A história de José, o governador do Egito

 

 

Portanto, naquele dia José estava pastoreando com seus irmãos os rebanhos e cabras. Apesar de estar bem jovem com dezessete anos de idade ajudava com os filhos de Bila e os filhos de Zilpa, mulheres pertencente ao seu pai.

 

Não havia outros meios de melhorar as atividades do campo, descrevendo sempre os trabalhos dos irmãos ao seu pai. Os filhos de Jacó passaram a ter invídia de José em tudo o que faziam e de certo modo, perceberam que seu pai gostava mais de José, e por esse motivo passaram a odiar e sentir inveja. Notadamente, se percebe que o jovem José começou a ter problemas desde muito cedo contra ele. Principalmente quando Jacó chama José após a reunião de jantar e presenteia com uma túnica colorida, a qual foi motivo dos irmãos ficarem com ódio de José.

 

Todos os dias, José contava um sonho após o almoço. Disse José:

- Pai e meus irmãos. Eu tive um sonho em que estava nas minhas atividades no campo com meus irmãos, colhendo alimentos e, de repente, os frutos ficaram de pé, os frutos reinaram e os frutos dos irmãos se curvaram.

 

Com este sonho descrito, os irmãos de José, que já não estavam contentes com ele, passaram a odiá-lo ainda mais.

Sem tardança, outro dia José teve outro sonho, e disse:

 

-Papai e meus irmãos posso contar o outro sonho que tive é igual ao primeiro sonho.

 

Após contar o sonho, encheu os irmãos de ódio e Jacó disse:

 

-Filho amado José, eu não gostei desse sonho e não me fale mais sobre sonho.

 

Após alguns dias, Jacó pediu a José que encontrasse seus irmãos no campo, vez que estes estão demorando muito a chegar. José partiu, e demorou a encontrar estes.

 

No momento em que os irmãos viram José, disseram um ao outro:

 

- Eis lá vem o sonhador-mor!”

 

-Vejam o sonhador já veio atrás de nós, procurando sempre uma maneira para nos entregar ao vosso pai.

 

-Vamos jogar numa cova para que ele morra.

 

O outro diz

 

-A cova está sem água, mesmo assim, deixaremos ele na cova. Vamos esperar os mercadores estrangeiros passarem e nós faremos o negócio com ele.

 

-Meus irmãos, lá vem eles.

 

-Vamos retirar ele da cova para os mercadores verem o seu corpo.

 

-Verdade. Nós retiramos e vendemos ele, somente assim nós se livramos dele.

 

Os mercadores do deserto, acertaram o preço de José, alegando que o mesmo não tinha forças para o trabalho, porém, compraram assim mesmo.

 

Um dos irmãos falou:

 

- O que diremos ao nosso pai em casa?

 

O outro disse:

 

-Diremos que um animal o devorou. É importante que sujamos sua túnica de presente com sangue de cabrito para provar ao nosso pai de que ele morreu.

 

Ao chegarem no Egito, os mercadores venderam como escravo José ao Faraó Potifar.

 

A Bíblia relata o seguinte:

 

 “E o SENHOR estava com José, e foi homem próspero; e estava na casa de seu senhor egípcio.” Gênesis 39:2

 

Deus é o senhor em todas as condições, embora tenha sido vendido pelos irmãos, a história de José do Egito mostra que Deus sempre esteve com ele. Dessa forma, tudo se prosperava ou acontecia o melhor.

 

Dessa forma, o Faraó do Egito confiou nos modos e meios como falava José e desta forma colocou como seu administrador de sua vida.

 

Certo dia, a esposa do Faraó, com má intenção, viu José e falou carinhosamente, exigindo que se deitasse com ela, mas José prontamente recusou a proposta amorosa de sexo.

 

Assim, em determinado dia, então, a mulher teve a ideia de aproveitar que não havia ninguém em casa e o agarrou José pela roupa para que deitasse com ela. José, novamente recusou tal proposta. A esposa do Faraó saiu correndo e acabou deixando uma peça de roupa para trás.

 

Com o orgulho ferido, por causa da rejeição, a mulher gritou dizendo aos guardas:

 

-Ajudei-me ele quer me assediar! Ele me agarrou.

 

Nesta ocasião, o estrago foi feito. E ao tomar conhecimento da acusação feita pela esposa, estando em suas mãos a roupa de José, o faraó Potifar mandou prender José na prisão. Mesmo na prisão, Deus não abandonou, não desamparou e não desprezou o seu servo, tendo dado ao José poder para cuidar dos outros presos na cadeia.

Em determinado dia, surpreso, José viu o copeiro e o padeiro do Faraó na prisão na mesma cela de José. Ocorre, que o copeiro e padeiro tiveram dois sonhos na mesma noite, e José interpretou o sonho de cada um. Diante dos fatos, o copeiro sonhou com uma videira de três anos, que brotou, progrediu e deu uvas, e tais uvas o copeiro espremeu nata do Faraó Potifar, entregando a este.

 

Notadamente, o sonho do copeiro era que em três dias seria tirado da prisão, e regressaria à posição de copeiro do Faraó.

 

 José pediu humildemente a cada um, o seguinte:

 

-Os sonhos de vocês estão resolvidos. Por favor! Ajudem-me. Eu sou inocente e jamais assediei mulher. Ajudem-me. Não se esqueçam de mim quando estiver cm o Faraó. Por favor.

 

-Os sonhos de vocês estão resolvidos. Por favor! Ajudem-me. Eu sou inocente e jamais assediei mulher. Ajudem-me. Não se esqueçam de mim quando estiver cm o Faraó. Por favor.

 

Em verdade real. Os sonhos interpretados por José foram reais, mas, eles nunca se lembraram de José lá fora. Desta forma, José permaneceu no esquecimento.

 

Dois anos se passaram, e José a cada dia ficava mais triste, e seus olhos enchiam de lágrimas dentro da cela. Certo dia, o Faraó Potifar teve dois sonhos e não teve ninguém no Egito que interpretasse os sonhos com sete vacas gordas, sete vacas magras e com espigas de milho que estavam cheias e outras secas. As vacas magras comiam as gordas e as espigas secas devoravam as boas.

 

O Faraó ficou muito preocupado por não encontrar ninguém para interpretar, nem mesmo os monges e outros. Momento, em que o copeiro olhou para o Faraó e sentiu que o Faraó não estava bem com os sonhos. E disse.

 

-Meu Faraó, se não me falha a memória, na prisão tem um homem simples e honrado que pode interpretar os seus sonhos, e ele diz que é inocente das acusações.

 

O Faraó Potifar, determinou que trouxesse a sua presença José para interpretar o sonho. Sem demora, José foi levado à presença do Faraó. Tendo este indagado:

 

-Você interpretou o sonho do copeiro, e quero que você interprete os meus sonhos agora.

 

Respondeu José:

 

-Sua Majestade, eu estarei sempre aqui quando me chamares.

José interpretou o sonho de faraó. Ele contou a Potifar que os dois sonhos eram um só e que as sete vacas e sete espigas tratavam-se de sete anos, respectivamente.

 

-Sim Faraó, eu farei isso para o vosso reinado.

 

Então, o Faraó disse:

 

-Eu sonhei com sete vacas gordas, sete vacas magras e com espigas de milho que estavam cheias e outras secas. As vacas magras comiam as gordas e as espigas secas devoravam as boas.

José interpretou o sonho de faraó, dizendo:

 

-Sua Majestade, os dois sonhos são apenas um e que as sete vacas e sete espigas tratavam-se de sete anos, respectivamente. Sete anos em que haveria paz, fartura e tranquilidade e sete anos que haveria uma fome, que consumiria a terra do Egito.

 

-E aconselho o Faraó a colocar um homem que governe o Egito nestes 14 anos.

 

Faraó disse o seguinte:

 

- Eu farei tudo isso, e para governar o Egito durante 14 anos, eu escolho você.

 

José ficou feliz com as expressões de Potifar. Assim, podemos afirmar que Deus sempre esteve no caminho de José, lembrando que José foi vendido pelos irmãos como escravo, injustiçado pela esposa de Faraó, esquecido pelos colegas de cela e honrado por Deus como governador do Egito.

 

Sendo governador, José foi um exímio político, cuidou do povo, geriu a crise e teve sucesso. Durante o período da fartura, José mandou juntar o máximo de trigo possível, refletindo no tempo de fome. E quando a fome chegou e nenhum povo ao redor tinha o que comer, o Egito tinha o que vender e oferecer a todos (Gênesis 41:41).

Em Canaã, Jacó fala com seus filhos:

 

- Por que estais olhando uns para os outros?  Eis que tenho ouvido que há mantimento no Egito; descei até lá e comprai-nos trigo, para que vivamos e não morramos.

 

Quanto a Benjamim, irmão de José, Jacó não enviou com os seus irmãos, porque dizia:

 

-Se levarem meu filho caçula, eu não os dou, evita dizer qualquer desgraça.

 

Dessa forma, foram os filhos de Israel para comprar, entre os que vinham lá; porque havia fome na terra de Canaã.

 

José, pois, era o governador daquela terra; ele vendia a todo o povo da terra; e os irmãos de José vieram e inclinaram-se ante ele com a face na terra. E José, vendo os seus irmãos, conheceu-os; porém mostrou-se estranho para com eles, e falou com eles asperamente, e disse-lhes:

 

-Donde vindes?

 

 E eles disseram:

 

- Da terra de Canaã, para comprarmos mantimento.

 

José, pois, conheceu os seus irmãos; mas eles não o conheceram. Então, José lembrou-se dos sonhos que havia sonhado deles e disse-lhes:

 

-Vós sois espias e viestes para ver a nudez da terra.

 

 E eles lhe disseram:

 

- Não, senhor meu; mas teus servos vieram a comprar mantimento. Em Canaã, não mais lugar para nascer frutas e mantimentos. Afinal, todos nós somos filhos de um varão; somos homens de retidão; os teus servos não são espias.

 

E ele lhes disse:

 

- Não; antes, viestes para ver a nudez da terra.

 

E eles disseram:

 

-Nós, teus servos, somos doze irmãos, filhos de um varão da terra de Canaã; e eis que o mais novo está com nosso pai Jacó, hoje; mas um já não existe.

 

Então, lhes disse José:

 

- Isso é o que vos tenho dito, dizendo que sois espias. Nisto sereis provados: pela vida de Faraó, não saireis daqui senão quando vosso irmão mais novo vier aqui. Enviai um dentre vós, que traga vosso irmão; mas vós ficareis presos, e vossas palavras serão provadas, se há verdade convosco; e, se não, pela vida de Faraó, vós sois espias. E pô-los juntos em guarda três dias.

 

E, no terceiro dia, articulou José:

 

-Fazei isso e vivereis, porque eu temo a Deus. Se sois homens de retidão, que fique um de vossos irmãos preso na casa de vossa prisão; e, vós, ide, levai trigo para a fome de vossa casa. E trazei-me o vosso irmão mais novo, e serão verificadas vossas palavras, e não morrereis.

 

E eles assim fizeram. Então, disseram uns aos outros:

 

- Na verdade, somos culpados acerca de nosso irmão, pois vimos a angústia de sua alma, quando nos rogava; nós, porém, não ouvimos; por isso, vem sobre nós esta angústia.

 

E Ruben respondeu-lhes, dizendo:

 

-Não vo-lo dizia eu, dizendo: Não pequeis contra o moço? Mas não ouvistes; e, vedes aqui, o seu sangue também é requerido.

 

E eles não sabiam que José os entendia, porque havia intérprete entre eles. E retirou-se deles e chorou. Depois, tornou a eles, falou-lhes, tomou a Simeão dentre eles e amarrou-o perante os seus olhos.

E os varões tomaram aquele presente e tomaram dinheiro dobrado em suas mãos e a Benjamim; e levantaram-se, e desceram ao Egito, e apresentaram-se diante da face de José.

 

Vendo, pois, José a Benjamim com eles, disse ao que estava sobre a sua casa:

 

- Leva estes varões à casa, e mata reses, e prepara tudo; porque estes varões comerão comigo ao meio-dia.

 

E o varão fez como José dissera e o varão levou aqueles varões à casa de José. Então, temeram aqueles varões, porquanto foram levados à casa de José e diziam:

 

-Por causa do dinheiro que dá outra vez voltou nos nossos sacos, fomos trazidos aqui, para nos criminar e cair sobre nós, para que nos tome por servos e a nossos jumentos.

 

Por isso, chegaram-se ao varão que estava sobre a casa de José, e falaram com ele à porta da casa. E disseram:

 

-Ai! Senhor meu, certamente descemos, dantes, a comprar mantimento; e aconteceu que, chegando nós à venda e abrindo os nossos sacos, eis que o dinheiro de cada varão estava na boca do seu saco, nosso dinheiro por seu peso; e tornamos a trazê-lo em nossas mãos. Também trouxemos outro dinheiro em nossas mãos, para comprar mantimento; não sabemos quem tenha posto o nosso dinheiro nos nossos sacos.

 

E ele disse:

 

- Paz seja convosco, não temais; o vosso Deus, e o Deus de vosso pai, vos tem dado um tesouro nos vossos sacos; o vosso dinheiro me chegou a mim.

 

 E trouxe-lhes fora a Simeão.

 

Depois, levou o varão aqueles varões à casa de José e deu-lhes água, e lavaram os seus pés; também deu pasto aos seus jumentos. E prepararam o presente, para quando José viesse ao meio-dia; porque tinham ouvido que ali haviam de comer pão. Vindo, pois, José à casa, trouxeram-lhe ali o presente que estava na sua mão; e inclinaram-se a ele até à terra. E ele lhes perguntou como estavam e disse:

 

- Vosso pai, o velho de quem falastes, está bem? Ainda vive?

 

E eles falaram:

 

- Bem está o teu servo, nosso pai vive ainda.

 

E abaixaram a cabeça e inclinaram-se. E ele levantou os olhos, e viu a Benjamim, seu irmão, filho de sua mãe, e disse:

 

-Este é o vosso irmão mais novo, de quem me falastes?

 

Em seguida, ele disse:

 

-Deus te abençoe, meu filho.

 

E José apressou-se, porque o seu íntimo moveu-se para o seu irmão; e procurou onde chorar, e entrou na câmara, e chorou ali. Depois, lavou o rosto e saiu; e conteve-se e disse:

 

-Ponde pão.

 

E puseram-lhe a ele à parte, e a eles à parte, e aos egípcios que comiam com ele à parte; porque os egípcios não podem comer pão com os hebreus, porquanto é abominação para os egípcios. E assentaram-se diante dele, o primogênito segundo a sua primogenitura e o menor segundo a sua menoridade; do que os varões se maravilhavam entre si. E apresentou-lhe as porções que estavam diante dele; porém a porção de Benjamim era cinco vezes maior do que a de qualquer deles. E eles beberam e se regalaram com ele.

 

E deu ordem ao servo que estava sobre a sua casa, dizendo:

 

-Enche de mantimento os sacos destes varões, quanto puderem levar, e põe o dinheiro de cada varão na boca do seu saco. E o meu copo, o copo de prata, porás na boca do saco do mais novo, com o dinheiro do seu trigo.

 

E fez conforme a palavra de José, que tinha dito. Vinda a luz da manhã, despediram-se estes varões, eles com os seus jumentos. Saindo eles da cidade e não se havendo ainda distanciado, disse José ao que estava sobre a sua casa:

 

- Levanta-te e persegue aqueles varões; e, alcançando-os, lhes dirás: Por que pagastes mal por bem? Não é este o copo por que bebe meu senhor? E em que ele bem adivinha? Fizestes mal no que fizestes.

E o servo egípcio alcançou-os e falou-lhes as mesmas palavras. E eles disseram-lhe:

 

-Por que diz meu senhor tais palavras? Longe estejam teus servos de fazerem semelhante coisa. Eis que o dinheiro que temos achado na boca dos nossos sacos te tornamos a trazer desde a terra de Canaã; como, pois, furtaríamos da casa do teu senhor prata ou ouro? Aquele dos teus servos, com quem for achado, morra; e ainda nós seremos escravos do meu senhor.

 

E ele disse:

 

- Ora, seja também assim conforme as vossas palavras; aquele com quem se achar será meu escravo, porém vós sereis desculpados.

 

E eles apressaram-se, e cada um pôs em terra o seu saco, e cada um abriu o seu saco. E buscou, começando no maior e acabando no mais novo; e achou-se o copo no saco de Benjamim. Então, rasgaram as suas vestes, e carregou cada um o seu jumento, e tornaram à cidade.

 

E veio Judá com os seus irmãos à casa de José, porque ele ainda estava ali; e prostraram-se diante dele em terra. E disse-lhes José:

 

- Que é isto que fizestes? Não sabeis vós que tal homem como eu bem adivinha?

 

Então, disse Judá:

 

-Que diremos a meu senhor? Que falaremos? E como nos justificaremos? Achou Deus a iniquidade de teus servos; eis que somos escravos de meu senhor, tanto nós como aquele em cuja mão foi achado o copo.

 

Mas ele disse:

 

-Longe de mim que eu tal faça; o varão em cuja mão o copo foi achado, aquele será meu servo; porém vós subi em paz para vosso pai.

 

Então, Judá se chegou a ele e disse:

 

-Ai! Senhor meu, deixa, peço-te, o teu servo dizer uma palavra aos ouvidos de meu senhor, e não se acenda a tua ira contra o teu servo; porque tu és como Faraó.

 

 Meu senhor perguntou a seus servos, dizendo:

 

- Tendes vós pai ou irmão?

 

E dissemos a meu senhor:

 

-Temos um velho pai e um moço da sua velhice, o mais novo, cujo irmão é morto; e só ele ficou de sua mãe, e seu pai o ama.

 

Então, tu disseste a teus servos:

 

- Trazei-mo a mim, e porei os meus olhos sobre ele.

E nós dissemos a meu senhor:

 

- Aquele moço não poderá deixar a seu pai; se deixar a seu pai, este morrerá.

 

-Então, tu disseste a teus servos: Se vosso irmão mais novo não descer convosco, nunca mais vereis a minha face.

 

E incidiu que:

 

-Subindo nós a teu servo, meu pai, e contando-lhe as palavras de meu senhor.

 

Disse nosso pai:

 

-Tornai, comprai-nos um pouco de mantimento.

 

E nós articulamos:

 

- Não poderemos descer; mas, se nosso irmão menor for conosco, desceremos; pois não poderemos ver a face do varão, se este nosso irmão menor não estiver conosco.

 

Então, disse-nos teu servo, meu pai:

 

- Vós sabeis que minha mulher me deu dois filhos; um ausentou-se de mim, e eu disse: Certamente foi despedaçado, e não o tenho visto até agora; se agora também tirardes a este da minha face, e lhe acontecer algum desastre, fareis descer as minhas cãs com dor à sepultura. Agora, pois, indo eu a teu servo, meu pai, e o moço não indo conosco, como a sua alma está atada com a alma dele, acontecerá que, vendo ele que o moço ali não está, morrerá; e teus servos farão descer as cãs de teu servo, nosso pai, com tristeza à sepultura. Porque teu servo se deu por fiador por este moço para com meu pai, dizendo:

 

-Se não tornar, eu serei culpado a meu pai todos os dias. Agora, pois, fique teu servo em lugar deste moço por escravo de meu senhor, e que suba o moço com os seus irmãos. Porque como subirei eu a meu pai, se o moço não for comigo? Para que não veja eu o mal que sobrevirá a meu pai.

 

Então, José não se podia conter diante de todos os que estavam com ele; e clamou:

 

-Fazei sair daqui a todo varão;

 

E ninguém ficou com ele quando José se deu a conhecer a seus irmãos. E levantou a sua voz com choro, de maneira que os egípcios o ouviam, e a casa de Faraó o ouviu.

 

E disse José a seus irmãos:

 

-Eu sou José; vive ainda meu pai?

 

E seus irmãos não lhe puderam responder, porque estavam pasmados diante da sua face.

 

E disse José a seus irmãos:

 

-Peço-vos, chegai-vos a mim.

 

E chegaram-se. Então, disse ele:

 

-Eu sou José, vosso irmão, a quem vendestes para o Egito. Agora, pois, não vos entristeçais, nem vos pese aos vossos olhos por me haverdes vendido para cá; porque, para conservação da vida, Deus me enviou diante da vossa face. Porque já houve dois anos de fome no meio da terra, e ainda restam cinco anos em que não haverá lavoura nem sega. Pelo que Deus me enviou diante da vossa face, para conservar vossa sucessão na terra e para guardar-vos em vida por um grande livramento. Assim, não fostes vós que me enviastes para cá, senão Deus, que me tem posto por pai de Faraó, e por senhor de toda a sua casa, e como regente em toda a terra do Egito. Apressai-vos, e subi a meu pai, e dizei-lhe: Assim tem dito o teu filho José: Deus me tem posto por senhor em toda a terra do Egito; desce a mim e não te demores. E habitarás na terra de Gósen e estarás perto de mim, tu e os teus filhos, e os filhos dos teus filhos, e as tuas ovelhas, e as tuas vacas, e tudo o que tens. E ali te sustentarei, porque ainda haverá cinco anos de fome, para que não pereças de pobreza, tu, e tua casa, e tudo o que tens. E eis que vossos olhos veem, e os olhos de meu irmão Benjamim, que é minha boca que vos fala. E fazei saber a meu pai toda a minha glória no Egito e tudo o que tendes visto; e apressai-vos a fazer descer meu pai para cá.

 

E lançou-se ao pescoço de Benjamim, seu irmão, e chorou; e Benjamim chorou também ao seu pescoço.

 

E beijou todos os seus irmãos e chorou sobre eles; e, depois, seus irmãos falaram com ele.

 

E ouviu-se na casa de Faraó, dizendo:

 

- Os irmãos de José são vindos; e pareceu bem aos olhos de Faraó e aos olhos de seus servos.

 

E disse Faraó a José:

 

- Dize a teus irmãos: Fazei isto: carregai os vossos animais, e parti, e tornai à terra de Canaã, e tornai a vosso pai e a vossas famílias, e vinde a mim; e eu vos darei o melhor da terra do Egito, e comereis a fartura da terra. A ti, pois, é ordenado; fazei isto: tomai vós da terra do Egito carros para vossos meninos, para vossas mulheres e para vosso pai e vinde. E não vos pese coisa alguma das vossas alfaias; porque o melhor de toda a terra do Egito será vosso.

 

E os filhos de Israel fizeram assim. E José deu-lhes carros, conforme o mandado de Faraó; também lhes deu comida para o caminho. A todos lhes deu, a cada um, mudas de vestes; mas a Benjamim deu trezentas peças de prata e cinco mudas de vestes. E a seu pai enviou semelhantemente dez jumentos carregados do melhor do Egito, e dez jumentos carregados de trigo, e pão, e comida para seu pai, para o caminho. E despediu os seus irmãos, e partiram; e disse-lhes:

 

-Não contendais pelo caminho.

 

E subiram do Egito e vieram à terra de Canaã, a Jacó, seu pai. Então, lhe anunciaram, dizendo:

 

-José ainda vive e ele também é regente em toda a terra do Egito.

E o seu coração desmaiou, porque não os acreditava. Porém, havendo-lhe eles contado todas as palavras de José que ele lhes falara, e vendo ele os carros que José enviara para levá-lo, reviveu o espírito de Jacó, seu pai. E disse Israel:

 

- Basta; ainda vive meu filho José; eu irei e o verei antes que eu morra.

 

E afastou-se Israel com tudo quanto tinha, e veio a Berseba, e ofereceu sacrifícios ao Deus de Isaque, seu pai. E falou Deus a Israel em visões, de noite, e disse:

 

- Jacó! Jacó!

 

E ele disse:

 

- Eis-me aqui.

 

E disse:

 

- Eu sou Deus, o Deus de teu pai; não temas descer ao Egito, porque eu te farei ali uma grande nação. E descerei contigo ao Egito e certamente te farei tornar a subir; e José porá a sua mão sobre os teus olhos.

 

Então, levantou-se Jacó de Berseba; e os filhos de Israel levaram Jacó, seu pai, e seus meninos, e as suas mulheres, nos carros que Faraó enviara para o levar. E tomaram o seu gado e a sua fazenda que tinham adquirido na terra de Canaã e vieram ao Egito, Jacó e toda a sua semente com ele. Os seus filhos, e os filhos de seus filhos com ele, as suas filhas, e as filhas de seus filhos, e toda a sua semente levou consigo ao Egito.

 

E Jacó enviou Judá diante da sua face a José, para o encaminhar a Gósen; e chegaram à terra de Gósen. Então, José aprontou o seu carro e subiu ao encontro de Israel, seu pai, a Gósen. E, mostrando-se-lhe, lançou-se ao seu pescoço e chorou sobre o seu pescoço, longo tempo.

 

E Israel disse a José:

 

- Morra eu agora, pois já tenho visto o teu rosto, que ainda vives.

 

Depois, disse José a seus irmãos e à casa de seu pai:

 

- Eu subirei, e anunciarei a Faraó, e lhe direi: Meus irmãos e a casa de meu pai, que estavam na terra de Canaã, vieram a mim. E os varões são pastores de ovelhas, porque são homens de gado, e trouxeram consigo as suas ovelhas, e as suas vacas, e tudo o que têm. Quando, pois, acontecer que Faraó vos chamar e disser: Qual é o vosso negócio? Então, direis: Teus servos foram homens de gado desde a nossa mocidade até agora, tanto nós como os nossos pais; para que habiteis na terra de Gósen, porque todo o pastor de ovelhas é abominação para os egípcios.

 

Então, veio José, e anunciou a Faraó, e disse:

 

-Meu pai, e os meus irmãos, e as suas ovelhas, e as suas vacas, com tudo o que têm, chegaram da terra de Canaã, e eis que estão na terra de Gósen. E tomou uma parte de seus irmãos, a saber, cinco varões, e os pôs diante de Faraó. Então, disse Faraó a seus irmãos:

- Qual é o vosso negócio? E eles disseram a Faraó:

 

- Teus servos são pastores de ovelhas, tanto nós como nossos pais.

Disseram mais a Faraó:

 

-Viemos para peregrinar nesta terra; porque não há pasto para as ovelhas de teus servos, porquanto a fome é grave na terra de Canaã; agora, pois, rogamos-te que teus servos habitem na terra de Gósen.

Então, falou Faraó a José, dizendo:

 

- Teu pai e teus irmãos vieram a ti. A terra do Egito está diante da tua face; no melhor da terra faze habitar teu pai e teus irmãos; habitem na terra de Gósen; e, se sabes que entre eles há homens valentes, os porás por maiorais do gado, sobre o que eu tenho.

 

E trouxe José a Jacó, seu pai, e o pôs diante de Faraó; e Jacó abençoou a Faraó. E Faraó disse a Jacó:

 

- Quantos são os dias dos anos de tua vida?

 

E Jacó disse a Faraó:

 

- Os dias dos anos das minhas peregrinações são cento e trinta anos; poucos e maus foram os dias dos anos da minha vida e não chegaram aos dias dos anos da vida de meus pais, nos dias das suas peregrinações.

 

E Jacó abençoou a Faraó e saiu de diante da face de Faraó. E José fez habitar a seu pai e seus irmãos e deu-lhes possessão na terra do Egito, no melhor da terra, na terra de Ramessés, como Faraó ordenara. E José sustentou de pão a seu pai, e a seus irmãos, e a toda a casa de seu pai, segundo as suas famílias.

 

E não havia pão em toda a terra, porque a fome era mui grave; de maneira que a terra do Egito e a terra de Canaã desfaleciam por causa da fome. Então, José recolheu todo o dinheiro que se achou na terra do Egito e na terra de Canaã, pelo trigo que compravam; e José trouxe o dinheiro à casa de Faraó. Acabando-se, pois, o dinheiro na terra do Egito e na terra de Canaã, vieram todos os egípcios a José, dizendo:

 

-Dá-nos pão; por que morreremos em tua presença? Porquanto o dinheiro nos falta.

 

E José proferiu:

 

-Dai o vosso gado, e eu vo-lo darei por vosso gado, se falta o dinheiro.

Então, trouxeram o seu gado a José; e José deu-lhes pão em troca de cavalos, e das ovelhas, e das vacas, e dos jumentos; e os sustentou de pão aquele ano por todo o seu gado.

 

E, acabado aquele ano, vieram a ele no segundo ano e disseram-lhe: Não ocultaremos ao meu senhor que o dinheiro é acabado, e meu senhor possui os animais; nenhuma outra coisa nos ficou diante da face de meu senhor, senão o nosso corpo e a nossa terra. Por que morreremos diante dos teus olhos, tanto nós como a nossa terra? Compra-nos a nós e à nossa terra por pão, e nós e a nossa terra seremos servos de Faraó; dá semente para que vivamos e não morramos, e a terra não se desole.

 

Assim, José comprou toda a terra do Egito para Faraó, porque os egípcios venderam cada um o seu campo, porquanto a fome era extrema sobre eles; e a terra ficou sendo de Faraó. E, quanto ao povo, fê-lo passar às cidades, desde uma extremidade da terra do Egito até à outra extremidade. Somente a terra dos sacerdotes não a comprou, porquanto os sacerdotes tinham porção de Faraó e eles comiam a sua porção que Faraó lhes tinha dado; por isso, não venderam a sua terra.

 

Então, disse José ao povo:

 

- Eis que hoje vos tenho comprado a vós e a vossa terra para Faraó; eis aí tendes semente para vós, para que semeeis a terra. Há de ser, porém, que das colheitas dareis o quinto a Faraó, e as quatro partes serão vossas, para semente do campo, e para o vosso mantimento, e dos que estão nas vossas casas, e para que comam vossos meninos.

 

E disseram:

 

- A vida nos tens dado; achemos graça aos olhos de meu senhor e seremos servos de Faraó. José, pois, pôs isto por estatuto, até ao dia de hoje, sobre a terra do Egito: que Faraó tirasse o quinto; só a terra dos sacerdotes não ficou sendo de Faraó.

 

Assim, habitou Israel na terra do Egito, na terra de Gósen, e nela tomaram possessão, e frutificaram, e multiplicaram-se muito. E Jacó viveu na terra do Egito dezessete anos; de sorte que os dias de Jacó, os anos da sua vida, foram cento e quarenta e sete anos.

 

Chegando-se, pois, o tempo da morte de Israel, chamou a José, seu filho, e disse-lhe:

 

-Se agora tenho achado graça aos teus olhos, rogo-te que ponhas a tua mão debaixo da minha coxa, e usa comigo de beneficência e verdade; rogo-te que me não enterres no Egito, mas que eu jaza com os meus pais; por isso, me levarás do Egito e me sepultarás na sepultura deles. E José disse:

 

-Farei conforme a tua palavra.

 

E Jacó indagou:

 

- Jura-me?

 

 E José jurou-lhe; e Israel inclinou-se sobre a cabeceira da cama.

Jacó pereceu, e foi mumificado no Egito, sepultado em Efrom, no terreno da sua família. Os irmãos de José, agora sem o pai Jacó, receavam que pudesse ter aproximado a hora do prestigioso irmão querer se vingar. No entanto, a sua reação foi desigual: E José disse o seguinte:

 

-“Não tenham medo! Porventura, estou eu em lugar de Deus? Vocês planejaram maldade contra mim, mas Deus mudou o mal em bem para fazer o que hoje estamos vendo, isto é, manter viva muita gente“ (Gn 50,19-20).

 

Após longa história, José percebeu que tudo havia sido um plano de Deus, e que através de sua vida Israel foi preservado (Gênesis 45:7; 50:20). José então conviveu o resto dos seus dias no Egito. Ele alcançou a terceira geração dos filhos de Efraim, e morreu com 110 anos de idade.

 

            José, o Governador do Egito, faleceu no Egito, sendo embalsamado e colocado num caixão, para ser levado a Canaã quando os seus parentes para lá voltassem. E desta forma, José morreu confiante na promessa do Senhor.

 

Sabe-que, Moisés foi advertido do desejo de José e tirou seus ossos do Egito, conforme registrado no livro de Êxodo (13:19). José foi sepultado em Siquém, em um pedaço de terra que seu pai, Jacó, havia comprado (Josué 24:32).

 

 

 

ERASMO SHALLKYTTON
Enviado por ERASMO SHALLKYTTON em 11/03/2023
Código do texto: T7737412
Classificação de conteúdo: seguro
Copyright © 2023. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.