Como a Tecnologia Evolui

Não pertencia à tribo dos iLetrados Tecnológicos; muito pelo contrário, sabia bem como as coisas funcionavam e melhor ainda: como fazê-las funcionar. Só queria mesmo era um telefone, prático e econômico. Após esgotar catálogos buscando um modelo na Internet, dirigiu-se a uma loja não-virtual. Ah, disse o atendente, esse aparelho só pra telefonar que procura não encontra não, duvido!, todos têm funções adicionais. Inacreditável, pensou. Todos os modelos incluíam GPS, câmera e navegador, sem falar na Web. Havia um com identificador e gerador de conversa fiada, muito bom para escritores, por sinal - disse o vendedor -, outro com regulador de vibração e um terceiro que recebia por satélite sinais de TV e os reproduzia em 3D; mas, tudo o que queria era só mesmo poder telefonar. Lembrou-se do dia em que teve que ficar à chuva, esperando um ônibus numa parada erma com risco de aparecer nas páginas policiais; tudo isso só porque não tinha um celular e não havia mais orelhões ou essas cabines antes chamadas telefônicas, nem mesmo um telefone daqueles só para casos de SOS. Por isso traíra o movimento, tinha que ter celular para tais situações. Entre o da conversa e do 3D, decidiu-se pelo de forma estranha, de cor marrom; o preço, a martelada final: Levo! Ainda na loja, testou a função de telefone e as adicionais deixou para casa. Uma semana mais tarde voltou à loja. Devido à garantia, o vendedor logo perguntou-lhe se desejava trocar. Sim. O aparelho não lhe satisfez? O telefone agrada, no entanto o design... Não teria um assim mais roliço e tal, indagou meio sem jeito. Pois se não tinham, trataram de providenciar! Pura questão de design, assim a tecnologia evolui. E um viva aos adicionais!