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A Sé é assim

Teriam sido um sábado e um passeio quaisquer se o lugar que escolhi para ir não fosse a Praça da Sé. Quando? Não tem a menor importância... Mas fui, fui para ver a gente de lá. Até então, eu tinha passado por lá algumas vezes, para ver a praça, apenas!

Dizem que na Sé todos os dias são a mesma coisa. Gente que vai, gente que vem, gente que vende, gente que compra, gente que dorme... Isso mesmo, na Sé tem gente que dorme até as dez da manhã!

Quem ia e vinha, parecia que ia e vinha para ver a formosura arquitetural e histórica do lugar e fotografá-la, coisa que eu também já havia feito antes. Aquela gente parecia ser de fora... Talvez de fora da cidade, sei lá! Eu também já fui de fora da cidade e sei bem o que é isso, coisa de turista!

A impressão que tive foi que aquela gente que ia e vinha estava alerta às frases que todo mundo ouve quando diz que vai à Sé: “cuidado com a bolsa” ou “a Sé é um perigo” ou “não vá só na Sé”, e por aí vai. Mas naquele dia eu fui, e fui só!

Fui de metrô, cuja estação fica no subsolo da praça, escolhi uma das duas saídas que abrolha quase na base da Catedral. Mas não olhei para o alto não, olhei para o meu lado direito... O que eu queria ver não estava no alto, e vi!

Cheguei bem na hora do despertar! Só para lembrar, eram dez manhã. Alguns até já tomavam café... Isso mesmo, na Sé tem gente que toma café da manhã (mas também tem gente que não toma).

Quem dormia, dormia ali mesmo, se é que dá para chamar aquilo de sono. As camas, ou melhor, os degraus das escadarias e os canteiros da praça ainda estavam úmidos por conta do rocio da noite anterior, fazia um friozinho de mais ou menos dez graus...

E às dez da manhã, ali na praça, era hora de muita gente estar de pé para trabalhar... Isso mesmo, na Sé tem gente que vende e compra na “feira do rolo” e tem catadores com suas carroças (mas também tem gente que faz nada).

Ah, havia até um “salão de cabeleireiro”, vulgo uma mesinha de madeira, em cima dela havia um pente, uma tesoura, um pequeno espelho e um frasco de borrifar água, além de uma cadeira! Isso mesmo, logo que me dirigi ao centro do pátio da Catedral vi o cabeleireiro, era Seu Agenor, ele estava sentado na cadeira, já que, naquele momento, não tinha cliente. Veio de Mato Grosso há... não lembro quando, também o que interessa saber quando ele veio? Quase toda aquela gente ali veio há algum tempo, de algum lugar...

-                   __ Cobro cinco reais pelo corte de cabelo! Ele me disse.

Quem fazia coisa nenhuma, fazia barulho, conversava com alguém, tinha até gente que conversava sozinha, e as crianças brincavam... Isso mesmo, na Sé tem gente que é criança, criança de verdade. Nas cabanas erguidas, feitas de cobertores, ali mesmo na praça, algumas delas ainda dormiam também (as mães sempre se preocupam em proteger as crianças do frio).

É, vi que seria uma praça qualquer se não fosse a Praça da Sé... lá tem “camas”, “guarda-roupas “ “banheiros”, “lojas”, “salões de beleza”... só não tem paredes, afinal é uma praça!

E lá tem gente que... Bom, lá... Lá tem Gente!

Magna Oliveira
Enviado por Magna Oliveira em 12/03/2007
Código do texto: T409853


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Sobre a autora
Magna Oliveira
Carapicuiba - São Paulo - Brasil, 44 anos
5 textos (257 leituras)
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