ALGUÉM ENTROU NA SUITE 66

Marcio como de costume todos os fins de semana ia descansar em seu flat no Belvedere, ia lá para esquecer dos problemas da semana, tomar um banho de piscina, respirar o ar puro da cidade belo horizontina, tinha imenso prazer de visitar sua sauna exclusiva que quase sempre estava disponível com ôfuros, espumas artificiais aromatizadas, essências relaxantes, calores escaldantes eram ativados quando batia o inverno ou estava frio o tempo, naquele final de semana Marcio pretendia se esguiar sob seu leito amplo, porém de solteiro já que não achava que seu Flat fosse um lugar agradável para algum tipo de relação conjugal ele tinha para dizer a verdade uma tara incontida de transar em motéis assim sua cama ali só servia mesmo para jazer todo seu “Stress”, mas também às vezes lia muito deitado naquele sedoso colchão de pena de ganso, agarrado em seus travesseiros macios que até serviam como objetos ortopédicos para descansar pés e pernas cansados, tudo criava um clima perfeito para uma siesta num feriado tão curto, mas longo para Marcio que passava a semana inteira enfiado em seu escritório abafado e ar-condicionado de contabilidade sempre cheio de papéis, calculadoras, planilhas, débitos, orçamentos desorganizados, planos fiscais esmerilhados, e tantas outras demandas jogadas a esmo à sorte do mercado, isto é àquela perspectiva era sufocante para qualquer um tendo em vista que Marcio já trabalhava nisso a 5 anos sem muitas folgas ou descansos somente nas horas mais especiais ia em seu segundo recinto.

Marcio imaginava o bucolismo, idílios pairavam sobre sua cabeça, tudo era pensamentos promissores para ele naquele final de semana; então em plena hora de Happy Hour nos Bares da Região Centro-Sul, Norte, Nordeste; etc tudo era farra e desforra e o Rush se aglomerava no trânsito híbrido de Belo Horizonte ele largou os últimos serviços e transitou para a garagem pegou seu Fiat Doblo Vermelho Escuro e saiu de seu escritório.

Marcio se encontrava extasiado, pois estava prestes a chegar o mais rápido possível em seu Lar, Doce Lar apesar de sua residência estar localizada no Bairro Cidade Nova região Leste da Capital na Rua Vereador Teixeira de Azevedo ele havia há alguns meses adotado seu Flat no Belvedere Rua Professor Sylvio Barbosa como seu lar principal.

Marcio pegou um atalho pela Avenida Presidente Gaspar Eurico Dutra que se encontrava com pouco tráfego no momento e já quase perto da Avenida Paulo Camillo Pena ele teve que parar seu carro, pois o celular estava tocando insistentemente e sempre que atendia uma voz feminina-sedutora estremejava um suave alô, porém ao mesmo tempo desligava, ele desconfiado resolveu identificar o Telefone, mas sempre apontava na tela azul de seu celular a mensagem: “ID Desconhecido”.

Ele com a pulga atrás da orelha tentava ensaiar adivinhações e supostas amigas, namoradas ou casos que estavam ligando para brincar ou encher seu saco naquele momento. De novo o toquinho estrelejava um som longo ele resolveu não dar bola para aquilo já na Rua Professor Saul Macedo um carro o fecha e ofusca sua visão e ele quase bate o carro a uma mureta do lado esquerdo da pista, perdeu quem fez isso e já desconfiado de algo ele resolveu o mais rápido possível chegar a seu destino tão perto mais que naquele momento eram os três quarteirões mais longos de sua vida já que Marcio era um sujeito pouco precavido, mas medroso de pedra, porém enfim ele chegou e cumprimentou ansiado o porteiro e acelerou para garagem desceu de seu Fiat novinho e reluzente e ensaiou olhares atentos ao redor daquele breu pesado que pesava, sobretudo, sua aura e a mente que se encontrava sã até alguns presentes instantes passados.

Marcio por longos minutos contemplou aquele desértico lugar com cheiro de gasolina e álcool de carros zeros quilômetros.

Marcio apercebera-se que sua desconfiança não tinha fundamentos sólidos e acalmou-se temporariamente e com passos ainda paulatinos e batidas no peito outra vez compassadas caminhou para o elevador privativo do Flat e sem ninguém subiu até o 5 e último andar aonde se encontrava sua Suíte de Número 66.

Marcio chegou agora ao seu terceiro ou quarto destino sei lá depois daquele susto dentro do carro.

Marcio desvencilhou-se do medo, pavor, terror e naquele corredor naquele dia mais gélido e atroz viu que sua porta estava Semi-Aberta então sua espinha dorsal calou-se como um ataque irreversível e seu corpo quente se congelou.

Marcio foi indo, indo e até que viu naquela fresta pequena um corpo cadavérico jazido em sua cama, lívido estava, ele teve vários pensamentos que não incólumes de morte, pastiche e elegia se mesclavam numa estranha face pálida de crime ele como um Sherlock Holmes tentava achar o enigma, o quebra-cabeça, as peças de todo aquele mistério, mas nem ao mesmo ele conhecia a nudez daquele corpo esguio, escultural e guturalmente invólucros nestes adjetivos de mulher primorosa, aquelas curvas não mereciam aquele destino pensou ele, Marcio entre então e numa apreciação mais esmiuçada, aguçada e detalhada daquele corpo ele percebeu um copázio vazio e uma taça de vinho ainda com o liquido crucial e então ele desvendou o envenenamento, porém a causa, o efeito, nada mais ele entendia, pensou que podia ser algum inimigo querendo incriminá-lo pesadamente, mas quem seria? Quem teria coragem? Mas ele não tinha inimigo?

Marcio então avistou sob a cama um bilhete amassado, quase delineado com um fundo mistério, ele então abriu-o delicadamente e cheio de cautela leu uma carta com uma declaração infinita de Te Amos e versos Totalmente Feminis...

Marcio não entendia o porquê dos léxicos que estavam ali contidos, escritos e feitos com uma letra ora miúda, ora grandes tudo era convulso e incontido numa emoção perene, duradoura, imparcial, parecia até que àquela carta tinha vida própria tamanho era o grau emocional das imagens que tal trazia.

Marcio alheio àquela morte bem aos seus olhos se perdia naquela carta até que no final tam esperado leu a seguinte assinatura de sua admiradora secreta e não correspondida Sara!

Ele não agüentou e no mesmo instante com tamanha emoção tomou aquele suicídio como o seu e engoliu aquele trago ainda presente na taça e morreu abraçado com aquela criatura jazida em seu leito Sedoso de Pena De Ganso!

Edemilson Reis
Enviado por Edemilson Reis em 25/03/2006
Código do texto: T128143