Tortuguita

O policial Jake Thomas corria a todo fôlego atrás do suspeito pelas ruas da cidade.

- Para vagabundo!

O sujeito perseguido corria muito rápido e o policial Jake gritava tentando convencer o suspeito a se entregar.

- Já falei pra você parar, seu filho da puta!

Parecia que o sujeito conseguiria fugir quando uma senhora saiu da confeitaria com um grande e belo bolo cheio de chantily e foi atropelada pelo homem em fuga.

- Ai, minhas costas - gemia a velha atordoada com tamanho atropelo.

- Olha o que você fez, seu filho da puta. Quase matou a porra da senhora - disse erguendo o suspeito todo melecado de chantily enquanto outros transeuntes socorriam a pobre senhora nocauteada.

- Policial, até agora eu não sei o motivo pelo qual você veio correndo atrás de mim.

O sujeito tomou um cascudo forte na cabeça.

- Se não sabe, correu pra quê, ô vagabundo?

- Sei lá, tu veio na minha direção como se fosse me descer a porrada. Eu não estava fazendo nada.

- Fazendo nada? FAZENDO NADA? Seu cretino do caralho.

- Eu só estava comendo uma tortuguita.

- Ah, confessou, seu puto!

- Como assim? Confessei o quê?

- Você acabou de confessar que estava comendo a porra da tortuguita. Rapaz, não teste a minha paciência!

- Policial, me desculpe, mas sigo sem entender!

O sujeito tomou outro cascudo.

- Ai, o que foi que eu fiz afinal? Por acaso é um crime comer uma tortuguita?

- DO JEITO QUE VOCÊ COMEU - gritou o policial raivoso - É SIM!!!

- Não entendo.

O policial respirou fundo enquanto passava a mão no rosto.

- Qual é a porra do seu nome?

- Meu nome é Jake.

- Ah, que legal, meu nome também é Jake.

- Muito prazer - disse Jake estendendo a mão para Jake.

- O prazer é todo me... - o policial Jake deu outro cascudo no suspeito - Mas que filho da puta. Eu fazendo o meu trabalho e você fazendo graça. Quero ver seus documentos.

O outro Jake, com a cabeça latejando de dor, entregou a carteira ao policial Jake. O policial Jake pegou o documento de identificação do sujeito e viu que o mesmo se chamava Jake Hinton.

- Vou checar seus antecedentes, se você se mover, eu atiro em você.

- Se você me der mais um cascudo, vou me mover para baixo.

O policial Jake voltou com a informação checada e disse:

- Como você não tem antecedentes, vou liberar você, mas você deverá comparecer a uma audiência em dia e horário a serem definidos. Você receberá uma intimação em casa com a data marcada.

- Então eu posso ir?

- Pode, mas pelo amor de deus, nunca mais faça isso. Você não tem a noção do quão perigoso é fazer o que você fez.

- MAS O QUE FOI QUE EU FIZ?

O policial Jake ameaçou dar outro cascudo em Jake, mas se conteve.

- Só desaparece da minha frente garoto.

Alguns dias depois, lá estava Jake Hinton frente a frente com o juiz.

- Caso 925, o estado contra Jake Hinton. O seu nome é Jake?

- Sim, meritíssimo!

- O meu também!

- Que feliz coincidência - disse Jake Hinton estendendo a mão ao juiz Jake.

- Bom, voltando ao assunto, Sr Hinton, o senhor não tem antecedentes e por esse motivo, irei condená-lo a uma semana de serviço comunitário.

- Mas, meritíssimo, até agora eu não sei o que foi que fiz de errado.

- Sr Hinton, sua ficha diz que você foi flagrado comendo uma tortuguita.

- Sim, eu estava comendo uma tortuguita, mas qual é o problema nisso?

- Aqui diz que você comeu a tortuguita da forma incorreta.

- Não entendo.

- Sr Hinton, não conhece a forma correta de se comer uma tortuguita? Isso não é ensinado nas escolas?

- O senhor pode me explicar? Eu não aguento mais isso.

- Alguém me traga uma tortuguita imediatamente! - ordenou o juiz Jake.

- Eu tenho uma aqui, meritíssimo - o policial Jake Thomas, presente na audiência se dirigiu ao juiz Jake e lhe entregou uma tortuguita.

- Brigadeiro - comemorou o juiz Jake - minha favorita.

Juiz Jake abriu a tortuguita cuidadosamente e começou a explicar:

- Primeiro, Sr Hinton, come-se o rabinho.

- Aham - dizia, Jake Hinton, entusiasmado.

- Depois do rabinho, as duas patas traseiras. O juiz Jake parecia saborear aquele chocolate. - Agora você passa para as patas dianteiras. É muito importante retirar corretamente todos os membros.

Jake Hinton estava encantado com a perícia e didática do juiz Jake.

- Agora, a cabeça. Agora temos apenas o casco dela e o gran finale, você morde metade do casco e finaliza a segunda metade - mastigou e engoliu a segunda metade do casco.

Naquele momento, todos presentes no tribunal se levantaram e bateram palmas para o juiz Jake. Alguns assobios foram ouvidos também. O juiz Jake levantou os dois braços agradecendo a reação calorosa de todos.

- Eu não sabia que tinha uma técnica para comer uma tortuguita - disse Jake Hinton, completamento atônito.

- Sr meritíssimo - disse Jake Thomas - se me permite, tenho uma sugestão de como o senhor Hinton pode ser útil a sociedade.

Ele se aproximou do juiz Jake e lhe falou por alguns instantes ao ouvido. O juiz balançava a cabeça positivamente e após a sugestão do policial Jake, bateu o martelo.

- Sr Hinton, por sugestão do policial Thomas, acho que tenho o serviço perfeito para você durante a sua semana de trabalho comunitário...

Segunda-feira, primeiro dia de trabalho comunitário de Jake Hinton. O auditório da escola fundamental da cidade está lotado de alunos, professores, funcionários e representantes da imprensa local.

- Bom dia, meu nome é Jake Hinton.

- Sr Hinton, estávamos te esperando. Sou o diretor Jake e o palco já está pronto.

- Seu nome também é Jake, que feliz coincidência , não? - disse estendendo a mão ao diretor Jake.

Ao subir ao palco do auditório, testou o microfone:

- 1, 2, testando.

O auditório fez silêncio absoluto, e o pessoal da imprensa direcionou as câmeras e microfones em direção ao palco. - Bom dia, meu nome é Jake Hinton e hoje vou ensinar para vocês a forma correta de se comer uma tortuguita!

Tim Soares
Enviado por Tim Soares em 08/05/2023
Reeditado em 08/05/2023
Código do texto: T7783021
Classificação de conteúdo: seguro
Copyright © 2023. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.