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Quando meu amor colegial voltou pra mim

Fiquei sabendo por fontes fidedignas que ela voltaria. Não acreditei! Mesmo que por pouco tempo, ela estaria por aqui novamente. Confesso que me derreti! Mil coisas passaram pela minha cabeça ao mesmo tempo. Eu sempre fui meio louco em alguns quesitos, como aquela coisa de tu estar andando em um passeio em forma de xadrez, por exemplo, e, se pisa em um quadrado preto, tem que pisar em outro na sequência, ou se pisar em um preto e depois em um branco, manter fidelidade à sequência. Se estou andando e piso, como se fosse 'em falso', com um pé, devo forçar imediatamente o mesmo movimento com o outro pé, senão meu dia já era! E sei que tem várias pessoas assim, como vi há muitos anos em um programa de TV. Algumas mais idiotas vão atrás de psicólogos por conta disso. Mas eu falava dela. A gente se dava bem em tudo. Batata frita com azeite, quem mais gostava além de nós? Pizza de palmito com Guarapan... Uma semana para ela chegar. Peguei a roupa mais bacana e guardei para o encontro, para não correr o risco de que no dia do encontro estivessem sujas. Peguei também uma parte do dinheiro que tinha para sair com os amigos e gastar com qualquer uma e coloquei no bolso da calça. Pouco, mas por garantia... Uma pulseira que ganhara pouco antes de sua partida eu retirei da minha caixinha onde junto os presentes que ganho de algumas garotas (e sei sempre de quem ganhei tal) e também guardei no bolso da calça. Achei, por um motivo ou outro, que daria a impressão de carinho, de que pensava nela ou qualquer outra merda do tipo. Tinha que fazer o meu filme, ora! Em um calendário eu, àquela moda antiga de riscar cada dia que se passa com um 'X' até que chegue no dia 'D' marcado com um círculo em volta, aguardava ansiosamente a cada dia que passava. Manias loucas à parte, eu sempre marcava um dia antes do que se passara, por exemplo, ao terminar o dia 18, eu marcava o dia 17. De alguma maneira absurda eu achava que isso ajudava no que diz respeito à apreensão. A foto! Onde estaria a foto dela que ganhei? Tinha que achar a foto. Eu, muito desligado a objetos, não lembrava onde estava. Procurei por oras a bendita foto. Onde estaria? Achei numa caixinha velha junto a umas cartas que recebia quando a alguns anos gostava de trocar cartas com pessoas desconhecidas. Ela sempre foi muito linda, mas na foto estava espetacular! Na praia, com um pequeno biquíni, a parte de baixo rosa, a de cima branca. Usava um chapéu de madame (a parte que eu menos gostava, já que adorava teus cabelos) e óculos escuro. Um mulherão! Putaqueopariu! Não resisti. Peguei a foto e fui pro ritual, o que costumam chamar de "5 contra 1" ou até mesmo "descascar o palhaço". Ao fim, eu ri. Ri de mim mesmo, lembrando de, no tempo recente de sua partida, quantas vezes eu tinha usado tal foto com a mesma finalidade. Guardei a foto no mesmo lugar. Um dia antes da chegada, mal consegui dormir. Imaginava o que faria. Chamar pra ir a um evento qualquer como show, teatro, enfim (cinema não - cinema nunca gostei e ela sabe bem disso), depois a levaria a algum barzinho bacana, quisá romântico, desde que a cerveja fosse barata e, na sequência, quem sabe um motel ou algo que o valha antes de voltar pra casa. Disseram que ela chegaria às 13h. 12h37 e eu estava no saguão do aeroporto que dá visão para a pista. Às 13h12 a vejo e... que merda! Ela mais linda ainda, mas... quem é o filho da puta de mãos dadas com ela? É... Pode ser um primo, amigo. Mulheres e amigos gays sempre dão as mãos. Não. Um 'selinho' foi o suficiente. Antes que me visse, saí sorrateiro, comprei uma cerveja e voltei pra casa. No mesmo dia ainda usaria a foto com a mesma finalidade de outrora, porém, desta vez, com a mente mais ousada!

(título provisório).
Júnior Leal
Enviado por Júnior Leal em 25/04/2008
Reeditado em 25/04/2008
Código do texto: T961183


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Sobre o autor
Júnior Leal
Lagoa Santa - Minas Gerais - Brasil, 36 anos
958 textos (33323 leituras)
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Júnior Leal