Desfoque - Personagens da Sociedade

Olhem lá. Aproxima-se a personagem e seus óculos cheios de lentes. Mal pude designar-lhe um nome. Pode ser que isso ocorra aos poucos, porque um substantivo próprio também carrega consigo significados. Então, que este represente bem este pobre homem afortunado de 30 anos e alguns problemas ao decorrer de todos eles. Alguns graus de hipermetropia, fortes, que vazavam até sua mente, onde se iniciava o processo de desfoque. Órfão, desde os 13 anos de pai e mãe. Fora filho de sua tia, quem o criou e cuidou. Além das lembranças que seus outros sentidos guardaram, porque sua visão lhe era falha, tinha uma herança maior do que uma quantia que pudesse contabilizar.

Na falta de um irmão, tinha um amigo dos tempos de meninice, este era Júlio. E Maximiliano, expandiu o que tinha de mínimo num sentimento fraternal. Permitam-me interromper a estória por um instante, mudaram-se os rumos sobre o nome do coitado... Trata-se de uma antítese, um paradoxo vivo a caminhar em passos desprovidos de algum objetivo, sem foco... Maximiliano tinha alma e cabeça pequena. Não tinha nem a capacidade de administrar todo o dinheiro e assim confiou a riqueza nas mãos do irmão Júlio. Este sim era homem humano, cuidou dos bens sem muito interesse ou desviar um centavo que fosse. Ora pois! Tinha pena de Maximiliano, este era tolo, não podia ver direito as coisas do mundo.

Mas, quiçá fosse apenas isto. Não tinha apenas uma ruim visão em sentido bilateral. Faltava-lhe talvez o que há de mais importante: humildade. E justamente por isso, não havia perspectiva de crescimento para esta pobre criatura. Sim, tão pobre! Não tinha um tostão apesar de ser rico! E nem era digno de exemplo a ninguém. Imaginava saber tudo, e seu orgulho excessivo não lhe permitia aprender. Ele não era, só tinha. Tinha tudo e era quase nada. Continuava um quase cego, no literal e não literal sentido que carrega a palavra.

Talvez, a única pessoa que ouvia e confiava verdadeiramente durante toda a sua existência fora seu irmão. Foi aí que este fez parte de sua vida como se fosse um anjo caído dos céus, trouxe-lhe uma salvação física e outra muito mais importante. Indicou-lhe um doutor conhecido na cidade, que poderia tratar da retina que enxergava o mundo desfocado. Assim Maximiliano o fez. Dirigiu-se ao consultório, na esperança de melhorar suas vistas. O Doutor sabendo de todo o caso lhe marcou uma cirurgia, e para a sua surpresa lhe indicou outro tratamento: ter aulas com um filósofo em específico, Confúcio. Sim! Questionava, mas não podia ter dúvida alguma sobre a importância do conhecimento. E porque detinha saber, indagava. Foi este o homem que tratou da sua visão moral, lhe receitou doses de livros e livros, mesmo que se embebedasse das letras. E houve o incrível momento após a cirurgia e após beber com seus olhos inúmeras palavras que só lhe encheram de benefícios. Libertou-se, pediu sua carta de alforria á ignorância para que pudesse ver o mundo com outros olhos. Só havia uma coisa que lhe fosse melhor do que ver com nitidez... Foi enxergar que não sabia nada e ter consciência de que ainda havia muito que pudesse saber.

“Querem que vos ensine o modo de chegar à ciência verdadeira? Aquilo que se sabe, saber que se sabe; aquilo que não se sabe, saber que não se sabe; na verdade é este o saber.”

(Confúcio)

"A humildade é a única base sólida de todas as virtudes".

(Confúcio)

Tatiana Espíndola
Enviado por Tatiana Espíndola em 22/10/2012
Reeditado em 19/12/2021
Código do texto: T3947060
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