Houve um momento que pensei em desistir, o cansaço era tanto, a falta de esperança, a caminhada tortuosa sem ter guarida de ninguém, como a incerteza de que estava no caminho certo. Foi quando parei diante do espelho do quarto, e pude ver nos meus olhos o que o tempo tinha feito, o que eu permiti que essa situação fizesse comigo.

 

Numa viagem que fiz conheci um rapaz que me fascinou. Foi amor a primeira vista. Logo aceitei que ele fosse se aproximando. Começamos a sair e ficarmos mais juntos. Ele era muito divertido, culto, boa aparência e cordato. Uma boa companhia, daquelas que você quer como amigo e paquera. O tempo foi passando e cada vez mais fomos ficando mais íntimos. Resolvemos então que seria bom ficarmos juntos já que estávamos nos dando tão bem.

 

Foi aí que tudo começou. Todo um desencarrilhar de coisas que foi ficando insuportável administrar. O comportamento era descompensado. Um homem com bipolaridade, alcoolismo, manipulador e violento. Foi assim que eu o via. Como nai percebi isso tudo antes. Fiquei assustada e sem saída. Não esperava nunca ter que conviver com alguém com essa natureza. O tempo foi passando e mais e mais ele piorando. Agora desmoronava de vez a situação porque comecei a apanhar por nada. Sair de casa então nem pensar. Um dia decidi buscar a justiça, isso porque tive uma oportunidade da ausência dele em casa. Para a minha surpresa vi que estava completamente desamparada para vencer aquela situação. As leis não eram sustentadas em bases sólidas que defendessem com rigor uma mulher. Eu estava totalmente nas mãos de um desajustado.

 

O alcoolismo é uma doença daninha que começa sorrateiramente, quando se percebe já era. Determinados indivíduos bebem e dormem, outros bebem e riem o tempo todo e outros são violentos. Nesse caso a violência era uma constante inimiga de todos da família. Costumamos dizer que quando o cachorro fica com a doença da raiva, morde o seu dono. Se tratando do ser humano parece que não muda muito porque a esposa sempre vem a sofrer mais e em sequência os filhos. A polícia no momento de uma oportunidade pode ajudar, claro que pode e em sua maioria ajuda. Mas o problema é o depois. Muitas mulheres morrem por causa do depois. Se tratando do vício do álcool de igual modo a mulher está sozinha. O viciado tem que querer melhorar, querer se tratar. Enquanto isso sofre todos envolvidos. E se tratando do vício mais violência, muitas vezes acabam em morte. No meu caso trago cicatrizes por dentro, por fora e hoje vivo foragida em outro país sem o direito de ver meus filhos de outro casamento e sem poder ser tão pública como eu era. Um adendo se faz necessário,  se a vítima for de outro país a coisa fica pior, muito pior relacionado a leis. E esse enfim  é o meu caso que ate os meus que não moram dentro do pais foramvm ameaçados pelo agressor. O nível social do meu agressor lhe dava essa possibilidade,  a de prejudicar a paz geral. O jeito foi fugir, viver foragida do próprio marido.

 

 

 

 

 

 

 

Essa história que está sendo contada é real, aconteceu e acontece todos os dias. Aconteceu inclusive na vida dessa que vos fala, só que com a minha genitora. O que precisa ser feito tem sido negligenciado. Têm que existir ações mais direcionadas, punições e reeducação para esses indivíduos que estão aquém da ética e dos bons costumes. Dependendo do país é uma calamidade o número de mulheres que perdem a vida todos os dias. Algo tem que intimidar o agressor, algo tem que ser feito para dá um basta nesse desajuste social. Muita coisa está em jogo, uma delas, a formação das novas gerações.