E O SINO NEM BADALOU... (BVIW)

 

 

Era uma vez uma senhora,  dessas que a lei concede prioridade  para furar  fila   - assim que nem eu – que acordei num dia chuvoso acometida de uma dúvida cruel sem saber ao certo  se conduzo a minha vida ou a minha vida me conduz .De tão perdida não sei nem ao menos para onde vou, mas de uma coisa eu tenho certeza,  já não posso mais correr na chuva nem tampouco sentar na calçada de canudo e canequinho e fazer bolas de sabão.

As horas estão  indo, 18 Horas! No meu tempo, na minha cidade, o sino da igreja badalava anunciando a Hora do Ângelus, quantas badaladas eu nunca contei, mas bateu saudade da Ave-Maria do padre Eymard com fundo musical de Augusto Calheiros cantando... Cai a tarde tristonha e serena em macio e suave langor... Acho que vou rezar Mariiiia!!! cadê meu rosário? Aproveita e traz um pouquinho de fé.

A proposito,  anteontem  metade de uma nação viu morrer a sua esperança e o sino nem badalou...

Fico por aqui repetindo Rui Barbosa: De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes  nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude. A rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto

 

Zélia Maria Freire
Enviado por Zélia Maria Freire em 01/11/2022
Reeditado em 01/11/2022
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