Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Junkie box (a conhecer o desconhecido)

Pela noite chega o vento gélido, cortante. Eu caminho a procurar por algo que valha a pena. Os postes de iluminação fraca guiam os passos a serem dados pela obscura alameda. Rua vazia. Mente vazia. Vontade cheia, cheia de vontade em permanecer à procura do desconhecido. De repente uma luz mais intensa, fachada do prédio discreta, embora peculiarmente atraente aos olhos estridentes de um potencial indigente. A adentrá-lo, portanto. Caminho o caminho do desconhecido. Uma sala com algumas pessoas ordinariamente extraordinárias. Individualidade coletiva, eu diria, descreveria o ambiente austero. Algo que valha a pena procurar prescreve o cotidiano destas pessoas: a disponibilidade é ampla. Sento-me em um sofá vermelho no canto esquerdo da sala. Aguardo meu pedido por liberdade incondicional. Embora demore, não vou-me embora. Sei que ele virá. Tudo a seu tempo, como diriam alguns que gostam de atribuir ao acaso suas inconsequentes vidas inconscientes. Enfim, a demora da lugar à entrega. Recebo algo que valeu a pena esperar, apesar de, até o presente momento, ter sido algo engavetado no desconhecido. E para o desconhecido, então, devo ir em busca de uma iluminação diferenciada, intensamente extravagante. Na veia uma sensação conhecida que levará à realidade absoluta. Tranquilamente, relaxo-me no sofá, de modo a sentir o sangue correr pelas veias recém-interferidas.  A sala era escura. A sala ganha cores. A sala está em ressonância com a frequência de minhas ondas magnético-cerebrais. O desconhecido torna-se, finalmente, conhecido. Levanto-me do sofá com listras amarelas e violetas apoiado no canto direito da sala. As pessoas vêm e vão a todo momento. Saio da sala, e deixo o prédio tranquila, calma e, ao mesmo tempo, freneticamente. A intensidade das ruas descreve meus sentidos não mais presos numa caixa de pandora. Os postes de iluminação contrastam com a neblina noturna, de modo a intensificar os feixes de luz que cortam meus tecidos. Caminho pelo desconhecido, para o desconhecido, pelo desconhecido. O vento gélido aquece meu corpo e amacia minhas veias. O vento gélido percorre a corrente sanguínea. A rua cheia. A mente cheia. A vontade vazia. Tudo se completa. Os sentidos ganham sentido no sentido oposto dos sentidos padronizados, bizarros, errados. Momento que permanece num intervalo de tempo no infinito. Apenas este momento. E nada mais.
Rafael Wingert
Enviado por Rafael Wingert em 31/05/2009
Código do texto: T1624032

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Rafael Wingert
São Paulo - São Paulo - Brasil
109 textos (9256 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 08/12/19 18:59)
Rafael Wingert