Carol e a Lúcida Realidade - BVIW

 

 

Carol a vida toda esperou, e acreditou, que um dia lhe chegaria um amor dos contos de fadas com seus castelos românticos. Um alguém que lhe caberia na vida e fosse do jeito que sonhara tantas vezes acordada. Demorou uma década para que a mulher entendesse a dura distância inalcançável entre os sonhos inventados e a lúcida realidade. Quantos conselhos não ouvidos, da mãe e dos amigos, na tentativa de lhe resgatar do mundo do faz-de-conta-que-é-verdade, criado por ela mesma.

 

- Mas, Cecília, lembra da Lei da atração que tanto andam pregando? Então! Eu mentalizo meu dengo e ele se personifica. E aí, tchan-tchan... Desejo realizado!

- Ah, Carolzinha, eu desisto de lhe convencer sobre qualquer coisa contrária dessa sua mente mística... – Afirmou a melhor amiga.

 

Passado um tempo, depois de se frustrar e quebrar a cara com relacionamentos insatisfatórios, de se envolver com gente de mentalidade e atitudes tão distantes do imaginado, Carol parou de idealizar a pessoa sob medida para o seu gosto e de esperar por ela. Decidiu interromper o texto. De repente percebeu que suas palavras soavam como tolas ou mentirosas. Considerava antiético, com o leitor, escrever sobre o que não acreditava mais encontrar em suas buscas. Seria o seu último conto. Estava blindada desse amor que só experimentava nos seus escritos de finais românticos. Refletia sobre si mesma. Desligou o computador portátil, e se ligou em novo mundo. O real.

 

Tema proposto pelo BVIW   -  O Último Conto

 

(BVIW - *BECOMING VERY IMPORTANTE WRITER/ "Tornando-se um escritor muito importante").