olhos. — Eu quero você ao meu lado...

— Então você gosta de mim?

— Gosto e sinto a sua falta.

Novamente Felina riu em deboche, enquanto se levantava. O clima do lugar parecia mudar, como se a qualquer momento uma tempestade fosse cair. Os ventos sobravam de forma nervosa, raios cortavam o céu, o som dos trovões ecoava por toda parte e algumas gotas de chuva começavam a cair.

— Mesmo depois que eu te invejei? — A chuva finalmente se intensificou.

— Sim.

— Mesmo depois que eu te machuquei?

— Sim. — Adora já estava aos prantos.

Felina se abaixou para poder olhar nos olhos da ex-amiga. Seu semblante parecia calmo.

— Mesmo depois que sequestrei seus amigos?

— Sim.

— Mesmo depois que sua amiga morreu na Zona do Medo?

O barulho dos trovões fez a Adora esperar para responder:

— Sim!

— Mesmo depois que eu tentei te matar várias vezes?

— Sim.

O rosto da Felina estava bem próximo do da Adora, que sentia seu coração batendo muito rápido.

— Mesmo depois que quase destruí Etéria?

— S-sim...

— Por que você não desiste de mim?!

— Não posso!

As duas estavam confusas com o que estavam sentindo e colocaram uma mão sobre os seus peitos do lado do coração.

Felina perguntou:

— Por quê?!

— Eu... — Adora parecia juntar coragem para responder, e foi o que ela fez, mas só depois do que para ela pareciam minutos, mas foram apenas segundos: — Porque... eu te amo!

A ex-amiga dela ficou confusa com a revelação, mas não teve tempo de reagir, pois Adora acabou beijando seus lábios. Delas um turbilhão de vento fez a tempestade parar. Era o momento mais maravilhoso que a Adora tinha sentido em toda sua vida e ela sabia que o mesmo era com a Felina. Mesmo aquilo parecendo ser um sonho ela sabia que aquela sensação era real.

Depois que se livrou do beijo, Felina viu as gotas de chuva paradas como se a tempestade estivesse em pausa.

— Eu sei que você sente o mesmo — disse a Adora, ao ver a expressão confusa da ex-amiga.

— Não, não, não, não! Está tudo errado! Não podemos! Depois de tudo o que eu fiz com você! Você não pode me amar!

— Eu não me importo! Sei que ao meu lado você pode se redimir de tudo o que fez.

Os olhos da Felina estavam cheios de lágrimas, algo que fazia tempo que a Adora não presenciava.

— No final eu sou da Horda — lembrou a Felina, enxugando os olhos com os dedos. — Você é a She-Ra da Rebelião.

— Não! Você é a Felina e sou a Adora.

A ex-amiga deu as costas para Adora, que foi forçada a se levantar.

— Você simplesmente não pode dar as costas a isso e ir embora! Eu te amo e não vou... — Uma dor muito forte fez a Adora olhar para baixo. A tempestade saiu de seu estado de pausa, enquanto a Adora via suas mãos sobre o estômago sem encharcarem de sangue. Sua visão começou a ficar escura. — O que você fez?!

— Não podemos ficar juntas — respondeu a Felina, saindo correndo com uma mão suja de sangue e com os olhos cheios de lágrimas.

Adora caiu de bruços tentando estancar o sangramento e parar com a dor que sentia, mas uma dor muito mais forte a dominava; era a dor em seu coração, que não era uma dor física.

— Felina! Eu te amo! Felina!

— Adora! Está tudo bem?! — perguntou a Cintilante, sacudindo a amiga.

— O que ela tem? — perguntou o Arqueiro.

Finalmente a Adora despertou. Ela parecia abatida e assustada, notando que já era dia por causa da luz que entrava em seu quarto.

— O que aconteceu?! — perguntou ela, se sentando na cama e já procurando a espada.

— Você estava muito agitada dormindo — respondeu o Arqueiro, parecendo muito preocupado.

— Estava chamando a Felina — acrescentou a Cintilante, fazendo a Adora voltar a si e se lembrar do sonho.

— O que eu falei?! — Adora pulou da cama, já ficando corada, pois já imaginou que seus amigos escutaram ela falando muito mais.

— Felina! Eu...

Antes do Arqueiro terminar, Cintilante tapou a boca dele e riu.

— Eu vou te derrotar! Foi o que você disse. — A princesa de Lua Clara forçou uma risada, fazendo o Arqueiro entender que era melhor não contar.

Como uma visão, Adora viu as ruinas da Cidadela dos Primeiros. Algo parecia querer que ela fosse até aquele lugar o mais rápido possível.

— Você está assustando a gente — disse a Cintilante.

— Como? — perguntou a Adora.

— Você ficou parada de repente.

— Eu tenho que ir...

— Para aonde você vai? — perguntou o Arqueiro, já se preparando para ir também.

— Também quero ir — convidou-se a Cintilante.

A amiga dos dois forçou um sorriso e começou a colocar algumas coisas em uma mochila vermelha.

— Acho que tenho que fazer isso sozinha...

— Vai voltar para aquele lugar na floresta? — perguntou o amigo, demonstrando não gostar muito ideia.

— Talvez. Só sei que é importante e tenho que fazer isso sozinha. — Adora fitou os amigos desapontados. — Não precisam ficarem preocupados. Vou levar a espada e o Ventania vai comigo... Pelo menos ele vai me levar até o local. Qualquer ataque da Horda estarei aqui em um piscar de olhos...

— Não é isso que me preocupa — disse a Cintilante, enquanto a Adora continuava a recolher coisas que ela achava importante levar em sua jornada.

— Estamos preocupados com você — revelou o Arqueiro. — Tenho certeza que tem algo a ver com a Felina. Somos seus amigos e podemos te ajudar com isso.

— É! Podemos! — Cintilante demonstrava muita empolgação.

— Não podem! — Adora acabou se exaltando no momento que fechou a mochila. — Desculpa. Eu tenho que fazer isso sozinha. Não precisam se preocuparem. Logo estarei de volta.

Adora saiu do quarto com muita pressa, deixando seus amigos preocupados para trás.

Na Zona do Medo. Felina tinha acabado de falar com o Hordak por causa da derrota dela.

O trio composto por Felina, Scorpia e Entrapta estavam caminhando pelos corredores da Zona do Medo. Não havia como não notar o semblante preocupado da Felina. Algo claramente a incomodava.

— O que vamos fazer agora? — perguntou a Scorpia, mas para começar uma conversa do que para demonstrar interesse.

— Também quero saber o que vamos fazer? — perguntou a Entrapta, sem dar muita atenção por estar pesquisando algo em seu computador.

— Eu estou machucada, suja e cansada — disse a Felina, parando na frente de uma porta. — Vou descansar um pouco...

— Então podemos descansar? — perguntou a Scorpia, já quase pulando de alegria.

Felina soltou uma risada de deboche.

— Eu vou descansar. Vocês vão pensar em algum plano para deter Adora e a Rebelião.

— Acho que destruir Etéria não é mais uma boa opção — comentou a Scorpia.

— Esqueçam esse plano. Ele só serviu para a Entrapta conseguir alguns dados...

— Alguns?! Foram muitos! Não vejo a hora de fazer algo com tudo isso.

— Faça algo para deter a Adora.

— Isso mesmo! — concordou a Scorpia, muito empolgada. — Vamos deter a Adora e trazê-la como prisioneira para a Felina. Tenho certeza que ela vai gostar de ter a amiga de volta, mesmo como prisioneira.

A Felina ficou muito irritado com o que ouviu, mas apenas bufou.

— Ou podemos dissecá-la. — Entrapta já estava com um bisturi em um de seus rabos-de-cavalo, que estava com a forma de uma mão.

— Não quero ninguém dissecando a Adora — discordou a Felina, fazendo a Entrapta guardar o bisturi, desapontada. — Só vamos derrotá-la...

— Você pretende... — Scorpia fez um gesto passando uma mão na frente do pescoço.

— Não sei!

— É que estamos em guerra e temos que pensar em coisas assim se ganharmos — insistiu a Scorpia.

— Isso é bem sério — disse a Entrapta. — Elas me abandonaram, mas acho que é um pouco extremo. Mesmo eu podendo dissecá-la. — Novamente ela mostrou o bisturi.

— Apenas quero mostrar para ela quem é a mais forte tirando tudo dela. Vocês não têm um trabalho para fazerem?

Felina finalmente entrou no quarto. Ela se deitou, mas não conseguiu dormir naquele quarto para Capitão da Força, por isso foi para seu antigo alojamento e deitou no lugar que era da Adora. Ela fitou o desenho arranhado na parede e ficou deitada de costas. Felina não conseguia parar de pensar na Adora, principalmente no que a Scorpia tinha dito há pouco. Ao pensar em tirar vida da antiga amiga ela sentiu uma imensa dor. Era a mesma dor que sentia em todas as vezes que a feriu. Tenho que ser forte, pensou ela antes de dormir.

Uma brisa fez a Felina acordar. Ela pulou e olhou em volta, já pronta para qualquer combate, mas apenas viu que estava em uma clareira que formava um círculo e era cercada pelo que parecia ser Floresta do Sussurro. O local era coberto por uma grama que parecia queimada pelo sol, pois estava amarelada. Ao olhar para céu, Felina notou que era fim de tarde. Ela estava no meio do local e ao olhar para o sul, viu uma figura feminina se aproximando, o que a fez correr até ela.

— Felina! — chamou a Adora, surpresa com a ex-amiga.

— Oi, Adora. Vejo que está com sua espada.

— Não vim aqui para lutar.

— Cansou de apanhar?

— Não. — Adora começou a olhar em volta.

— Que espécie de magia estranha você fez agora? — Felina começou a olhar em volta.

— Não é coisa da Sombria?

Felina começou a gargalhar.

— A velhota não está mais no comando. Eu dei um jeito nela...

— Você...

— Não! Apenas a derrotei.

Adora sorriu para a Felina.

— Fico feliz em saber que você ainda não passou do limite...

— Sério? Acha que eu não passei do limite?

— Espere um pouco — pediu a Adora, olhando em volta e depois ficando parada para sentir a brisa do lugar. — Que lugar mais agradável, não acha?

— Parece tão familiar — disse a ex-amiga da Adora.

— Vamos ver se você ainda é a mais lenta? — provocou a Adora.

— Não brinco mais assim. — Felina sentia vontade de correr atrás da amiga.

— Não seja chata.

A ex-amiga da Adora parecia decidida, mas Adora insistiu e tentou puxá-la pela mão, mas a Felina não quis e ao puxar de volta acabou fazendo as duas caírem no chão. Elas ficaram deitadas de costas e de repente começaram a rir. Felina não queria demonstrar felicidade na frente da Adora, mas não conseguiu conter as risadas.

— Estávamos se matando há pouco — disse a Felina. — E olha agora. Estamos em uma espécie de sonho rindo à toa.

— Também acho que isto aqui é um sonho. Se não, já estaríamos se matando novamente.

Felina concordou e ficou fitando as nuvens passando. Ela não queria conversar e nem lutar, apenas sentir aquela sensação de ter a Adora ao seu lado. Sem Horda e sem Rebelião, apenas as duas.

— Também acho. Estava sentindo sua falta. — O que eu estou falando, pensou a Felina.

— Eu sabia que você gosta de mim...

Felina ficou envergonhada.

— Mesmo depois de tudo o que eu fiz ainda continua com isso. Já falei o motivo de ter entregado a espada naquele dia.

Adora se sentou e abraçou as pernas, deixando os joelhos próximo ao rosto.

— Você me perguntou se foi tão ruim crescer na Zona do Medo... Não foi ruim, pois eu tinha você.

— Também acho. — Felina se sentou. — Nós erámos tão inocentes. Uma sempre próxima da outra. Você sempre me deixando em segundo lugar em tudo...

— Já falei que não fazia de propósito. Acho que só queria se a primeira para podermos sair daquele lugar. — Adora ficou triste ao se lembrar de algo. — Não deu muito certo. Olha o que aconteceu; você sequestrou meus novos amigos, me machucou, causou a morte da Entrapta...

— Ela não morreu...

— Como assim?! — A loira ficou surpresa e já foi criando planos em sua cabeça. — Tenho que resgatá-la!

— Não vai adiantar. Entrapta se uniu a Horda por vontade própria. Ela se sentiu traída por vocês e na Horda ela pode fazer o que quiser, como a quase destruição de Etéria.

Adora se espantou ao escutar aquilo.

— Ela foi a responsável por aquilo?! Sabia que todos choraram por ela? Eu chorei por ela...

— Você chorou por mim?

A loira ficou sem palavras por um instante.

— Sempre choro por você. Sei que no fundo você gosta de mim e vai desistir de toda essa sua loucura.

— Eu não gosto de você e se gostasse...

— Se gostasse? — Os olhos da Adora pareciam brilhar.

— Por que você não consegue desistir de mim?

— Eu não posso desistir de alguém como você. Mesmo depois de tudo que aconteceu. Na verdade, não posso desistir de ninguém que é próximo a mim ou já foi.

— É tão difícil fazê-la entender que eu sou da Horda, os vilões, e você é da Rebelião, os mocinhos. Acho que é por isso que você não desiste; tem que mostrar para todos que é uma boa pessoa.

Felina se jogou na grama, desapontada com a Adora.

— Você também não consegue desistir de mim — disse a Adora, se jogando na grama. — Fica querendo dar uma de forte, mas no fundo só está com medo do que realmente sente. Queria que você não tivesse estragado tudo. Eu gosto de você, mas a cada maldade sua fica mais difícil gostar. Acho que no final o que você planejou para me afastar vai dar certo.

— Ponto para mim — comemorou a Felina, rindo forçadamente.

— Apenas admita que gosta de mim — pediu a Adora, ficando de lado para poder fitar a ex-amiga.

— Se eu gostasse e estivesse disposta a fugir com você ao meu lado, você aceitaria? Sem Horda e sem Rebelião, apenas nós duas vivendo por aí.

Adora se levantou espantada e o clima do lugar começou a mudar. O céu ficou nublado, uma ventania começou, raios cortavam o céu causando terríveis trovões. Parecia que uma tempestade começaria logo.

— Sabia que sua resposta seria não — disse a Felina, já deduzindo pelo silêncio da loira. — Quer que eu me junte a você, mas só se for na Rebelião. Eu apenas quero você para mim, mas você não.

— Você me quer?

Felina se levantou e ficou envergonhada, algo difícil da Adora ver.

— E-eu quero. Eu gosto de você.

— Depois de tudo o que você fez, quer que eu acredite assim de repente? Eu quero você ao meu lado, mas preciso que você tente se redimir. Não posso acreditar em você sem ao menos uma prova que isso é verdade.

A chuva começou a cair e ela parecia não incomodar as duas garotas, mesmo com os vários trovões. Não dava para notar por causa da chuva, mas os olhos da Felina estavam cheios de lágrimas.

— A minha prova é que... eu te amo. — Felina pareceu ter colocado para fora algo que estava a sufocando há um bom tempo.

Antes que a Adora pudesse dizer algo ela foi beijada nos lábios pela Felina, que sentiu uma sensação boa. Não era como nada que ela já tivesse sentido antes, mas ela sabia que mesmo sendo um sonho a sensação era real. Um turbilhão de ventania saiu delas fazendo a tempestade parar como se estivesse em pausa.

Adora se livrou do beijo, deixando a Felina confusa, que perguntou:

— Não gostou?

— Espera! É muita coisa para pensar! Se fosse antes de tudo. Antes do ataque a Lua Clara. Não sei o que pensar.

— É simples; vamos fugir.

Adora sacudiu a cabeça negativamente, acertando as gotas paradas no ar.

— Não posso deixar meus amigos. A Horda também não pode ficar impune...

— Só isso que importa para você?! — Felina ficou exaltada e a pausa da chuva passou. — Eu estou disposta a largar tudo o que conquistei para ficar ao seu lado e você só pensa neles e na She-Ra!

— O que você conquistou com o sofrimento dos outros?! — Adora ficou irritada. — Me ferindo e quase me matando?! Sem contar que quase destruiu Etéria! Antes seria mais fácil... mas agora eu preciso que você prove que pode ser uma pessoa melhor! Apenas dizer que me ama e me beijar não é o suficiente!

— Se eu matar cada um dos seus novos amigos, tenho certeza que vai me aceitar de uma forma ou de outra. — Felina notou que a Adora pegaria sua espada a qualquer momento.

— Você mataria para me ter?! Não sei se quero um amor assim.

— Mataria qualquer um que me impedisse de te amar...

Felina sentiu um grande ardor em seu estômago. Ela caiu de joelhos e sentiu outro ardor. Ao olhar para frente viu a Adora com os olhos cheios de lágrimas. A espada estava cheia de sangue a Felina tentou estancar o sangramento em seu estômago, mas era inútil. Ela caiu de bruços e viu a Adora indo embora. A dor era forte, mas a dor que a Felina sentia no coração era muito maior, e não era uma dor física.

— Adora! Eu te amo! Adora!

— Acorda! — gritou a Scorpia, fazendo a Felina abrir os olhos.

— O que aconteceu?! — perguntou a Felina, olhando em volta e vendo a Scorpia e a Entrapta.

— Dia dois. — Entrapta segurava seu gravador. — Meus estudos sobre o sono da Felina demonstram...

— Como assim dia dois?! — perguntou a Felina, enquanto se levantava. — Está me gravando dormindo?

— Sim! Comecei uma noite atrás. É um excelente material de pesquisa. Quer escutar o que você estava falando? Eu deixei gravando até a Scorpia chegar correndo.

Felina ficou envergonhada.

— Não quero! Você não escutou nada de estranho?! Nem você Scorpia?!

— Na verdade eu escutei que você a...

Antes da Entrapta dizer algo, Scorpia a puxou por um dos rabos-de-cavalo.

— Acho melhor deixar a Felina descansar...

— Já descansei. Eu preciso...

Uma visão da Cidadela dos Primeiros na floresta fez a Felina ficar imóvel por um tempo.

— Está tudo bem? — perguntou a Scorpia, soltando a Entrapta.

— Sim... Eu preciso ir a um lugar.

— Quer que a gente te acompanhe? — perguntou a Scorpia, enquanto a Felina colocava coisas em dentro de uma mochila preta.

— Não é necessário. Preciso fazer isso sozinha e vocês têm um trabalho a fazer.

— Sobre o trabalho. — Entrapta, com seus cabelos vivos, retirava os suprimentos da mochila da Felina, que voltava a colocá-los, só conseguindo os manter ali no momento que a Scorpia impediu a Entrapta de continuar. — Eu tive uma ideia para impedir a She-Ra e capturar a Adora. Assim ela poderá ser só sua prisioneira.

— E qual é? — Felina, por seu tom de voz, demonstrou não ter gostado do jeito que a Entrapta falou.

— Posso tentar controlar ela. Já aconteceu algo parecido, mas ninguém tinha controle. Ela vai lutar por nosso lado. Só preciso construir um dispositivo...

— Faça! Eu já vou indo.

— Tem certeza que não precisa da gente? — insistiu a Scorpia.

— Não! Tenho que fazer isso sozinha.

Antes que mais alguém pudesse falar algo, Felina saiu apressada do alojamento.