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A Lenda da Sorte

A morte rondava as cavernosas mentes dos hominídeos vasculares, raça de vampiros e sanguessugas travestidos de fados, maridos das fadas. Elas travestidas de faunas, mulheres dos faunos. Essa raça não tinha crianças, já nascia pronta - tudo filho de chocadeira.
Tensos, não relaxavam nem gozavam. Nem esperando avião.
Procurava ela, a morte, alguma coisa viva para levar para o além, mesmo sabendo que naquelas cabeças nada havia de aproveitável. Êles, os hominídeos vasculares, gostavam de vibrador pancadão e chamar de música a gritaria cantada.Afinal, falta de cérebro não sente agressão. Os mais evoluidos vendiam-se para os políticos e os mais espertos eram políticos, e os mais políticos eram os que faziam do mundo real uma ficção, onde tudo estava em ordem e evoluindo - a educação, a saúde, a segurança, as habitações, o transporte, as ruas, as rodovias, as obras, os salários, o respeito a infância, o respeito aos jovens, o respeito aos trabalhadores, o respeito as mulheres, o respeito aos mais velhos, o respeito aos aposentados, respeito ao meio ambiente, respeito a cultura, respeito a todas as raças, respeito a inteligência das pessoas de verdade, enfim, um mundo de fantasia e de ilusões.
Cansada e decepcionada, a morte, já desistindo de sua missão, vê ao longe um túnel - de 200 metros mas faturado com 2 km - e como é de se esperar, uma luz no fim do túnel, que inclusive não estava no orçamento. Dirige-se, ela, a morte, ao dito túnel e em direção a tal luz que, agora sim, chegando perto se entende o porque do brilho: uma vela acesa e um corpo estendido no chão, com os olhos abertos e um revólver na mão. Era uma armadilha. Nem deu tempo da morte entender - o parasita levantou rápido, apontou a arma, gritou "perdeu" e roubou a foice da morte.
Revoltada, desrespeitada e humilhada, resolveu, a morte, se demitir do seu papel passado, amarrotado e juramentado. Foi vender churrasquinho. E a morte deixou de existir como lenda e tornou-se real. Pra castigar, o todo poderoso transformou-a na lenda da sorte, que anda por aí, com e sem tempêro, procurando. Boa sorte.
Magno De Barros
Enviado por Magno De Barros em 10/11/2007
Reeditado em 26/03/2016
Código do texto: T731373
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Magno De Barros
Anchieta - Espírito Santo - Brasil, 68 anos
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Magno De Barros