OBSESSÃO

Terceiro encontro apenas, e aquilo já virou fetiche.

Uma obsessão.

Assim:

Eles chegam e ela salta batendo a porta do carro com estrondo.

– Abusadinha, né?

Sem dizer palavra, sequer olhar pra ele, a moça atravessa o pequeno jardim.

Fica esperando.

Ele sai do carro.

– Acaso esse carro é seu?

Aproxima-se do precipício, as mãos minando suor.

Gira a chave na fechadura, abre passagem.

Sem dizer palavra, sequer olhar pra ele, a moça atravessa a sala.

– Abusadinha, né?

Ela vai para o quarto.

Fica esperando.

Daí a pouco, só de cuecas, ele entra.

– Acaso essa casa é sua?

Na cama, nua em pelo, a moça ronrona na penumbra.

– Abusadinha, né?

– Sou mesmo!

E depois:

– Vem logo, seu capacho!

É quando Alaor se lança no abismo, urrando de desejo.

– Todinho seu, viu, meu bem?

Hélio Sena
Enviado por Hélio Sena em 11/02/2024
Reeditado em 12/02/2024
Código do texto: T7996867
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